Conselho Universitário da Unicamp aprova moção pela suspensão das relações do Brasil com “israel”
Documento foi aprovado por 43 votos, com duas abstenções e nenhum voto contrário
Reunião do Conselho Universitário da Unicamp na terça-feira, 5 de agosto. (Foto: Unicamp)
Na terça-feira passada (05), o Conselho Universitário da Universidade de Campinas (Unicamp), instância máxima de deliberação da instituição, aprovou uma moção inédita em universidades brasileiras, pedindo o fim do genocídio promovido por “israel” contra o povo palestino de Gaza e a suspensão das relações comerciais e militares do Brasil com a entidade sionista.
Na reunião do Conselho, a presidente da Associação dos Docentes da Unicamp, professora Silvia Gatti, leu uma nota elaborada pelo Comitê Unicamp em defesa do povo palestino e por docentes, que denuncia as atrocidades israelenses e pede que o Conselho Universitário se manifeste em defesa da suspensão das relações do Brasil com “israel”.
A moção do Conselho foi aprovada por 43 votos, com duas abstenções e nenhum voto contrário. Ela repudia os “atos de violência perpetrados pelo Estado de Israel contra populações civis na Palestina e, em particular, na Faixa de Gaza”.
“A moção foi um avanço importante no sentido de reforçar e aprofundar uma moção anterior, que repudiou a limpeza étnica em Gaza”, diz o professor André Kaysel, do Departamento de Ciência Política do IFCH/Unicamp e integrante do Conselho. Ele se refere à manifestação de setembro do ano passado, em que o Conselho Universitário condenava “as brutais atrocidades na Faixa de Gaza”.
Ainda segundo Kaysel, o mais recente posicionamento do corpo deliberativo da Unicamp indica a necessidade de encerrar as parcerias acadêmicas com instituições israelenses, por ser “israel” uma entidade abertamente genocida. “Mas, para que a Unicamp tome uma decisão como essa, vai depender [da pressão] de setores da comunidade universitária”, completa.
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O professor aposentado Caio Toledo, do Comitê Unicamp em defesa do povo palestino, comemora o posicionamento do Conselho Universitário e incentiva os professores e acadêmicos de todo o país a seguirem o exemplo da Unicamp. “A decisão é inédita nos meios acadêmicos brasileiros e é um exemplo que agora pode ser seguido por outros Conselhos Universitários do país”, diz.
A Unicamp tem um convênio sigiloso, firmado em agosto de 2023, com o Instituto de Tecnologia de Israel (Technion), que funciona como um braço acadêmico da máquina de guerra e genocídio israelense. O instituto tem parcerias de longa data com as principais empresas militares israelenses, como a Elbit Systems e a Rafael Advanced Defense Systems. Ele fornece um fundo de auxílio a estudantes que servem no genocídio em Gaza, além de isenções de alguel e extensões acadêmicas. O Technion atua no desenvolvimento de tecnologias como detecção de túneis da resistência palestina, robótica, inteligência artificial e sistemas subterrâneos de comando.
No ano passado, a Associação dos Docentes da Unicamp defendeu o cancelamento do convênio, mas, em votação acirrada, o Conselho Universitário decidiu mantê-lo.
Pouco antes, em março de 2023, a Unicamp tentou realizar a “Feira das universidades israelenses”. O evento teve uma repercussão extremamente negativa dentro da própria comunidade acadêmica, que o tachou de “Feira do Apartheid”. O Technion e outros braços acadêmicos da máquina genocida israelense, como as universidades de Tel Aviv, Hebraica e Bar Ilan, haviam sido convidados. Porém, a feira não teve sucesso, após protestos de setores da comunidade no campus da Unicamp e a denúncia da Fepal a partir de uma carta enviada à instituição.
Leia a moção aprovada na última reunião do Conselho Universitário da Unicamp, em 5 de agosto:
“Moção pelo fim do genocídio em Gaza e em defesa da suspensão das relações comerciais e militares do Estado brasileiro com o Estado agressor de Israel”
“O grupo Unicamp em Movimento vem a público solicitar que o Conselho Universitário (Consu) da Unicamp reafirme nessa data, quase um ano depois da Moção aprovada por unanimidade, em sessão de 24/09/2024, a manifestação de repúdio aos atos de violência perpetrados pelo Estado de Israel contra populações civis na Palestina e, em particular, na Faixa de Gaza.
Na mesma direção das iniciativas da Rede Universitária de Solidariedade ao Povo Palestino e da manifestação da Congregação da Faculdade de Educação da Unicamp, aprovada em junho último, acreditamos que é o momento de o Brasil suspender as relações comerciais e militares com o Estado de Israel.
Nesse sentido, o grupo Unicamp em Movimento solicita ao Consu da Unicamp que se junte a outras instituições acadêmicas e a movimentos sociais nacionais e internacionais nessa demanda ao Estado brasileiro, alinhando-se às decisões de organismos internacionais e de muitos outros governos nacionais que lutam todos os dias pelo fim do genocídio e pela garantia da autodeterminação do povo palestino”.
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