Documentário “Israel Paralelo – A Farsa Revelada” desmascara as distorções da propaganda sionista

Produção de mais de 6h de duração é dividida em 12 episódios e narra a história da Palestina, do povo judeu e da opressão imposta pelas potências ocidentais na região - que tem na propaganda da extrema-direita uma de suas armas de dominação

31/03/2025

Documentário estreou no domingo (30), no canal da História Islâmica no Youtube

Estreou nesse domingo (30) a série documental “Israel Paralelo – A Farsa Revelada”, uma produção do canal História Islâmica dedicada a refutar, de forma detalhada, a peça de propaganda “From the River to the Sea – a guerra em Israel”, lançado em outubro de 2024 pela produtora de extrema-direita Brasil Paralelo.

O documentário, dirigido por Mansour Peixoto, destrincha como a Brasil Paralelo simplifica a história do conflito israelo-palestino, nega o genocídio contra o povo palestino e mente sobre a própria formação histórica dos povos judeus e palestino.

Por um lado, o material propagandístico da Brasil Paralelo diz apresentar os dois lados, ao mesmo tempo em que distorce o ponto de vista palestino, nega e defende o genocídio mesmo depois de tantas e volumosas provas, apresentadas até mesmo pela ONU, que demonstram que “israel” comete uma barbárie jamais vista na história moderna.

“Que tipo de pessoas são essas?”, pergunta-se Peixoto, ao questionar a narrativa deturpada e enviesada da Brasil Paralelo. Já o presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal), Ualid Rabah, afirma no documentário: “não são lados iguais, com a mesma potência, a mesma violência e as mesmas eventuais razões equiparáveis.” “Não há como equiparar”, completa.

A imitação fracassada de documentário fabricada pela produtora de extrema-direita, cujo financiamento é obscuro, polariza, distorce e reduz o conflito no Oriente Médio a uma mera “guerra cultural” entre duas visões de mundo antagônicas: o Ocidente “judaico-cristão democrático” contra o Oriente islâmico radical. Assim, segundo os propagandistas da extrema-direita fascista, o Brasil deveria assumir um lado nesse “choque de civilizações” (nas palavras do intelectual do establishment estadunidense Samuel Huntington), pois pertence ao “Ocidente”.

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Por outro lado, “Israel Paralelo – A Farsa Revelada” refuta a tese central dos propagandistas do genocídio. Peixoto lembra do apoio dos Estados Unidos (o regime símbolo desse “Ocidente judaico-cristão democrático”) a grupos islâmicos radicais, quase criados por eles, em contraposição a governos seculares e ocidentalizantes, como no Afeganistão da década de 1980 – ou, mais recentemente, na Síria.

Para desmistificar a “narrativa ficcional da Brasil Paralelo”, o documentário de 12 episódios resgata os primórdios da história do Oriente Médio, recordando a caracterização ancestral de Israel como povo e da Palestina como localização geográfica já muito antes do nascimento de Cristo. Esse fato refuta a mentira disseminada pela peça da Brasil Paralelo, de que os romanos teriam inventado o nome Palestina no século II D.C. para apagar a estadia do povo judeu daquele local, decisão que teria sido, na narrativa fantasiosa, motivada pelo ódio aos judeus.

De fato, nas palavras de um dos entrevistados do documentário da História Islâmica, o rabino Dovid Yisroel, o Estado judeu “é uma farsa” do ponto de vista religioso, pois, de acordo com a crença judaica, Deus proibiu os judeus de constituírem um Estado, pois o judaísmo não é uma nacionalidade, não é algo material. O sionismo, portanto, é a antítese do judaísmo. “Não existe etnia ou cultura judaica”, afirma à produção um dos mais respeitados intelectuais judeus, Yitzhak Shapiro.

Isso porque os judeus sempre viveram, em geral, de forma harmoniosa nas nações árabes e muçulmanas, que até mesmo os acolheram das perseguições na Europa. “A diferença religiosa nunca foi um impedimento à coexistência”, completa Yisroel.

Contra toda a tradição religiosa judaica e a história das civilizações naquela região, o sionismo se apresenta como uma paródia de nacionalismo. Em uma época de transição das lutas nacionais na Europa para a expansão imperialista, no final do século XIX, o sionismo significou a encarnação do colonialismo imperialista para a dominação da Palestina e do Oriente Médio. “O sionismo é filhote do colonialismo”, diz o escritor judeu brasileiro Nathaniel Braia, no documentário.

