Fepal participa da organização da 11ª Cúpula de Juventude do BRICS, em Brasília
A Cúpula termina hoje, com a assinatura de um memorando de entendimento entre os países integrantes do bloco e os seus parceiros, estabelecendo uma plataforma de cooperação para fortalecer e financiar políticas de juventude, com foco em inclusão, inovação, intercâmbio, desenvolvimento sustentável e diálogo multilateral.
Maynara Nafe, durante o Grupo temático de Ciência, Tecnologia e Inovação. (Isabela Castilho | BRICS Brasil)
Começou ontem em Brasília a 11ª Cúpula de Juventude do BRICS, evento que reúne delegações de jovens de diversos países do Sul Global. O evento também faz parte das atividades preparatórias para a cúpula dos chefes de Estado a ser realizada no início de julho no Rio de Janeiro.
A Cúpula termina hoje, com a assinatura de um memorando de entendimento entre os países integrantes do bloco e os seus parceiros, estabelecendo uma plataforma de cooperação para fortalecer e financiar políticas de juventude, com foco em inclusão, inovação, intercâmbio, desenvolvimento sustentável e diálogo multilateral.
Uma das organizadoras do evento é Maynara Nafe, secretária de Relações Institucionais da Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal) e diretora de Políticas Educacionais da União Nacional dos Estudantes (UNE). Em entrevista ao site da Fepal, ela faz uma avaliação da Cúpula, que entra nesta manhã em seu dia de encerramento, e destaca a mobilização das juventudes globais pela Causa Palestina.
O BRICS é formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Irã, Etiópia, Egito, Emirados Árabes Unidos, Indonésia e Arábia Saudita. São países oficialmente parceiros: Cuba, Bolívia, Belarus, Cazaquistão, Malásia, Tailândia, Nigéria, Uganda e Uzbequistão, formando o BRICS+.
O que é a Cúpula de Juventude do BRICS?
É um evento que ocorre anualmente para reunir a juventude dos países que compõem o bloco a fim de discutir e compartilhar boas experiências. É uma iniciativa do bloco para que se dê mais centralidade às iniciativas da juventude. E também por um entendimento clássico de que a juventude é um catalisador dos processos políticos e históricos, e geralmente as propostas mais revolucionárias – digamos assim – vêm da juventude e, portanto, os países do sul global que cooperam dentro dos BRICS compreendem essa importância. Portanto, parte daí a necessidade e a ideia de realizar anualmente a Cúpula de Juventude do BRICS.
O que está sendo debatido desta vez?
Os eixos centrais de comunicação giram em torno de meio ambiente e sustentabilidade, também de desigualdade e do combate à fome, além do incentivo à ciência e à tecnologia e, por fim, da inovação e educação. Esses são os quatro eixos principais e esses quatro eixos seguem um debate que já foi realizado previamente em 2024.
A gente vem seguindo as diretrizes das reuniões que estão acontecendo entre os países BRICS aqui no Brasil. Nós tivemos aqui em Brasília o BRICS+ e na semana passada nós tivemos o encontro dos reitores das universidades dos países BRICS no Rio de Janeiro. Então, basicamente utilizamos como referência esses outros encontros para definir esses temas que estão sendo discutidos aqui.
Você está na organização da Cúpula como diretora de Políticas Educacionais da União Nacional dos Estudantes (UNE). Em que você está trabalhando nesta Cúpula, qual a sua função?
Bom, eu não estou aqui apenas pela UNE, estou também pela UNE. Um delegado da sociedade civil representa muito mais do que uma entidade. A entidade, por si só, não envia os representantes. Mas todas essas atuações que no geral constroem a persona do delegado definem o seu papel durante a cúpula.
No meu caso pessoal, creio que a experiência que mais enriquece esse meu processo aqui é a experiência com o desenvolvimento de políticas públicas para a juventude diaspórica palestina. Essa ação da Fepal é central. Nós temos uma comunidade muito numerosa e por isso essa presença dentro da Cúpula de Juventude do BRICS é muito importante, para que possamos dialogar com outros países e, quem sabe, apresentarmos, ao final desse processo, uma nota oficial que mencione a importância de acabar com o genocídio que ocorre atualmente na Palestina.
Em que medida os trabalhos desta Cúpula e a ação da juventude do BRICS se relaciona com a solidariedade ao povo palestino?
Nós acreditamos que os países do Sul Global são hoje os catalisadores dos processos de quebra da hegemonia do poder estadunidense e europeu. Os BRICS são atores muito importantes para catalisar mudanças significativas nessa balança de poder que mantém e valida hoje as ações de “israel”.
O que deverá sair dessa Cúpula? Quais serão os próximos passos e as tarefas da juventude do BRICS no sentido da integração dos nossos povos e da solidariedade internacional?
Nós tivemos discursos muito interessantes sobre a solidariedade. Durante a abertura, os representantes de Cuba mostraram que trazem intrínseca em sua formação essa solidariedade aos povos por sofrerem um processo injusto de sanções econômicas por parte do poder hegemônico atual (que, porém, vem perdendo essa hegemonia), que são os Estados Unidos. Essa solidariedade aos povos também se traduz em mudanças do cenário global.
Isso é muito interessante de discutirmos nesse contexto, porque o principal ponto de encontro dessa solidariedade global é com o povo palestino e com a situação que vem ocorrendo neste momento. Não é que não haja outros conflitos no mundo, mas nós temos dentro da guerra contra Gaza e da guerra contra o povo palestino uma característica muito especial que é esse apoio incondicional dos Estados Unidos e também uma característica muito sádica, porque “israel” passa a se destacar de várias formas como um dos principais cometedores de crimes de guerra hoje e um dos principais desestabilizadores da balança política atual.
Eu acredito que a carta final desse encontro contará com vários consensos – até porque os debates estão sendo muito pacíficos entre as delegações – sobre meio ambiente, sustentabilidade, compartilhamento de tecnologia entre os países do bloco e, principalmente, solidariedade aos povos e reequilíbrio da balança internacional.
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