Com detenções e deportações, Egito obriga o cancelamento da Marcha Global para Gaza

"Nos últimos dias, centenas de  organizadores e participantes, incluindo membros do nosso comitê de coordenação internacional,  enfrentaram detenções e deportações, muitas vezes sem permissão para se comunicar com  equipes jurídicas ou entes queridos", diz organização da Marcha

16/06/2025

Caravana de solidariedade que iria da África do Norte para o Cairo, mas foi detido ainda na Líbia. (Foto: @MontassarSinkez)

A Marcha Global para Gaza, uma das maiores mobilizações internacionalistas da história, que levaria 10.000 pessoas do mundo todo até a fronteira entre o Egito e a Faixa de Gaza no último final do semana, foi cancelada devido à onda de repressão desencadeada pelas forças policiais egípcias.

Os ativistas humanitários, militantes de movimentos sociais e membros de organizações não-governamentais de todos cantos do globo deveriam ter chegado na última quinta-feira (12) ao Cairo para se juntar aos 7.000 ativistas provenientes de nações da África do Norte e, da capital egípcia, percorrer quase 50 km até o cruzamento fronteiriço de Rafah, onde chegariam ontem (15) e lá acampariam, exigindo a abertura da fronteira para o envio de ajuda humanitária.

Mas nada disso aconteceu. Já no meio da semana passada os participantes que chagavam ao Cairo denunciavam que muitos estavam sendo buscados pelas autoridades locais e alguns foram detidos e deportados logo na chegada. Às delegações foi proibido se reunir e as notícias sobre a repressão obrigaram os que ainda não haviam chegado a abortarem a viagem. De fato, a esmagadora maioria dos participantes sequer chegou a pisar em solo egípcio.

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Como noticiado pelo portal da Fepal, um grupo de brasileiros viajou para a Marcha. Eles chegaram ao Cairo, mas não puderam fazer nenhuma publicação nas redes sociais ou mesmo enviar qualquer tipo de informação para fora do Egito porque a polícia local já estava à procura de todos os ativistas estrangeiros que chegaram para a Marcha. As autoridades egípcias continuam realizando buscas e apreensões nos hotéis e aeroportos, apesar do cancelamento forçado da Marcha.

Reproduzimos abaixo o comunicado dos organizadores da Marcha Global para Gaza, esclarecendo pormenorizadamente a situação:

Marcha Global para Gaza cresce em todo o mundo após repressão  das autoridades egípcias – Liderança anuncia novas ações  

A Marcha Global para Gaza reuniu-se no Cairo com um objetivo comum: aproximar-se  pacificamente do porto de Rafah e pedir o fim do cerco ilegal a Gaza, que só piorou nos últimos 90  dias. Estamos aqui para protestar contra o genocídio em curso e desafiar a ocupação contínua da  Palestina. Enquanto isso, a ajuda essencial permanece retida na fronteira, com suprimentos vitais  se deteriorando enquanto civis esperam em desespero. 

Após meses de coordenação, mobilização global e tentativas de diálogo com os canais  governamentais apropriados, a resposta das autoridades egípcias deixou claro que a Marcha  Global para Gaza não pode prosseguir com segurança como planejado neste momento, embora  uma decisão oficial do governo ainda esteja pendente. Nos últimos dias, centenas de  organizadores e participantes, incluindo membros do nosso comitê de coordenação internacional,  enfrentaram detenções e deportações, muitas vezes sem permissão para se comunicar com  equipes jurídicas ou entes queridos. Operamos inteiramente dentro dos limites da lei egípcia,  coordenando-nos estreitamente com as embaixadas e aderindo aos protocolos locais. Neste  momento, nosso foco está em proteger a segurança e o bem-estar dos participantes que  permanecem no Egito. 

Apesar deste revés, nossa determinação continua mais forte do que nunca. Chegamos ao Egito  como uma coalizão pacífica de mais de 4.000 indivíduos de mais de 80 países, unidos no apelo  pelo fim do genocídio em Gaza e pela abertura de um corredor humanitário sustentável através de  Rafah. Após mais de 20 meses de bombardeios quase contínuos, a crise humanitária em Gaza  atingiu níveis catastróficos. Desde 2 de março de 2025, apenas uma quantidade mínima de ajuda  humanitária ou bens comerciais tem sido permitida em Gaza, exacerbando a fome e o sofrimento. 

“Todos os esforços para impedir este genocídio devem ser explorados, incluindo aqueles que  podem parecer excepcionalmente desafiadores”, disse Saif Abukeshek, copresidente do comitê de  coordenação. 

“Dado que o governo egípcio declarou que ações pacíficas podem ser permitidas, nós não vimos  esta marcha como impossível, apenas difícil e, portanto, vale a pena tentar. Não queremos olhar  para trás daqui a décadas e nos perguntar se realmente fizemos tudo o que podíamos pelo povo  palestino.” 

A determinação e a solidariedade demonstradas têm sido simplesmente incríveis. Como  Melanie Schweizer, coorganizadora e advogada alemã, enfatizou: 

“Estas são pessoas que se recusaram a ficar paradas enquanto o direito internacional é  continuamente violado e um genocídio é cometido contra o povo palestino”, disse Schweizer. “Elas  escolheram agir, pacificamente e dentro da lei, para defender os princípios que o mundo afirma  defender.” 

“As ações tomadas tanto pelos organizadores da marcha quanto pelas autoridades egípcias  colocaram as embaixadas globais diante do imperativo político e moral que seus cidadãos veem  no fim do genocídio palestino.” 

A reunião no Egito é uma parte da nossa história. A Marcha Global para Gaza desencadeou mais  de 50 ações coordenadas em todo o mundo, do México ao Chipre, e mobilizou milhões de  pessoas em todo o mundo em apoio à Palestina. Também continuamos profundamente inspirados  pelos nossos parceiros da Freedom Flotilla e da Sumud Convoy, cujos esforços corajosos  continuam a lembrar ao mundo que a nossa defesa é inabalável. 

Não estamos mais planejando novas ações no Egito, mas agora estamos organizando ativamente  os próximos passos para a ação, tanto coletivamente quanto por meio de nossas delegações  nacionais e regionais. Embora a marcha não tenha se desenrolado como inicialmente planejado, o  espírito, a unidade e a determinação desta rede global nos inspiram a seguir em frente.  Buscaremos incansavelmente todas as vias para acabar com as atrocidades na Palestina e  promover a vida, a dignidade e a autodeterminação do povo palestino. 

A Marcha Global para Gaza não acabou. Ela apenas começou. 

Porta-vozes: 

Melanie Johanna Schweizer: +4917629098315 

Saif Abukeshe: +34632170238 

Karen Moynihan: globalmarchtogazapress@gmail.com 

Site: http://marchtogaza.net 

Redes sociais: @globalmarchtogaza 

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