Exército de “israel” está explodindo e demolindo todas as escolas de Gaza

“Quando você precisa desmontar um lugar, é para que os árabes não voltem. E de repente você pensa ‘Bem, já destruí aquele prédio, então não há mais nada a fazer ali’”, disse o sargento da Brigada Givati. “A missão é derrubar tudo. É simplesmente destruir tudo o que estiver ali. Para que não sobre nada.”

21/06/2025

"Rovait TZABAR está aqui para se vingar". Foto publicada por um soldado do batalhão Tzabar, Instagram, 23 de julho de 2024. Obtida por Younis Tirawi.

Por Sami Vanderlip e Younis Tirawi*

 

“Você só precisa destruir o bairro, para que eles não possam voltar para lá. Por que destruir? Essa é a missão; é isso que eu cumpro.”

Essas são as palavras de um sargento israelense do 432º Batalhão Tzabar da Brigada Givati, que falou ao Drop Site News sob condição de anonimato devido à política militar israelense. A Givati foi uma das brigadas envolvidas na implementação do Plano do General — uma política elaborada pelo ex-general Giora Eiland que usava a falta de acesso à água, comida e medicamentos como arma de guerra para forçar os palestinos sitiados no norte de Gaza a morrer de fome ou se render.

Durante a execução do Plano do General, de outubro de 2024 a janeiro de 2025, centenas de milhares de palestinos foram deslocados à força de suas casas no norte de Gaza — muitos sendo forçados a se abrigar de forma precária em diversos locais, incluindo escolas. A Brigada Givati, na qual esse sargento serve, foi uma das primeiras unidades do exército israelense a entrar em Gaza no início de seu ataque genocida. Ao longo dos últimos vinte meses, participaram da eliminação efetiva das cidades de Beit Lahia, Beit Hanoun, Jabaliya e Rafah do mapa.

Hallel Biton Rosen, correspondente militar israelense, passou a usar um termo para se referir às operações militares significativas da Brigada Givati: noites púrpuras. Púrpura é uma referência à cor das boinas da Brigada Givati.

A Brigada Givati destruiu vastas áreas de bairros em Gaza ao longo da ofensiva israelense, e durante o Plano do General, em particular, destruiu diversas estruturas onde palestinos deslocados à força estavam se abrigando. O Drop Site identificou três escolas específicas que foram incendiadas por tropas israelenses do 432º Batalhão em outubro de 2024 — com fotos compartilhadas nas redes sociais dos soldados.

O exército israelense não alegou ter encontrado qualquer coisa relacionada ao Hamas ou suas atividades militantes em nenhum dos casos que investigamos. O gabinete de imprensa não respondeu às perguntas específicas do Drop Site, mas, após a publicação, afirmou que o exército israelense “não tem, e nunca teve, uma política militar voltada à destruição sistemática de infraestrutura civil” — apesar de múltiplos relatórios da ONU e de outras organizações internacionais dizerem o contrário.

Muitas das escolas de Gaza foram convertidas em abrigos para deslocados e campos de refugiados. No início de maio, o Education Cluster — uma organização co-liderada pela UNICEF e Save the Children — publicou sua última análise sobre os danos causados pelo exército israelense ao sistema educacional de Gaza desde o início da guerra. Constatou-se que 100% dos prédios escolares no governadorado do norte de Gaza foram atingidos diretamente ou danificados.

À medida que o ataque israelense se intensificava no norte de Gaza, a partir de outubro de 2024, as escolas também não foram poupadas. Segundo a análise do Education Cluster, no último trimestre de 2024, 11 das 18 escolas atingidas diretamente estavam localizadas no norte de Gaza.

Até 7 de maio de 2025, 95% das escolas na Faixa de Gaza sofreram algum tipo de dano, sendo que 62% dos prédios escolares usados como abrigos para deslocados internos foram “atingidos diretamente”. Em abril, o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários estimou que pelo menos 88% dos prédios escolares (501 de um total de 564) na Faixa de Gaza precisarão de reconstrução total ou grandes reparos.

Uma investigação do jornal israelense Haaretz, em novembro de 2024, examinou uma série de ataques a escolas realizados pelo exército israelense em Gaza. A investigação citou 18 incidentes, destacando os ataques às escolas Abu Hussein, Hafasa e Al-Fawaka em Jabaliya, às escolas Khalifa bin Zayid e Mahdia al-Shawa em Beit Lahia, e à escola Asma no campo de refugiados de Shati.

