Com detenções e deportações, Egito obriga o cancelamento da Marcha Global para Gaza
"Nos últimos dias, centenas de organizadores e participantes, incluindo membros do nosso comitê de coordenação internacional, enfrentaram detenções e deportações, muitas vezes sem permissão para se comunicar com equipes jurídicas ou entes queridos", diz organização da Marcha
Caravana de solidariedade que iria da África do Norte para o Cairo, mas foi detido ainda na Líbia. (Foto: @MontassarSinkez)
A Marcha Global para Gaza, uma das maiores mobilizações internacionalistas da história, que levaria 10.000 pessoas do mundo todo até a fronteira entre o Egito e a Faixa de Gaza no último final do semana, foi cancelada devido à onda de repressão desencadeada pelas forças policiais egípcias.
Os ativistas humanitários, militantes de movimentos sociais e membros de organizações não-governamentais de todos cantos do globo deveriam ter chegado na última quinta-feira (12) ao Cairo para se juntar aos 7.000 ativistas provenientes de nações da África do Norte e, da capital egípcia, percorrer quase 50 km até o cruzamento fronteiriço de Rafah, onde chegariam ontem (15) e lá acampariam, exigindo a abertura da fronteira para o envio de ajuda humanitária.
Mas nada disso aconteceu. Já no meio da semana passada os participantes que chagavam ao Cairo denunciavam que muitos estavam sendo buscados pelas autoridades locais e alguns foram detidos e deportados logo na chegada. Às delegações foi proibido se reunir e as notícias sobre a repressão obrigaram os que ainda não haviam chegado a abortarem a viagem. De fato, a esmagadora maioria dos participantes sequer chegou a pisar em solo egípcio.
Inscreva-se em nosso canal no Youtube!
Como noticiado pelo portal da Fepal, um grupo de brasileiros viajou para a Marcha. Eles chegaram ao Cairo, mas não puderam fazer nenhuma publicação nas redes sociais ou mesmo enviar qualquer tipo de informação para fora do Egito porque a polícia local já estava à procura de todos os ativistas estrangeiros que chegaram para a Marcha. As autoridades egípcias continuam realizando buscas e apreensões nos hotéis e aeroportos, apesar do cancelamento forçado da Marcha.
Reproduzimos abaixo o comunicado dos organizadores da Marcha Global para Gaza, esclarecendo pormenorizadamente a situação:
Marcha Global para Gaza cresce em todo o mundo após repressão das autoridades egípcias – Liderança anuncia novas ações
A Marcha Global para Gaza reuniu-se no Cairo com um objetivo comum: aproximar-se pacificamente do porto de Rafah e pedir o fim do cerco ilegal a Gaza, que só piorou nos últimos 90 dias. Estamos aqui para protestar contra o genocídio em curso e desafiar a ocupação contínua da Palestina. Enquanto isso, a ajuda essencial permanece retida na fronteira, com suprimentos vitais se deteriorando enquanto civis esperam em desespero.
Após meses de coordenação, mobilização global e tentativas de diálogo com os canais governamentais apropriados, a resposta das autoridades egípcias deixou claro que a Marcha Global para Gaza não pode prosseguir com segurança como planejado neste momento, embora uma decisão oficial do governo ainda esteja pendente. Nos últimos dias, centenas de organizadores e participantes, incluindo membros do nosso comitê de coordenação internacional, enfrentaram detenções e deportações, muitas vezes sem permissão para se comunicar com equipes jurídicas ou entes queridos. Operamos inteiramente dentro dos limites da lei egípcia, coordenando-nos estreitamente com as embaixadas e aderindo aos protocolos locais. Neste momento, nosso foco está em proteger a segurança e o bem-estar dos participantes que permanecem no Egito.