O austríaco Theodor Herzl, fundador do sionismo, nunca escondeu sua intenção de expulsar os árabes da Palestina para que os sionistas europeus pudessem ocupá-la. O sionismo, assim, ao contrário do que alguns, principalmente na esquerda da época, propagavam, nunca foi um movimento de libertação nacional do povo judeu. A luta dos palestinos, sim, especialmente a partir da colonização britânica dos antigos territórios do Império Otomano.

Prova do caráter reacionário do sionismo foi a aliança entre os seus líderes e o nazismo alemão para possibilitar a limpeza étnica de judeus na Europa e impedir que eles fugissem para a América, para redirecioná-los à Palestina. “Os sionistas não ajudaram os judeus na Segunda Guerra Mundial, a menos que seu destino fosse a Palestina”, diz Shapiro. “Se o destino fosse outro lugar, os sionistas desencorajavam e, às vezes, até mesmo sabotavam os esforços de resgate dos judeus.”

Segundo Braia, a ideologia sionista só conquistou a maioria da opinião pública judaica após a Segunda Guerra, devido ao holocausto promovido pelos nazistas e facilitado pelos líderes sionistas. Com o patrocínio do Império Britânico em decadência, os sionistas conseguiram que a ONU criasse um Estado para si dentro da Palestina. Em 1947, sendo minoria histórica na Palestina, os judeus possuíam apenas 7% das terras, mas receberam 55% do país. Milícias fascistas sionistas se anteciparam à colonização da ONU e iniciaram, eles mesmos, a limpeza étnica dos palestinos. Foi quando ocorreu a Nakba (a expulsão de mais de 700 mil palestinos de sua terra). Desde 1947, mais de 6 milhões de palestinos vivem refugiados em outros países, proibidos por “israel” de retornarem.

“Israel Paralelo – A Farsa Revelada” dedica dois terços da série à ocupação da Palestina pelo “estado” de “israel”, narrando episódios da Nakba, as guerras de libertação árabe e palestina contra essa ocupação (garantida, desde então, pelo poder financeiro e militar dos EUA, a grande e única superpotência mundial pós-II Guerra), o surgimento das organizações populares palestinas, a opressão do “estado” de “israel” desde então e os processos diplomáticos por uma solução pacífica (sempre sabotados por “israel”), concluindo na fase atual do genocídio histórico do povo palestino em Gaza. Esta recebe um tratamento especial nos últimos episódios da série, destacando o fundamentalismo de extrema-direita do atual governo de Benjamin Netanyahu, suas relações com o imperialismo ocidental, os massacres em Gaza, os crimes de guerra e contra a humanidade de “israel” contra os palestinos de Gaza e contra seus próprios cidadãos – exemplo maior, a aplicação da Diretiva Hannibal do exército “israelense” no 7 de Outubro.

A obra ainda desmascara a pretensa autoridade intelectual dos entrevistados pelo “documentário” da Brasil Paralelo, entre eles agentes da inteligência “israelense”, membros da extrema-direita religiosa e um palestino que se vendeu ao Mossad para propagar fake news contra o seu próprio povo. De fato, as fontes consultadas por “From the River to the Sea – a guerra em Israel” têm um único objetivo: servir de base autorizada para a disseminação de mentiras e discurso de ódio contra os palestinos, árabes e muçulmanos.

“O discurso colonial é de que a culpa [pela guerra e pela colonização] é do povo vítima do imperialismo, da colonização, da colonização e do apartheid”, declara Ualid Rabah ao documentário da História Islâmica. E é o discurso colonial a linha editorial da Brasil Paralelo, a fim de justificar a matança, o genocídio e a expulsão do povo palestino, de todos os árabes e muçulmanos para dominar o Oriente Médio, região geograficamente estratégica para as potências ocidentais e repleta de riquezas naturais para alimentar as suas companhias multinacionais.

“Foram muitos meses de produção que finalmente geraram seu fruto”, descreve o canal História Islâmica. Ao contrário das peças propagandísticas da Brasil Paralelo, a produção da HI foi financiada de maneira colaborativa por cidadãos comuns, o que, sem isso, impediria a sua criação. O trabalho da equipe de HI envolveu uma ampla e volumosa pesquisa, curadoria, arrecadação para cobrir os custos, entrevistas, viagens para a gravação de vídeos, animação e edição do material coletado, o que desencadeou em mais de 6 horas de material, dividido em 12 episódios.

Serviço

“Israel Paralelo – A Farsa Revelada”

Produção: História Islâmica

Apresentação a narração: Mansour Peixoto

Duração: 6h9min28s (divididas em 12 episódios)

Ano: 2025

País: Brasil

Onde assistir: canal da História Islâmica no Youtube

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