Em resposta à investigação do Haaretz, o exército israelense afirmou que todos os incidentes “estão sendo analisados pelo Mecanismo FFA, que investiga operações incomuns para estudá-las e tirar lições, avaliá-las de forma factual, e examinar se há qualquer suspeita de violação de ordens ou da lei. Quando a análise for concluída, os resultados serão enviados ao promotor militar.” O gabinete de imprensa militar não respondeu às perguntas do Drop Site sobre atualizações dessas investigações.

Jameel al-Masri, um palestino de 63 anos que foi usado como escudo humano pela Brigada Givati por um período de três meses — e que foi entrevistado pelo Drop Site — também confirmou a destruição deliberada de escolas pelo exército israelense. “Precisamos esvaziar todas as escolas”, os soldados disseram a al-Masri. Ele foi ordenado a ir até a escola, alinhar os civis deslocados e retirá-los. A entrevista completa com al-Masri está disponível aqui.

Quando questionado sobre por que haviam recebido ordens para destruir edifícios, o sargento que falou ao Drop Site disse: “Sou apenas o soldado raso, mano. Essa é a missão, é isso que eu cumpro. Mas se você está pedindo minha opinião pessoal, realmente não sei o que te dizer, é simplesmente a missão, mano. Se você me perguntar, esses são prédios de gazenses que — digamos que há um local onde achamos que há terroristas e tal”, disse ele. “É um local, é um local que você não precisa mais. E tem um lugar que você precisa arrasar, então você simplesmente arrasa.” Isso valia tanto para escolas quanto para muitos outros tipos de edifícios.

“Prédios quebrados e destruídos”, ele disse, são “muito provavelmente lugares onde os terroristas vão se esconder e tal. Terroristas se escondem em eixos e disparam mísseis antitanque contra você, ou disparam um tiro e voltam de onde vieram, entendeu? … Então nós, sabe, destruímos o máximo possível, para que não reste nada, para que eles não tenham onde se esconder e você não possa encontrá-los.”

“É uma ordem — destruir o bairro para que os árabes não possam voltar.”

Escola Preparatória para Meninas de Beit Lahia “A”

Por volta das 9h da manhã do dia 20 de outubro de 2024, um quadricóptero israelense se aproximou da Escola Preparatória para Meninas de Beit Lahia, próxima à fronteira norte de Gaza. Neveen Mohammed al-Dawawsah, uma paramédica de 21 anos e moradora de Beit Lahia, era uma das centenas de pessoas abrigadas ali. Pelo alto-falante do drone, uma voz ordenou: “Todos aqui, saiam. Vocês estão em uma zona de combate. As FDI os alertam”, contou Neveen em depoimento dado naquele dia.

“Caos e medo tomaram conta da escola”, Neveen disse ao Centro Palestino de Direitos Humanos. Famílias que usavam a escola como abrigo correram para juntar seus pertences. Dez minutos depois, a primeira explosão atingiu o local.

Neveen ainda estava dentro de uma sala de aula, se preparando para fugir. “Corri, assustada, para o pátio, e vi todas as pessoas ali sendo alvo de projéteis, enquanto pedras e destroços enchiam o lugar”, relatou. “Dezenas de corpos estavam espalhados pelo pátio, em meio aos gritos de socorro dos feridos; a maioria deles com membros amputados.”

Neveen pegou seu celular e começou a filmar. O “crime hediondo tirou a vida de dez pessoas e feriu mais quarenta”, disse ela. “Consegui prestar socorro a alguns, mas não podia fazer tudo sozinha, ainda mais sem qualquer suprimento médico além do kit de primeiros socorros que eu tinha.”

Imagens feitas por uma enfermeira forçada a se deslocar mostram as consequências do massacre israelense na escola, com inúmeros corpos ensanguentados espalhados pelo chão.

Antes de 7 de outubro de 2023, a Escola Preparatória para Meninas de Beit Lahia atendia cerca de 3.000 alunas e contava com 100 professoras. A escola, administrada pela Agência da ONU de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), ganhou manchetes internacionais em fevereiro de 2023 quando um hospital de Londres foi obrigado a remover uma exposição de desenhos feitos por alunas da escola, após uma queixa apresentada por advogados britânicos a favor de Israel (“UK Lawyers for Israel”) “em nome de alguns pacientes judeus, que disseram se sentir vulneráveis e vitimados pela exposição.”

