Novo regime sírio, apoiado pelos EUA, se aproxima da “normalização” com “israel”
A revelação ocorre no momento em que Hanegbi afirma que a Síria e o Líbano são candidatos à inclusão nos Acordos de Abraão, com Tel Aviv aprofundando os contatos com Damasco.
(Foto: Chaim Goldberg/Flash90)
O Assessor de Segurança Nacional Tzachi Hanegbi confirmou em 24 de junho que Israel está envolvido em uma comunicação direta e diária com as autoridades interinas da Síria, com o objetivo de explorar uma possível normalização.
Em entrevista ao Israel Hayom, Hanegbi afirmou que ele próprio lidera as negociações “em todos os níveis” com autoridades políticas em Damasco.
Suas declarações, feitas inicialmente durante uma sessão confidencial no Knesset em 23 de junho, representam a admissão mais explícita até o momento por parte de Israel sobre negociações com o governo transitório sírio.
Hanegbi disse que Síria e Líbano estão sendo considerados para uma futura inclusão nos chamados Acordos de Abraão, e que qualquer retirada israelense de zonas tampão ocupadas estaria sujeita a acordos finais. Ele esclareceu, no entanto, que Tel Aviv “não se retirará do Hermon sírio”.
Os comentários vêm na esteira de uma série de contatos indiretos e relatos sobre encontros “cara a cara” entre autoridades sírias e israelenses, com o objetivo de evitar confrontos e formalizar laços sob a liderança do presidente de fato da Síria, Ahmad al-Sharaa — anteriormente conhecido como comandante da Al-Qaeda, Abu Mohammad al-Julani.
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Questionado sobre relatórios da inteligência militar que alertam que Sharaa mantém vínculos ideológicos com grupos armados, Hanegbi disse que as avaliações continuam em andamento e que “Sharaa está sendo moldado à medida que as coisas avançam”.
No início deste mês, o congressista norte-americano Marlin Stutzman afirmou que Sharaa estava “aberto à paz com Israel” e não insistia na retirada israelense das Colinas de Golã ocupadas.
Outro legislador dos EUA, Cory Mills, confirmou o interesse da Síria em aderir aos Acordos de Abraão e disse que Sharaa demonstrou disposição para atender às exigências dos Estados Unidos.
As declarações vieram após a decisão do presidente Donald Trump de suspender sanções contra a Síria e se encontrar com Sharaa em Riad, em maio, durante uma cúpula regional.
Desde então, a Síria iniciou uma repressão contra organizações palestinas, prendendo e confiscando bens de membros da Jihad Islâmica Palestina (PIJ) e da Frente Popular para a Libertação da Palestina – Comando Geral (PFLP–GC).
Sharaa também declarou que “Síria e Israel têm inimigos em comum” e demonstrou interesse em reativar estruturas de distensão como o Acordo de Dofa de 1974.
As negociações ocorrem em meio ao avanço dos esforços de normalização por parte de países ocidentais e do Golfo, enquanto a União Europeia anunciou neste mês um pacote de 200 milhões de dólares para a recuperação da Síria, coincidindo com a reintegração do país ao sistema bancário SWIFT.
Enquanto isso, a nova versão da proibição de viagens instaurada por Trump exclui notavelmente a Síria, omissão amplamente vista como um sinal do realinhamento mais amplo de Washington na Ásia Ocidental.
* Publicado no The Cradle em 24/06/2025.
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