A Síria e seu futuro pertencem somente ao povo sírio
Nota pública da Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal)
A queda de Bashar Al-Assad após 13 anos de violência armada na Síria impõe ao país, seu povo e a toda região um novo paradigma e novos desafios — que se somam a esta que é a grande batalha de nosso tempo: fazer cessar o genocídio em curso na Palestina há 430 dias.
Esta federação reafirma a defesa inequívoca do direito à autodeterminação, soberania e autonomia dos povos. O povo sírio tem a primazia de tomar seu destino com as próprias mãos e cabe somente a ele definir seu futuro, prevalecendo sempre a vontade popular, bem como a preservação e proteção dos direitos civis de todos os grupos étnico-religiosos que compõem a diversa, rica e milenar cultura e sociedade síria.
Desejamos que o povo sírio encontre o caminho de reconciliação nacional, alcance o ideal de formação de um governo que leve a eleições e à afirmação da soberania popular. Esperamos, também, que os novos dirigentes, provisórios e os que porventura venham, após eleitos, concluam a pacificação nacional, a restauração das capacidades econômicas da nação e consigam recepcionar os que seguem refugiados em países da região e fora dela em consequência dos anos de violência vividos pelo país.
Observamos com preocupação o movimento da dobradinha genocida “israel”-Estados Unidos que, enquanto conduz a maior matança de crianças da história na Palestina, aproveita o momento de indefinições na Síria para avançar sua ocupação criminosa e tomar de assalto ainda mais território sírio. As Colinas de Golã, ocupadas ilegalmente por “israel” desde 1967, são território sírio em sua integralidade e sua soberania deve ser restabelecida em conformidade com o Direito Internacional e resoluções da ONU pertinentes. A Síria não pode continuar sendo palco das disputas imperiais e seu povo não merece pagar o preço das guerras por procuração conduzidas por potências estrangeiras.
A Síria sempre teve um papel destacado na construção da identidade árabe e na defesa da autonomia dos povos e países da região. Esperamos, portanto, que a Síria siga sendo um país árabe comprometido com uma solução política, justa e duradoura para a Questão Palestina, recusando-se a aceitar a imposição ocidental de normalização de “israel” e do extermínio do povo palestino.
Esperamos, também, que o status dos refugiados palestinos não sofra alterações, e que seu direito de retorno à Palestina, nos termos da Resolução 194, da ONU, seja preservado. Isto é, que a Síria rechace ceder aos intentos de “israel”, que exige a absorção dos refugiados palestinos aos países em que se encontram e que não possam jamais retornar à terra de onde foram expulsos na limpeza étnica da Palestina, este um crime de lesa-humanidade.
Por fim, desejamos que o povo sírio consiga viver em paz e que faça com que suas capacidades tornem a Síria um país próspero e democrático, mantendo seu papel primordial na emancipação da arabidade, em particular o reconhecimento histórico da legitimidade e apoio ao movimento de libertação nacional palestino. Nossa felicidade será ainda maior se tudo isso for alcançado sem mais derramamento de sangue, destruição, refugiados e deslocados. Que se erga uma Síria soberana e não-sectária, em que todas as posições políticas e ideológicas legítimas sejam respeitadas e integradas ao concerto político, bem como que os sírios de todas as fés religiosas, etnicidades e culturas sejam protegidos em suas espiritualidades, templos e instituições.
Palestina Livre a partir do Brasil, 9 de dezembro de 2024, 77º ano da Nakba.
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