Apesar deste revés, nossa determinação continua mais forte do que nunca. Chegamos ao Egito como uma coalizão pacífica de mais de 4.000 indivíduos de mais de 80 países, unidos no apelo pelo fim do genocídio em Gaza e pela abertura de um corredor humanitário sustentável através de Rafah. Após mais de 20 meses de bombardeios quase contínuos, a crise humanitária em Gaza atingiu níveis catastróficos. Desde 2 de março de 2025, apenas uma quantidade mínima de ajuda humanitária ou bens comerciais tem sido permitida em Gaza, exacerbando a fome e o sofrimento.
“Todos os esforços para impedir este genocídio devem ser explorados, incluindo aqueles que podem parecer excepcionalmente desafiadores”, disse Saif Abukeshek, copresidente do comitê de coordenação.
“Dado que o governo egípcio declarou que ações pacíficas podem ser permitidas, nós não vimos esta marcha como impossível, apenas difícil e, portanto, vale a pena tentar. Não queremos olhar para trás daqui a décadas e nos perguntar se realmente fizemos tudo o que podíamos pelo povo palestino.”
A determinação e a solidariedade demonstradas têm sido simplesmente incríveis. Como Melanie Schweizer, coorganizadora e advogada alemã, enfatizou:
“Estas são pessoas que se recusaram a ficar paradas enquanto o direito internacional é continuamente violado e um genocídio é cometido contra o povo palestino”, disse Schweizer. “Elas escolheram agir, pacificamente e dentro da lei, para defender os princípios que o mundo afirma defender.”
“As ações tomadas tanto pelos organizadores da marcha quanto pelas autoridades egípcias colocaram as embaixadas globais diante do imperativo político e moral que seus cidadãos veem no fim do genocídio palestino.”
A reunião no Egito é uma parte da nossa história. A Marcha Global para Gaza desencadeou mais de 50 ações coordenadas em todo o mundo, do México ao Chipre, e mobilizou milhões de pessoas em todo o mundo em apoio à Palestina. Também continuamos profundamente inspirados pelos nossos parceiros da Freedom Flotilla e da Sumud Convoy, cujos esforços corajosos continuam a lembrar ao mundo que a nossa defesa é inabalável.
Não estamos mais planejando novas ações no Egito, mas agora estamos organizando ativamente os próximos passos para a ação, tanto coletivamente quanto por meio de nossas delegações nacionais e regionais. Embora a marcha não tenha se desenrolado como inicialmente planejado, o espírito, a unidade e a determinação desta rede global nos inspiram a seguir em frente. Buscaremos incansavelmente todas as vias para acabar com as atrocidades na Palestina e promover a vida, a dignidade e a autodeterminação do povo palestino.
A Marcha Global para Gaza não acabou. Ela apenas começou.
Porta-vozes:
Melanie Johanna Schweizer: +4917629098315
Saif Abukeshe: +34632170238
Karen Moynihan: globalmarchtogazapress@gmail.com
Site: http://marchtogaza.net
Redes sociais: @globalmarchtogaza
Notícias em destaque
Massacre: soldados israelenses mataram trabalhadores humanitários em Gaza à queima-roupa
Por Sharif Abdel Kouddous* Soldados israelenses dispararam quase mil tiros [...]
LER MATÉRIAEpstein ajudou “israel” a manipular Acordos de Oslo através do governo norueguês, indicam revelações
Por Synne Furnes Bjerkestrand* A Noruega sempre se elogiou por seu papel na [...]
LER MATÉRIA‘De volta do inferno’: entidade de monitoramento da imprensa expõe tortura de jornalistas palestinos por “israel”
Por Elis Gjevori* Jornalistas palestinos detidos por Israel descreveram [...]
LER MATÉRIAEpstein ajudou “israel” a exportar para a África tecnologia usada em Gaza
Por Murtaza Hussain e Ryan Grim* No ano anterior à morte suspeita de [...]
LER MATÉRIAGoverno israelense instalou e manteve sistema de segurança em apartamento de Epstein
Por Ryan Grim e Murtaza Hussain* O governo israelense instalou equipamentos [...]
LER MATÉRIA“israel” se prepara para executar prisioneiros palestinos por enforcamento
Por Monjed Jadou* Dezenas de prisioneiros palestinos morreram em prisões [...]
LER MATÉRIA