“israel” sequestrou mais de 2.000 crianças palestinas desde 2023, diz relatório
Pelo menos 350 crianças palestinas enfrentam atualmente “condições severas” nas prisões de “israel”.
Menino palestino é sequestrado em frente à sua família na Cisjordânia ocupada. (Foto: Reprodução)
Em um relatório divulgado na quarta-feira, o grupo palestino de defesa dos direitos humanos afirmou que as autoridades israelenses continuam intensificando a perseguição às crianças palestinas. Pelo menos 350 crianças palestinas enfrentam atualmente “condições severas” nas prisões de “israel”.
Na terça-feira, as forças israelenses prenderam pelo menos seis crianças em Hebron, na Cisjordânia ocupada, informou o relatório.
A organização afirmou que não há informações claras sobre o número de crianças presas em Gaza, diante dos milhares de desaparecidos na Faixa de Gaza sitiada, entre eles crianças, e da política contínua de desaparecimento forçado.
O grupo afirmou que a política de “israel” de detenção sem acusação formal ou data de libertação constitui “uma violação e um crime adicionais, que deixam as crianças diante do desconhecido e as privam da estabilidade familiar e educacional”.
Casos de crianças palestinas na prisão
O relatório descreveu práticas israelenses que começam com “intimidação e prisão” e se estendem à “tortura, fome e negação de assistência médica”.
O grupo destacou o caso de Mohammed Hamid, de 15 anos, que contraiu escabiose, uma infestação contagiosa da pele, enquanto estava detido na prisão de Ofer, onde organizações de defesa dos direitos humanos documentam abusos há muito tempo. Ele sofreu infecções graves, passou por uma cirurgia cardíaca e foi internado em uma unidade de terapia intensiva em estado crítico. Posteriormente, teve uma das pernas amputada.
A organização também destacou o caso de Walid Ahmed, de 17 anos, que morreu em março de 2025, após seis meses na prisão de Megiddo. Em dezembro, um juiz israelense suspendeu a investigação sobre sua morte, afirmando que, embora houvesse evidências de fome, não havia sido estabelecida uma causa definitiva para o óbito.
Crianças americanas nas prisões de “israel”
Ahmed estava preso em Megiddo com seu amigo Mohammed Ibrahim, um adolescente da Flórida. Ibrahim foi libertado após meses de mobilização de organizações sediadas nos Estados Unidos e de apelos de parlamentares de alto escalão.
Mohammed Ibrahim não foi o único jovem americano mantido em uma prisão israelense sem acusação formal. Segundo relatos, as forças israelenses retiraram Abdalkareem Issa Ahmed Safi de sua casa na Cisjordânia durante uma operação noturna realizada em junho. Ele completou 18 anos enquanto estava detido e, posteriormente, as autoridades o transferiram de uma área de detenção juvenil para uma ala destinada a adultos na prisão de Ofer.
Da mesma forma, as forças israelenses prenderam, em julho, Adam Wajeh Abdelfattah Karakrah, de 16 anos, também americano. Embora sua libertação estivesse prevista para agosto, após sua família conseguir o pagamento de fiança, as autoridades israelenses reverteram abruptamente a decisão de soltá-lo.
A Sociedade dos Prisioneiros Palestinos pediu uma “ação internacional real” para garantir a libertação das crianças detidas arbitrariamente, assegurar a realização de investigações e pôr fim à tortura, à fome e à negação de tratamento médico nas prisões de “israel”.
As forças israelenses detiveram mais de 25.000 palestinos na Cisjordânia e milhares de outros em Gaza desde que a guerra genocida de “israel” começou, em outubro de 2023.
* Fepal, com Sociedade dos Prisioneiros Palestinos e Al Jazeera.
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