Depois, como muitas outras escolas no norte de Gaza, ela se transformou em lar para centenas de famílias deslocadas à força. As condições no interior eram insuportáveis: 30 ou 40 famílias amontoadas em cada sala de aula que, no máximo, poderia acomodar três famílias — no total, 400 famílias deslocadas. A água era extremamente escassa, o que levou à ausência completa de padrões mínimos de cuidado com a saúde: cada pessoa podia receber apenas meio litro por dia, até que o exército israelense bombardeou o poço principal da escola no início de outubro de 2024.

O ataque coincidiu com o início da campanha mais sangrenta de Israel no norte de Gaza. Em meio a ataques constantes por toda a região norte, o exército israelense emitiu novas ordens de deslocamento pelas redes sociais, forçando os residentes a fugir para o sul, como parte do chamado “Plano dos Generais”, que tinha como objetivo despovoar a região acima do chamado corredor de Netzarim.

Neveen deixou a escola a pé, com centenas de outras pessoas, caminhando rumo ao sul, em direção à Cidade de Gaza. Em seguida, soldados israelenses do 432º Batalhão Tzabar da Brigada Givati entraram na escola e a incendiaram.

Duas semanas depois, um soldado israelense chamado Itay Pavlov, socorrista de combate do 432º Batalhão Tzabar da Brigada Givati, publicou fotos do incidente no Instagram. Ele e um companheiro de farda aparecem posando, com expressão séria, em frente à Escola para Meninas de Beit Lahia em chamas ao fundo.

Escola para meninas de Beit Lahia em chamas. Obtido por Younis Tirawi.

Escolas Femininas de Ensino Médio Hamad Bin Khalifa e Kuwait

Em meados de outubro de 2024, o exército israelense intensificou seus ataques às casas de palestinos no campo de refugiados de Jabaliya. Esses ataques incluíram faixas de fogo direcionadas aos moradores, bem como bombas lançadas sobre residências, que continuaram durante toda a noite.

Os palestinos deslocados que buscaram refúgio em escolas também não foram poupados. A escola da ONU Abu Husein e as clínicas Hafwa e Al-Fakhoura, administradas pela UNRWA, foram alvo, deixando inúmeros mortos e dezenas de feridos.

No dia 19 de outubro de 2024, após cercar a área, o exército israelense ordenou que os palestinos saíssem. As forças militares divulgaram imagens mostrando tanques cercando os prédios e os moradores restantes sendo reunidos e forçados a abandonar o local.

As escolas femininas de ensino médio Hamad Bin Khalifa e Kuwait, em Jabaliya, tornaram-se abrigos para pessoas deslocadas internamente, próximas ao Hospital Indonésio. Segundo o Education Cluster, antes de 7 de outubro, a escola Hamad Bin Khalifa tinha cerca de 998 alunas e aproximadamente 42 professoras, enquanto a escola Kuwait atendia cerca de 991 alunas e contava com 40 professoras.

Depois que os palestinos deslocados que usavam as escolas como abrigo foram removidos à força da área, soldados israelenses do 432º Batalhão Tzabar assumiram o controle do local e atearam fogo às escolas.

Fotos postadas por soldados do 432º Batalhão Tzabar no Instagram mostram a escola Hamad Bin Khalifa em chamas.

Escola Mista de Ensino Fundamental Aleppo B
(Também conhecida como Escola da ONU Halab Coeducacional A e B)

Em outubro de 2024, o Batalhão Tzabar incendiou outra escola na mesma área. Essa escola — a Escola Aleppo — havia sido palco de um massacre meses antes. Em dezembro de 2023, forças israelenses executaram vários membros da família Abu Salah do lado de fora da escola Aleppo, enquanto empunhavam uma bandeira branca. O bombardeio em torno da escola foi intenso, matando e ferindo muitas das pessoas que estavam abrigadas ali.

O incidente, no qual sete membros da família foram mortos por atiradores de elite, foi investigado pelo New York Times em setembro de 2024. No dia 6 de dezembro de 2023, um menino da família Abu Salah saiu da escola Hamad Bin Khalifa. Ele foi verificar o que havia restado após a passagem de tratores israelenses. Um franco-atirador israelense o atingiu no coração. Familiares ouviram o tiro e encontraram o corpo. O pai, a mãe e quatro outras crianças carregaram o corpo em uma maca e seguiram em direção ao cemitério, levantando uma bandeira branca. Após o enterro, começaram a voltar para a escola Hamad Bin Khalifa, onde estavam abrigados. Enquanto caminhavam, ainda com a bandeira branca, um atirador israelense os matou todos do lado de fora da escola Aleppo.

