Ataques de “colonos” invasores e ladrões de terras atingem recorde histórico na Cisjordânia

Todos os assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental, e nas Colinas de Golã (sírias) são ilegais segundo o direito internacional e considerados crimes de guerra.

14/11/2025

Moradores palestinos da vila de Al-Mazra’a al-Sharqiya, a leste de Ramallah, colhem azeitonas em suas terras, em 27 de outubro de 2025. (Foto: Avishay Mohar/ActiveStills)

Por Tamara Nassar*

A violência de colonos judeus contra palestinos na Cisjordânia ocupada atingiu níveis recordes.

Outubro foi “o mês mais violento” desde que a UNRWA, a agência da ONU para refugiados palestinos, começou a documentar a violência de colonos em 2013.

O grupo de monitoramento da ONU OCHA também registrou o maior número de ataques de colonos em um único mês desde que começou a documentar incidentes em 2006, com mais de 260 ataques de colonos contra palestinos e suas propriedades.

Isso representa uma média de oito incidentes por dia.

A OCHA documentou cerca de 150 ataques relacionados à colheita perpetrados por colonos contra palestinos e suas propriedades na Cisjordânia ocupada durante a atual temporada. Isso se compara a 110 ataques no mesmo período do ano passado, e entre 30 e 46 ataques entre 2020 e 2023.

Mais de 140 palestinos ficaram feridos nesses ataques.

Colonos judeus extremistas causaram mais danos durante a colheita de azeitonas deste ano do que em qualquer outro ano desde 2020. Mais de 4.200 oliveiras e mudas também foram vandalizadas pelos colonos — mais que o dobro do número registrado no mesmo período do ano passado.

“O alcance geográfico dos ataques também aumentou significativamente”, informou a OCHA na semana passada.

Mais de 75 cidades e vilas foram alvo de ataques — cerca do dobro do número de comunidades afetadas em 2023 e o triplo das de 2020.

Os ataques de colonos durante a temporada de colheita incluíram agressões violentas contra agricultores, roubo de azeitonas e equipamentos de colheita, corte ou arrancamento de árvores, bloqueio de acesso à terra e queima de veículos pertencentes a moradores palestinos.

“A colheita anual de azeitonas é o principal meio de subsistência para dezenas de milhares de palestinos, com as oliveiras profundamente enraizadas na herança e identidade palestinas”, afirmou Roland Friedrich, chefe da UNRWA para a Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental.

Esses ataques “ameaçam o próprio modo de vida de muitos palestinos”.

A OCHA registrou quase 1.500 ataques de colonos contra palestinos desde o início do ano, a grande maioria envolvendo danos às propriedades palestinas.

Mais de 180 desses casos também envolveram vítimas palestinas.

Acesso à terra

Os colonos também restringiram severamente o acesso dos palestinos às suas terras, mesmo quando os agricultores tinham permissão explícita do exército israelense para fazê-lo.

Um exemplo de intimidação de colonos ocorreu na vila de Burin — localizada no distrito de Nablus, no norte da Cisjordânia ocupada.

Os agricultores palestinos haviam obtido “coordenação prévia” com as autoridades israelenses para acessar suas terras durante a colheita. Mas o chamado guarda do assentamento de Yitzhar — que abriga alguns dos colonos mais violentos da Cisjordânia — impediu os palestinos de colher, disparando tiros para o alto a fim de forçá-los a se retirar.

Cerca de 300 dunams — equivalentes a 74 acres — de olivais permaneceram sem colheita como resultado.

Este é o terceiro ano consecutivo em que certas vilas foram completamente impedidas de acessar seus olivais dentro de assentamentos israelenses.

Em alguns casos, os agricultores que tinham permissão para acessar suas terras receberam um prazo muito limitado para fazê-lo — como na vila de Ein Yabrud, perto de Ramallah, onde lhes foram concedidos apenas três dias. Quando foram atacados por colonos, não retornaram.

Novos postos avançados de colonos, em particular, têm prejudicado a capacidade dos agricultores de acessar suas terras, mesmo em Áreas A e B — as menores áreas da Cisjordânia ocupada sob controle nominal da Autoridade Palestina.

O que Israel chama de “postos avançados” geralmente é construído sem sequer a permissão de Israel e é considerado ilegal sob a própria lei israelense.

Em dezembro de 2024, dois grupos israelenses que monitoram a atividade dos colonos relataram que os postos de pastoreio já compreendiam 14% da Cisjordânia — mais de 194 mil acres de terra.

