The Lancet: “israel” ceifou mais de 3 milhões de anos de vida palestina em Gaza

“Mais de 1 milhão de anos de vida de crianças foram perdidos”, destaca o estudo, que reconhece que as suas estimativas são conservadoras.

04/11/2025

Familiares choram sobre os corpos de duas crianças mortas em um ataque israelense no Hospital Nasser, em Khan Younis, em 29 de outubro. (Foto de Bashar Taleb/AFP via Getty Images)

Um estudo assinado pelos professores Sammy Zahrana e Ghassan Abu-Sittah, publicado no final da semana passada na revista científica The Lancet, estimou que mais de 3 milhões de anos de vida foram perdidos na Faixa de Gaza desde o início da ofensiva genocidária cometida por “israel”, em 7 de outubro de 2023.

A pesquisa dos professores da Universidade do Colorado e da Universidade Americana de Beirute, intitulada Over 3 million life-years lost in Gaza, utilizou dados oficiais do Ministério da Saúde Palestino e projeções demográficas da ONU para calcular o impacto humano das mortes diretamente causadas por ações militares.

Em 31 de julho, o ministério palestino divulgou uma lista com 60.199 nomes de pessoas mortas em Gaza, incluindo idade, sexo e número de identificação. Esses dados, segundo os autores, referem-se apenas a mortes “explicitamente ligadas a ações das forças israelenses”, não incluindo aquelas causadas indiretamente pelo colapso de hospitais, escassez de alimentos e água ou destruição de infraestrutura civil.

Os pesquisadores observam que análises anteriores já indicaram que os números do Ministério da Saúde “subestimam substancialmente a mortalidade por ferimentos traumáticos”, o que sugere que as estimativas de anos de vida perdidos são conservadoras. Atualmente, o número oficial de exterminados por “israel” beira os 70 mil. Além disso, a própria The Lancet já estimou que as vidas dizimadas pelo genocídio seriam quase cinco vezes mais do que os números oficiais apontam, girando neste momento em torno de 330 mil.

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Para o cálculo, os autores utilizaram tabelas de expectativa de vida elaboradas a partir dos dados de 2022 do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas e do Censo Internacional dos Estados Unidos. Naquele ano, a expectativa de vida ao nascer na Palestina era de 79,19 anos para mulheres e 74,30 anos para homens.

Com base nas idades e sexos das vítimas registradas, o estudo estimou um total de 3.082.363 anos de vida perdidos. Isso equivale a uma média de 51,2 anos de vida interrompidos por morte — com uma variação entre 49,2 e 53,3 anos.

Segundo os pesquisadores, do total estimado, 1.075.984 anos de vida perdidos correspondem a mulheres e 2.006.379 a homens. O estudo também aponta que mais de 1 milhão de anos de vida foram perdidos entre crianças menores de 15 anos.

A pesquisa destaca que a maioria dos anos de vida perdidos “ocorre entre civis, mesmo sob a definição ampliada de combatente, que inclui todos os homens e meninos em idade potencial de recrutamento (15 a 44 anos)”. “Mais de 1 milhão de anos de vida envolvendo crianças menores de 15 anos (…) foram perdidos”, completam os acadêmicos.

Estimativa de anos de vida perdidos por idade (Fonte: The Lancet)

O artigo lembra ainda que os dados do ministério já foram “examinados estatisticamente e validados externamente por outras agências de monitoramento”, e que, apesar das incertezas inerentes a registros de guerra, os resultados refletem apenas as mortes diretas atribuídas às operações israelenses.

Os autores utilizaram métodos de modelagem estatística baseados em distribuições de Poisson para calcular intervalos de confiança e medir a incerteza nos dados. No entanto, observam que o cálculo “não captura o sub-registro sistemático que tende a reduzir as estimativas finais de anos de vida perdidos”.

Publicado em uma das revistas médicas mais prestigiadas do mundo, o estudo de Zahrana e Abu-Sittah fornece uma quantificação inédita da dimensão humana do Holocausto Palestino, com base em dados populacionais e registros oficiais reconhecidos pelas Nações Unidas.

“israel” enfrenta um processo por genocídio no Tribunal Internacional de Justiça devido às suas ações em Gaza, e o Tribunal Penal Internacional emitiu, no ano passado, mandados de prisão contra o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant.

Um relatório publicado no mês passado pelo Quincy Institute for Responsible Statecraft e pelo Costs of War Project da Universidade Brown constatou que os governos estadunidenses de Joe Biden e Donald Trump forneceram pelo menos US$ 21,7 bilhões em ajuda militar a “israel” desde o início do genocídio.

Todo esse apoio viola as próprias leis estadunidenses. A legislação dos EUA proíbe o governo de fornecer assistência de segurança a unidades militares estrangeiras acusadas de violações de direitos humanos. O Washington Post publicou, na semana passada, um documento confidencial do Departamento de Estado detalhando “centenas” de supostas violações cometidas pelas forças israelenses em Gaza, cuja análise deverá levar “vários anos”.

Com o presidente Trump concorrendo ao Prêmio Nobel da Paz, os EUA ajudaram a negociar o atual cessar-fogo, que começou em 10 de outubro, após mais de dois anos de devastação de Gaza. O chefe do Gabinete de Imprensa do Governo em Gaza afirmou, na segunda-feira, que as forças israelenses cometeram pelo menos 194 violações do acordo.

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