Ex-chanceler do Paraguai deixa pedido para ser sepultado envolto na bandeira da Palestina
Héctor Ricardo Lacognata Zaragoza, diplomata paraguaio que comandou seu Ministério de Relações Exteriores de abril de 2009 a março de 2011, sob a presidência de Fernando Lugo (agosto de 2008 a junho de 2012), faleceu no último dia 27, em La Paz, capital da Bolívia, onde exercia função diplomática na Embaixada do Paraguai. Seu corpo foi encontrado no apartamento em que vivia na capital boliviana.
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Médico de profissão, com especialização em pediatria, Héctor Lacognata, como era mais conhecido, sofria de um câncer e faleceu aos 60 anos. A causa da morte ainda não foi oficialmente determinada.
Além de médico e diplomata, Héctor Lacognata foi deputado pelo Partido Pátria Querida (PPQ) e foi representante parlamentar paraguaio no Parlamento do Mercosul.
Nascido em Assunção, estudante do Colegio Cristo Rey, iniciou sua carreira política como militante sindical no Centro de Estudantes de Medicina no ano de 1985.
Em 2001 é nomeado chefe de campanha do Partido Encontro Nacional. Dois anos mais tarde assume o mesmo cargo no novo Partido Pátria Querida e é eleito deputado por esta agrupação, cargo que exerceu até o ano de 2008, quando integrou as Comissões parlamentares de Educação e Saúde no Congresso paraguaio. Foi também secretário-geral da Sociedade Paraguaio-Cubana José Martí.
Em 2008 foi eleito para o PARLASUL, o Parlamento do MERCOSUL, no qual integrou as comissões de Cidadania e Direitos Humanos e a Especial de Diagnóstico e Estado de Situação do bloco, que reúne, além do Paraguai, Brasil, Argentina e Uruguai.
Reconhecimento da Palestina
Sua solidariedade à Palestina o acompanhou por toda a vida pública, mas foi como diplomata e chanceler que suas opiniões sobre o tema se tornaram públicas e tiveram impacto na vida política paraguaia.
O Paraguai reconheceu o estado da Palestina em 28 de janeiro de 2011, quando era o chanceler. O Paraguaia era, então, um dos poucos países do continente que ainda não reconheciam a Palestina como estado soberano. “As negociações bilaterais diretas entre Israel e a Autoridade Palestina, atualmente paralisadas, são fundamentais para alcançar a paz e a segurança”, disse a chancelaria, em nota, à época.
Mais tarde, no início de maio de 2018, ao apagar das luzes de seu governo, o empresário Horacio Manuel Cartes Jara (2013/2018) prometeu transferir a embaixada paraguaia em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, em desafio ao consenso da Comunidade Internacional e clara afronta ao Direito Internacional e às resoluções da ONU, que declaram a cidade ilegalmente ocupada pelas forças israelenses.
O ex-chanceler não poupou críticas à decisão, acusando o presidente em fim de mandato de “falta de jeito e irresponsabilidade”. Héctor Lacognata disse, à época, que o atendimento às pressões israelenses “nos isola do mundo e resultará na deterioração de nossas relações com o mundo árabe, minando o processo de paz que vem sendo levado a cabo naquela região há várias décadas”.
O ex-ministro disse que “Horacio Cartes resolveu se alinhar com Israel e os EUA, desconsiderando a soberania que nosso país deveria ter em matéria de política externa”.
Sua visão contrária à hegemonia dos EUA, bem como da submissão do Paraguai a seus interesses e aos de Israel, lhe custou caro. Durante a presidência de Cartes, o ex-chanceler foi isolado da diplomacia paraguaia, somente retornando a funções diplomáticas com o governo de Mario Abdo Benítez, eleito em 2018 e em vias de encerrar o mandato.
Segundo a família de Héctor Lacognata, ele deixou, por escrito, um pedido inusitado, mas que bem ilustra seu compromisso histórico com a luta do povo palestino: ser sepultado envolto na bandeira da Palestina. A bandeira palestina foi cedida à família pela Embaixada do Estado da Palestina na Bolívia.
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