O plano para minar a resistência e avançar os interesses de EUA e “israel” no Líbano

O sul do Líbano enfrenta atualmente uma nova forma de ocupação, coordenada pelos principais Estados capitalistas do mundo, que utilizam esquemas de investimento como armas, com o objetivo maior de conceder ao regime israelense impunidade sobre o país árabe.

28/09/2025

"A Zona Econômica Trump revela a urgência com que os EUA e Israel, seu posto avançado na Ásia Ocidental, pretendem desarmar o movimento de resistência libanês após terem fracassado em alcançar esse objetivo pela guerra e pelos massacres."

Por Isabella Tarhini*

O sul do Líbano há muito se vê sujeito à ingerência estrangeira, resultado das ambições hegemônicas de alguns Estados ocidentais e de seus aliados regionais.

Os incontáveis massacres, invasões, ataques militares, interferências políticas e operações secretas de Israel marcaram o passado do país e forneceram as bases necessárias para a legitimidade e a necessidade de grupos de resistência libaneses, como o Hezbollah.

Contrariamente às narrativas ocidentais falhas, a resistência não é infundada, mas sim uma resposta orgânica às brutais circunstâncias às quais um povo é submetido. É por essa razão que as tentativas de desmantelar a resistência no Líbano por meios políticos, militares e agora econômicos são inúteis, já que a resistência existe justamente como resposta a tais intervenções desnecessárias e desastrosas.

As realidades desestabilizadoras que levaram ao surgimento do Hezbollah no Líbano estão presentes hoje com muito mais gravidade do que nunca. Desde a aprovação e início de um cessar-fogo entre o Hezbollah e o regime israelense, as autoridades libanesas relataram milhares de violações israelenses no país, com inúmeros civis mortos.

A construção de cinco postos militares de ocupação no Sul também ocorreu após o anúncio do cessar-fogo. Apesar do flagrante desrespeito de Israel a qualquer acordo que limite sua agressão desenfreada, os EUA estão concebendo novos meios para efetivar o desarmamento do Hezbollah e avançar a estratégia israelense no Líbano.

Os EUA planejam o estabelecimento da chamada “Zona Econômica Trump” em 27 vilas do sul do Líbano, numa aparente tentativa de conter ou restringir a presença do Hezbollah próximo à fronteira, citando as chamadas “preocupações de segurança” de Israel.

O site The Cradle informou recentemente que o plano envolve a tomada de cidades desde Naqoura até o distrito de Marjayoun, com o deslocamento forçado de residentes e o envio de 1.500 a 2.000 soldados norte-americanos para a zona.

A Arábia Saudita e o Catar endossaram o plano, concordando em investir financeiramente na reconstrução de áreas dentro da zona.

Quando impostas por uma potência estrangeira, Zonas Econômicas Especiais buscam facilitar incentivos fiscais e regulações econômicas flexíveis para encorajar o Investimento Estrangeiro Direto (IED) em áreas designadas. As iniciativas previstas para a zona coordenada por Washington incluem energia solar, eletricidade e polos tecnológicos, além do desenvolvimento de reservas de gás inexploradas.

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Sob o disfarce de “desenvolvimento”, essa tentativa descarada de imperialismo econômico e de ocupação militar de fato é apresentada como uma forma de fortalecer a economia do Líbano e garantir estabilidade no Sul. Na realidade, o esquema neoliberal visa ampliar a acumulação de capital dos EUA e dos investidores árabes por meio da exploração dos recursos e da população da região, ao mesmo tempo em que se aproveita da instabilidade econômica libanesa para impor submissão política.

Consequentemente, instaura-se uma dependência estrutural, entrelaçando a trajetória econômica do Líbano à disposição do país em seguir as exigências dos EUA e, por extensão, de Israel.

Conforme pretendido por Washington, isso cortaria completamente a rede do Hezbollah no sul do Líbano, representada não apenas pela sua presença militar, mas também por sua infraestrutura social, econômica e política — tornando efetivamente viáveis os planos de Israel de ocupar o Sul.

Em março deste ano, think tanks norte-americanos como o Washington Institute for Near East Policy delinearam planos notavelmente semelhantes para um Líbano “reimaginado”, sem Hezbollah e sob orientação dos EUA.

Hanin Ghaddar e Zohar Palti elaboraram uma análise política intitulada “Trump Should Aim for a ‘Riviera’ in Lebanon” (“Trump deveria mirar em uma ‘Riviera’ no Líbano”), apresentando um plano que Washington, a Europa e os Estados do Golfo poderiam seguir para enfraquecer o Hezbollah.

Das sete medidas listadas na análise, as que mais se assemelham à proposta atual incluem: coordenar a assistência financeira com a Arábia Saudita, o Catar e outros doadores, tornando a conformidade com reformas econômicas — neste caso, a Zona Econômica Trump — um pré-requisito para qualquer ajuda à reconstrução; e, uma vez aprovado o processo de reconstrução, implementar monitoramento rigoroso para garantir que o Hezbollah e seus parceiros locais não se beneficiem.

A proposta atual espelha essa abordagem ao restringir os esforços de reconstrução exclusivamente à zona econômica coordenada pelos EUA.

A efetivação da Zona Econômica Trump transferiria a ocupação do Sul de Israel para os EUA sob o pretexto de pacificação, apenas para depois devolvê-la ao regime israelense, garantindo-lhe total autonomia para avançar seus objetivos com o apoio de Washington.

O paradoxo está na retórica dos funcionários norte-americanos, que afirmam que tais planos visam fortalecer o Estado libanês e suas instituições, ao mesmo tempo em que limitam os chamados “atores não estatais”. No entanto, atrelam o crescimento econômico e a política doméstica do Líbano a pessoal, infraestrutura e recursos norte-americanos — como se os próprios EUA não fossem um ator externo.

A Zona Econômica Trump revela a urgência com que os EUA e Israel, seu posto avançado na Ásia Ocidental, pretendem desarmar o movimento de resistência libanês após terem fracassado em alcançar esse objetivo pela guerra e pelos massacres.

Ao mascarar a ocupação com a retórica do progresso, Washington e Tel Aviv expõem sua agenda de efetivar o desarmamento do Hezbollah por meio da pressão econômica, orquestrando o colapso eventual da soberania do Líbano.

* Escritora e pesquisadora baseada na Austrália. Artigo publicado na Press TV em 24/09/2025.

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