FEPAL entrega a Lula carta com proposições para a agenda externa brasileira e defesa dos direitos humanos
Documento sintetiza a posição da comunidade árabe palestino-brasileira sobre relações do país com a Palestina
Uma comitiva da FEPAL entregou, ontem (2), uma carta com as proposições da comunidade árabe palestino-brasileira ao candidato à Presidência e ex-presidente do Brasil Luís Inácio Lula da Silva.
O encontro ocorreu por volta do meio-dia, no hotel Plaza São Rafael, em Porto Alegre, e contou com a presença de membros da comunidade palestina da grande Porto Alegre e do interior do estado, e diversas lideranças políticas parceiras da federação no estado, como o deputado federal Paulo Pimenta (PT).
Quem entregou o documento a Lula foi o presidente da FEPAL, Ualid Rabah, acompanhado de sua vice, Fátima Ali, a principal interlocutora para a realização da agenda. O candidato agradeceu o carinho e afirmou que trabalhará para reestabelecer o protagonismo da política externa brasileira na mediação de conflitos e na defesa dos direitos dos povos.
“Os palestinos merecem toda a nossa atenção e solidariedade”, disse o ex-presidente, líder nas pesquisas de intenção de votos para a eleição presidencial deste ano. Ele também reiterou seu posicionamento sobre o papel da ONU. Em entrevista a veículos independentes, em janeiro deste ano, Lula defendeu uma reforma na organização para que o mundo avance em questões-chave para a paz, como a criação do Estado Palestino.
Lula lembrou das relações que o Brasil construiu com o mundo árabe em seus governos e o quanto isso foi positivo para os dois lados. Para ele, o povo palestino tem o direito de viver em um “estado livre e soberano”.
Candidato à presidência pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Lula recebeu comitiva da FEPAL durante agenda em Porto Alegre
No encontro, o ex-presidente vestiu a hata palestina (ou keffiyeh), lenço que é um dos símbolos da resistência, e recebeu da comunidade presentes, entre eles um quadro com a frase em árabe “Lula, o melhor presidente do Brasil”. uma camiseta da seleção de refugiados da Palestina, que conta com apoio da FEPAL, uma cuia e uma masbaha (rosário muçulmano). Lula também recebeu um presente para a esposa Janja, um lenço com bordado típico palestino.
Os secretários da FEPAL Nasser Judeh, de Assuntos Jurídicos, e Eduardo Abed, de Assuntos Jurídicos, também participaram do encontro.
Carta aos candidatos
A carta entregue a Lula expressa algumas das principais preocupações e propostas da comunidade árabe palestino-brasileira para as relações entre Brasil e Palestina, bem como sobre questões que preocupam no Brasil, como a islamofobia, que tem conduzido ao que o documento identifica como arabofobia e palestinofobia.
“Estamos aqui como brasileiros que descendem de palestinos e que querem o melhor para o Brasil”, disse Rabah, que lembrou do incremento das relações do país com o mundo árabe, o que levou ao grande aumento das relações comerciais entre as partes. “Isso foi com para o Brasil. Gerou empregos no Brasil, seus empresários ganharam dinamismo e mercado internacional”, destacou.
No documento de cinco páginas, a FEPAL relembra a tradição diplomática brasileira de reconhecimento e valorização dos direitos do povo palestino e lamenta retrocessos que têm colocado o país não apenas na contramão de um entendimento global sobre o apartheid em Israel, mas também contra seus próprios interesses nacionais.
Entre os presentes entregues à Lula estão a hata palestina, símbolo da resistência, e uma camiseta da seleção de refugiados que conta com apoio da FEPAL
Entre as proposições aos presidenciáveis estão a manutenção do apoio a criação do Estado da Palestina conforme as resoluções da ONU – sobretudo às que tratam do direito de retorno dos refugiados (Resolução 194) e à desocupação de todos os territórios tomados (Resolução 242) – e a ratificação de uma série de acordos de cooperação entre Brasil e Palestina.
O documento destaca também os quatro acordos de cooperação do Brasil com a Palestina – nas áreas de cultura, técnica, educacional e comercial –, todos aprovados pelo Congresso Nacional, bastando a ratificação presidencial para que entrem em vigor.
Confira aqui a carta da comunidade árabe palestino-brasileira aos presidenciáveis
Até o primeiro turno das eleições, no início de outubro, a federação pretende também entregar uma cópia do documento aos demais candidatos à presidência da República. “Mesmo com todo este cenário de polarização, a nossa missão segue sendo a mesma, a de elucidar e buscar apoio à Palestina em todos os segmentos da sociedade brasileira”, comenta Ualid.
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