Apoio à Palestina nos EUA supera o de “israel”, que atinge mínimo histórico devido ao genocídio em Gaza

O respaldo a "israel" entre eleitores dos EUA chega ao nível mais baixo da história, com 41% agora simpatizando mais com os palestinos, revela pesquisa da Gallup.

27/02/2026

Bandeira palestina obscurece parcialmente a cúpula do Capitólio dos EUA durante um protesto em 28 de julho de 2025, em Washington [Foto: Kent Nishimura/Reuters]

O apoio a “israel” entre cidadãos dos Estados Unidos diminuiu dramaticamente, segundo uma nova pesquisa da Gallup, marcando uma mudança sem precedentes em décadas de apoio esmagador e incondicional ao regime sionista, independentemente de qual partido estivesse na Casa Branca ou tivesse controle do Congresso.

Em relatório publicado nesta sexta-feira (27), o instituto de pesquisa afirmou que 41% dos estadunidenses agora dizem simpatizar mais com os palestinos, enquanto 36% permanecem mais favoráveis aos israelenses. Em contraste, antes do 7 de outubro de 2023, 54% dos estadunidenses simpatizavam mais com “israel” e 31% com a Palestina.

As simpatias dos democratas não mudaram significativamente ao longo do último ano, já tendo se voltado fortemente para os palestinos em 2025, após começarem a inclinar-se nessa direção em 2023.

O portal Axios revelou esta semana que altos dirigentes democratas que trabalharam na ainda secreta “autópsia” do partido sobre a eleição presidencial de 2024 concluíram que Kamala Harris perdeu apoio significativo por causa de todo o apoio do governo Biden ao genocídio de “israel” em Gaza.

Assessores que compilaram a revisão interna do Comitê Nacional Democrata (DNC) realizaram uma reunião a portas fechadas com o IMEU Policy Project para discutir o impacto eleitoral do genocídio, segundo o site. Ativistas do grupo disseram aos dirigentes do DNC que a cumplicidade do governo Biden-Harris com “israel” durante sua invasão a Gaza afastou eleitores jovens e progressistas, drenando o entusiasmo em um momento crítico da campanha presidencial.

Usuários de redes sociais concordaram, observando que vêm dizendo isso desde que Harris perdeu a eleição de 2024 para Donald Trump. Hamid Bendaas, porta-voz do IMEU Policy Project, afirmou que, durante a reunião, “o DNC compartilhou conosco que seus próprios dados também concluíram que a política foi, nas palavras deles, um ‘saldo negativo’ na eleição de 2024”.

Atualmente, 65% dos democratas dizem que suas simpatias estão mais com os palestinos, enquanto 17% afirmam simpatizar mais com os israelenses.

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Impulsionando a mudança neste ano, afirma o relatório da Gallup, está o movimento substancial entre os independentes, que agora se juntaram aos democratas no apoio aos palestinos. Por 41% a 30%, os independentes dizem simpatizar mais com os palestinos do que com os israelenses, ao passo que em todos os anos anteriores eram mais simpáticos aos israelenses, inclusive por 42% a 34% no ano passado.

Sete em cada dez republicanos dizem simpatizar mais com os israelenses, enquanto 13% ficam com os palestinos. Ainda assim, o apoio republicano a “israel” caiu 10 pontos desde 2024 — um recorde — atingindo seu nível mais baixo desde 2004. O apoio à ditadura genocida tornou-se profundamente controverso dentro do Partido Republicano, inclusive abrindo uma divisão no movimento conservador de extrema-direita MAGA. Alguns de seus representantes, como o ex-apresentador da Fox News que se tornou popular podcaster Tucker Carlson, tornaram-se opositores do que eles mesmos afirmam ser uma influência excessiva do lobby sionista sobre a política dos EUA.

Outra descoberta giro em torno da diferença de idade. Pela primeira vez nas pesquisas da Gallup desde 2001, a maioria dos cidadãos dos EUA com idades entre 18 e 34 anos é mais simpática ao povo palestino. Enquanto isso, 23% dos jovens adultos dizem simpatizar mais com os israelenses, um mínimo histórico para a faixa etária. A simpatia por “israel” caiu de 45% no ano passado para 28%. Entre adultos com mais de 55 anos, 49% simpatizam mais com os israelenses e 31% com os palestinos — a primeira vez desde 2005 que menos da metade dos americanos mais velhos diz simpatizar mais com os israelenses.

A Gallup também mediu o sentimento nos EUA quanto ao estabelecimento de um Estado palestino. Não há mudanças significativas em comparação com anos recentes, já que 6 em cada 10 adultos apoiam a criação de um Estado palestino independente na Cisjordânia ocupada e em Gaza — um número praticamente constante desde 2020.

As mudanças de percepção seguiram conformo o genocídio contra o povo palestino se intensificou. “israel” matou mais de 72.000 pessoas em Gaza, a maioria delas mulheres e crianças, e reduziu quase todo o enclave a escombros.

O Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu mandados de prisão contra o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e o ministro da Defesa Yoav Gallant por crimes contra a humanidade e crimes de guerra; e levou a África do Sul a apresentar um caso de genocídio contra “israel” na Corte Internacional de Justiça (CIJ), ao qual vários outros países se juntaram.

Ainda assim, embora o apoio tenha caído mais rapidamente após a guerra, a tendência já vinha em declínio desde 2019 devido ao “efeito cumulativo de mudanças graduais nas atitudes dos EUA desde então”, afirma o relatório.

* FEPAL, com informações de Al Jazeera e Middle East Eye.

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