Campanha internacional exige fim do comércio com assentamentos ilegais de “israel”
Os organizadores apontam que importações provenientes de assentamentos, concessão de serviços financeiros e investimentos externos tornam os Estados cúmplices da privação do direito à autodeterminação do povo palestino, de deslocamentos forçados e da apropriação territorial pela força
Palestinos são expulsos e obrigados a viver em barracões para que os colonos invasores se instalem em casas construídas pelo regime israelense
Uma aliança formada por mais de 80 organizações da sociedade civil lançou, nesta segunda-feira (15), a campanha “Stop Trade with Settlements” (#stopsettlements), que pede a proibição de toda atividade comercial com os assentamentos israelenses ilegais nos Territórios Palestinos Ocupados. O movimento, respaldado por um novo relatório, denuncia a cumplicidade de grandes empresas e instituições financeiras internacionais na expansão da invasão sionista.
O documento, elaborado por organizações de direitos humanos, humanitárias e religiosas, mostra como o comércio internacional sustenta a expansão da colonização israelense, agravando a crise humanitária e violando o direito internacional.
Segundo a introdução, a União Europeia (UE) e seus Estados membros figuram como os principais parceiros comerciais de “israel”, normalizando atividades econômicas derivadas da ocupação, apesar da ilegalidade reconhecida internacionalmente. O relatório aponta que importações provenientes de assentamentos, concessão de serviços financeiros e investimentos externos tornam os Estados cúmplices da privação do direito à autodeterminação do povo palestino, de deslocamentos forçados e da apropriação territorial pela força.
O empresário palestino da área de exportação de produtos agrícolas Ziad Anabtawi, que participou do lançamento da campanha, denuncia a situação dos produtores palestinos que têm as suas terras ocupadas, impedidos de fazer a colheita, barrados pelos checkpoints e com suas oliveiras roubadas. Mas o que os palestinos conseguem plantar e colher não é aceito no mercado internacional, o que constitui mais um efeito da discriminação que eles sofrem. “Atualmente, produtos dos assentamentos econômicos ilegais enchem as prateleiras dos supermercados pelo mundo, apresentados como se fossem mercadorias normais. Ao mesmo tempo, a comercialização dos produtos palestinos é sufocada por restrições, demoras e tarifas. Isso não é comércio, é um campo de batalha desigual”, afirma.
A Corte Internacional de Justiça (CIJ), em parecer consultivo de 19 de julho de 2024, determinou que nenhum Estado deve reconhecer ou apoiar a situação ilegal da ocupação israelense, impondo a obrigação de se abster de relações econômicas que a sustentem. No entanto, governos europeus, Canadá e Reino Unido continuam a manter laços comerciais, apesar de oficialmente reconhecerem a ilegalidade dos assentamentos. Em junho de 2025, a relatora especial da ONU, Francesca Albanese, qualificou a estrutura econômica dos assentamentos como uma transição “da economia da ocupação à economia do genocídio”, destacando o papel de setores como armamentos, tecnologia, construção e finanças.
“O desafio para nós é aproveitar este momento e garantir que faremos o trabalho correto no sentido de conseguir banir legalmente o comércio com os assentamentos ilegais, em conformidade com a determinação da CIJ”, declara a senadora irlandesa Frances Black.
Os dados mostram que a expansão dos assentamentos atingiu níveis recordes. Só em 2023, “israel” aprovou a construção de 30.682 moradias na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, um aumento de 180% em cinco anos. Em 2025, o regime autorizou a criação de 22 novos assentamentos e retomou o plano “E1”, que ameaça dividir permanentemente o território palestino. Hoje, mais de 700 mil invasores chamados de “colonos” vivem em áreas ocupadas, que já representam 42% da Cisjordânia.
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O impacto econômico sobre a Palestina é devastador: estimativas da ONU calculam perdas equivalentes a 25,3% do PIB da Cisjordânia, acumulando US$ 50 bilhões entre 2000 e 2020. O Banco Mundial avalia que, caso as restrições fossem eliminadas, o território poderia gerar US$ 3,4 bilhões adicionais anuais e aumentar o emprego em até 35%. Além disso, a população palestina é forçada a consumir produtos mais baratos subsidiados por “israel” nos assentamentos, criando um “mercado cativo” e reforçando a dependência econômica. A pobreza na Cisjordânia saltou de 12% para 28% em dois anos, e o desemprego chega a 35%. Muitas palestinas empregadas em colônias recebem menos de US$ 20 por dia, sem contrato ou direitos básicos.
O relatório dedica uma seção à cumplicidade empresarial. Empresas estrangeiras de turismo, como TUI e eDreams ODIGEO, são acusadas de oferecer hospedagem em assentamentos como Ma’ale Adumim. Companhias de transporte, como a dinamarquesa Maersk, facilitam exportações de empresas envolvidas na exploração de recursos naturais palestinos. Também são citados bancos internacionais, como HSBC e BNP Paribas, por manter vínculos financeiros com instituições israelenses diretamente ligadas à expansão dos assentamentos .
As recomendações do relatório são contundentes: Estados devem adotar leis que proíbam explicitamente qualquer comércio ou investimento relacionado a assentamentos, inspirando-se em medidas como a “Lei dos Territórios Ocupados” da Irlanda. Já as empresas e instituições financeiras devem reforçar a devida diligência em direitos humanos, interromper vínculos comerciais que sustentem a invasão colonial e reparar danos causados .
Para os autores, o comércio com assentamentos não é apenas uma questão legal e moral, mas parte de uma estrutura que viabiliza crimes de apartheid, deslocamento forçado e até genocídio. O relatório conclui que romper esses laços comerciais é passo essencial para proteger os direitos do povo palestino e deter a expansão da ocupação israelense.
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