No dia seguinte, o exército israelense começou a expulsar as pessoas da área. A filha, que não acompanhou a família até o cemitério, encontrou os corpos dos seis parentes na estrada. O exército israelense não permitiu que ela nem outros parentes se aproximassem. Algumas semanas depois, o exército se retirou da área. Moradores que vasculhavam os montes de terra restantes encontraram os restos mortais da família; os tratores israelenses os haviam enterrado junto com lixo.

Meses após a execução da família Abu Salah, soldados israelenses do 432º Batalhão Tzabar retomaram o controle da escola Aleppo e a incendiaram em outubro de 2024. O soldado israelense Gal Stamker postou uma foto da escola em chamas no Instagram em 21 de outubro de 2024:

Escola de Aleppo em chamas. Publicado por Gal Stamker, 21 de outubro de 2024. Obtido por Younis Tirawi.

Tendo atuado em todas as áreas de Gaza desde o início da ofensiva, o sargento explicou que destruir bairros era uma decisão política direta para garantir que Gaza permanecesse inabitável mesmo após um eventual cessar-fogo.

“Quando você precisa desmontar um lugar, é para que os árabes não voltem. E de repente você pensa ‘Bem, já destruí aquele prédio, então não há mais nada a fazer ali’”, disse o sargento da Brigada Givati. “A missão é derrubar tudo. É simplesmente destruir tudo o que estiver ali. Para que não sobre nada.”

Imagens de satélite tiradas sobre as áreas das escolas também mostram os danos. Em 14 de outubro de 2024, as escolas ainda estavam sendo usadas como abrigos, com tendas visíveis. No entanto, em imagens de satélite tiradas em 24 de outubro de 2024, as tendas dos palestinos deslocados já não estavam mais lá.

14 de outubro de 2024. Imagem © Planet Labs PBC. Anotações por Drop Site.

24 de outubro de 2024. Imagem © Planet Labs PBC. Anotações por Drop Site.

Após incendiar diversas escolas e destruir grande parte da área, Ori Narkis, um soldado do 432º Batalhão Tzabar, postou uma foto em seu story do Instagram em 1º de novembro, posando em frente ao bairro destruído de Jabaliya com um emoji verde sinalizando “finalizado”.

Postado em 1º de novembro de 2024. Obtido por Younis Tirawi.

Destruição Contínua

À medida que 2024 chegava ao fim, a destruição de Gaza pelo 432º Batalhão Tzabar continuava em ritmo acelerado. Soldados seguiram postando vídeos de si mesmos atirando e detonando prédios em Jabaliya em suas redes sociais. “A mulher constrói e o fuzileiro destrói”, dizia a legenda de um vídeo mostrando um prédio de vários andares já destruído sendo alvejado até desabar completamente. “Shabat Shalom Jabaliya”, dizia outra legenda no mesmo vídeo.

“Acorda Jabaliya!!!” vídeo postado em 13 de dezembro de 2024. Obtido por Younis Tirawi.

Vídeo marcado em Jabaliya com a legenda “Boa semana.” Obtido por Younis Tirawi

“Cuidado aqui, construtores”, diz a legenda de Jabaliya. Postado em 20 de dezembro de 2024. Obtido por Younis Tirawi.

A limpeza étnica e o genocídio dos palestinos continuam sendo, como sempre, o objetivo claro do governo israelense em Gaza. “Os gazenses que evacuarmos não voltarão. Eles não estarão lá; nós controlaremos lá. Não há outro objetivo. Qualquer outro objetivo é uma farsa”, acrescentou Netanyahu.

Enquanto isso, o ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, ecoou o sentimento de Netanyahu quanto à destruição de Gaza durante uma recente coletiva de imprensa: “Estamos aniquilando tudo o que resta na Faixa,” declarou, “simplesmente porque é uma grande cidade do terror.” Smotrich vangloriou-se da impunidade absoluta que Israel ainda desfruta ao intensificar seu genocídio em Gaza: “Estamos desmontando Gaza, deixando-a em ruínas com uma destruição sem precedentes, e o mundo ainda não nos deteve.”

* Reportagem publicada no Drop Site News em 06/06/2025.

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