Apurar com rigor e condenar os responsáveis pela morte de Nizar Banat

25/06/2021

O povo palestino e suas diásporas, esta brasileira dentre elas, foram tomados pelas tristeza, consternação e indignação diante da repulsiva morte, na manhã de ontem (24), do ativista palestino NIZAR BANAT, 43 anos, após ser capturado, na casa de familiares, na cidade de Hebron, por agentes de segurança do estado palestino, crime covarde e injustificável, frente ao qual nos manifestamos nos termos que seguem:

1. Preliminarmente, manifestamos condolências e solidariedade à família, bem como pedimos às autoridades palestinas que lhe prestem toda assistência, especialmente legal e material;

2. Este crime é injustificável e o deploramos, inclusive porque, também, afeta as autoridades moral e política da causa palestina, permitindo afirmar que contribui para a legitimação da ocupação, vez que esta se beneficia dos nossos enfraquecimentos interno e junto à Comunidade Internacional;

3. A forma bárbara com que Nizar Banat foi detido e agredido até sua morte é um atentado à civilidade, aos direitos humanos que tanto reclamamos em nosso favor frente à ocupação, à democracia e às liberdades civis que buscamos fazer marcas de um Estado Palestino democrático, laico, com máximas liberdades civis e no qual rigorosamente todos estejam sob o estrito império da lei, operado por um sistema de justiça moderno e imparcial;

4. Os aparelhos da segurança pública e do estado na Palestina devem ser a parte da governça mais severamente observadora da legalidade, cabendo as exclusões sumários de seus quadros de todos aqueles que flagrantemente ofendam a legalidade, especialmente em casos como o atual, que se tratou de brutal execução extrajudicial;

5. A comissão que vier a estar encarregada de investigar o caso deve cumprir seus trabalhos com máximas independência, dedicação e transparência, tal qual anunciado por Ahmed Al-Tamimi, membro do Comitê Executivo da Organização para a Libertação da Palestina e chefe do Departamento de Direitos Humanos e Sociedade Civil da organização, para quem “o evento é sério e exige transparência e credibilidade por parte das autoridades envolvidas”;

6. Para tanto, deve incluir representantes da família e de organizações palestinas de defesa dos direitos humanos, juristas notórios e ilibados, bem como legistas, e não descansar até o esclarecimento crível deste crime, identificação dos responsáveis, suas exclusões sumárias das forças de segurança, além de suas prisões preventivas e posteriores julgamentos e condenações;

7. Este crime deve levar à ampla reforma de todas as forças de segurança da Palestina, para que este e casos anteriores à sua semelhança não se repitam;

8. Ademais, crimes bárbaros como este só nos levam à sedição interna e à desunião frente à ocupação, o verdadeiro flagelo a assolar nosso povo e aos povos da região, bem como criam névoa que invisibiliza seus crimes diários e seu desprestígio cada vez maior junto à Comunidade Internacional; e

9. Por fim, novamente clamamos para que todas as forças políticas e sociais da Palestina conduzam um real e honesto processo de reconciliação nacional, do qual resultem eleições legislativas, presidenciais e para o Conselho Nacional Palestino, assim levando à reestruturação da OLP e a um governo de união nacional, que enfrente a ocupação e satisfaça as necessidades do nosso povo.

Palestina Livre a partir do Brasil, 25 de junho de 2021, 74º ano da Nakba.

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