“Em menos de três anos, 70% de toda a terra tomada pelos colonos até hoje foi capturada sob o disfarce de atividades de pastoreio”, relataram Peace Now e Kerem Navot.

Os colonos iniciam suas ocupações forçando a retirada de pastores e agricultores palestinos de suas terras e estabelecendo postos de pastoreio.

Em seguida, começam a assediar, intimidar e atacar comunidades palestinas, deixando-as sem alternativa a não ser fugir, explicam os grupos. Depois disso, os colonos se apropriam das terras e instalam novos postos, que inicialmente consistem em alguns trailers ou estruturas simples, geralmente sem ligação à rede de água, esgoto ou eletricidade.

O atual governo israelense tem trabalhado para agilizar o processo de reconhecimento desses postos como assentamentos.

Todos os assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental, e nas Colinas de Golã (sírias) são ilegais segundo o direito internacional e considerados crimes de guerra.

Na semana passada, o conselho de planejamento da Administração Civil deveria discutir planos para 1.973 novas unidades habitacionais de colonos a serem construídas na Cisjordânia ocupada. Desde novembro passado, esse “Conselho Superior de Planejamento” tem realizado reuniões semanais com o objetivo de avançar projetos habitacionais de assentamentos.

“Desde o início de 2025, incluindo os planos previstos para aprovação nesta semana, o conselho já avançou um total de 28.183 unidades habitacionais”, informou a Peace Now na semana passada.

Trata-se de um “recorde histórico”.

No início deste mês, o Ministério da Habitação de Israel publicou planos de implementação para a construção de um novo bairro em um assentamento ao sudeste de Ramallah — sede da Autoridade Palestina na Cisjordânia ocupada.

O assentamento Geva Binyamin adicionaria 342 unidades habitacionais, além de 14 novas casas unifamiliares destinadas especialmente a soldados da reserva do exército israelense.

Isso se soma às licitações emitidas em agosto pelo governo israelense para mais de 4.000 unidades nos mega-assentamentos de Maaleh Adumim, próximo a Jerusalém, e Ariel.

Desde o início do ano, Israel publicou licitações para quase 5.700 unidades habitacionais em assentamentos — descritas pela Peace Now como “um recorde histórico” e aproximadamente 50% a mais que o último pico, registrado em 2018.

Esses planos podem trazer cerca de 25 mil novos colonos para viver em colônias exclusivas para judeus na Cisjordânia.

Deportações

Israel deportou dezenas de ativistas estrangeiros que tentaram oferecer apoio ou proteção a agricultores palestinos na Cisjordânia ocupada durante a temporada de colheita.

Rudy Schulkind, um ativista britânico de 30 anos, foi um dos deportados.

“Todos os agricultores com quem conversamos foram incrivelmente generosos, amigáveis e gratos pelo apoio dos voluntários internacionais”, disse ele ao The Electronic Intifada.

Mas sua estadia na Cisjordânia foi interrompida.

“Eu só colhi azeitonas por um dia inteiro, e no segundo dia fui detido e deportado”, contou ao The Electronic Intifada.

Nesse segundo dia, Schulkind afirmou que colonos israelenses armados com metralhadoras pesadas “tentaram, verbal e fisicamente, interromper o trabalho que estávamos fazendo, para nos impedir de colher as azeitonas”.

Schulkind disse que, quando o exército israelense chegou, ficou claro que “não tinha interesse em conter os colonos, e que estavam ali, essencialmente, para apoiar os colonos em impedir que os agricultores palestinos tivessem acesso aos seus direitos sobre a terra”.

Ao chegarem a outro local, os voluntários foram detidos e informados pelo exército israelense de que a área havia sido declarada uma suposta “zona militar”.

Schulkind contou que ele e vários outros ativistas foram detidos em um ônibus e levados a uma delegacia, onde foram interrogados individualmente sob diferentes acusações, incluindo acusações de terrorismo.

As forças israelenses mantiveram Schulkind detido por cerca de três dias antes de deportá-lo de volta à Inglaterra em 19 de outubro.

“Nunca nos foi dada a oportunidade de falar com nossas famílias”, disse ele ao The Electronic Intifada.

Schulkind acrescentou que lhe foi permitido apenas um breve telefonema com um advogado antes do interrogatório, mas nunca foi levado diante de um juiz antes de ser deportado.

* Editor assistente do portal The Electronic Intifada. Artigo publicado em 10/11/2025.

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