“israel” está coagindo famílias em Gaza a participarem do extermínio: “coopere ou seja morto”
A escolha imposta aos civis de Gaza pelos soldados israelenses: ou colaborar com o sequestro e execução de seus familiares e vizinhos, ou enfrentar massacres, fome e deslocamento forçado
Soldados israelenses estão obrigando palestinos a ajudarem no extermínio de seus próprios irmãos em Gaza. (Foto: AFP)
O Euro-Med Human Rights Monitor documentou uma perigosa política de extorsão por parte dos batalhões de extermínio israelenses contra famílias da Faixa de Gaza, apresentando-lhes uma escolha catastrófica e sem saída: ou colaborar com o sequestro e execução de seus familiares e vizinhos, ou enfrentar massacres, fome e deslocamento forçado.
O que começou como extorsão individual escalou para uma prática sistemática e coletiva, destinada a desmantelar o tecido social palestino, forçando pessoas a trair suas comunidades e subordinando os sobreviventes a condições de sobrevivência que destroem a identidade e a resiliência comunitárias.
A pressão deixou de visar indivíduos isolados e passou a configurar uma extorsão coletiva organizada, que coloca famílias inteiras, diz a organização, como protagonistas na tentativa coordenada de eliminar a sociedade palestina ou reduzi-la à submissão sob o controle da ocupação. A crueldade está em que os palestinos seriam forçados a matar seus próprios irmãos, se não serão mortos.
O Euro-Med Monitor diz ter recebido testemunhos chocantes de famílias que foram forçadas a escolher entre permanecer sob cerco e bombardeio, sem abrigo, alimentos ou medicamentos, e o deslocamento forçado para condições desconhecidas, sem necessidades básicas de vida, tudo isso sob ameaças explícitas de morte caso recusassem as ordens israelenses. “Esses testemunhos revelam uma política deliberada de quebrar a vontade civil, usando o medo e a destruição como instrumentos de subjugação”, diz a entidade.
Outros testemunhos indicam que algumas famílias palestinas foram diretamente pressionadas a fornecer cooperação em segurança às forças israelenses em troca da permissão para permanecer em determinadas áreas ou receber assistência básica. “Essa prática transforma o socorro humanitário, que é um direito incondicional, em instrumento de extorsão e controle, colocando a vida de civis em mesas de barganha coercitiva e privando-os de proteções fundamentais”, afirma ainda a organização, em comunicado.
O Euro-Med Monitor documentou um massacre realizado pelo exército israelense no final de semana passado contra a família Bakr, no campo de Al-Shati, a oeste da Cidade de Gaza, que matou nove membros da família, incluindo mulheres e crianças.
Isso ocorreu um dia depois de a família ter recusado uma exigência israelense para permanecer em seu local, sob a condição de que seus membros formassem e servissem em uma gangue local criada pelo exército invasor, semelhante à gangue Abu Shabab, estabelecida a leste de Rafah. A equipe de campo do Euro-Med Monitor relatou que as forças israelenses começaram a formar grupos semelhantes em várias outras áreas de Gaza, incluindo o sul de Khan Younis, o leste de Shuja’iyya e Beit Lahia, no norte.
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Motasem Bakr, residente da Cidade de Gaza, descreveu como o mukhtar (chefe da família) recebeu a oferta de segurança em troca do serviço de seus filhos em uma gangue. Ele recusou e instruiu sua família a partir; preferiram dormir nas ruas a ter seu nome registrado na história familiar como aqueles que trilharam o caminho da traição.
O Euro-Med Monitor também recebeu relatos de que as famílias Dairi e Daghmash enfrentaram propostas semelhantes. “Após a recusa, o exército israelense intensificou as detonações de veículos armadilhados na área de Sabra e depois realizou ataques em larga escala que atingiram blocos residenciais, incluindo as moradias da família Daghmash, resultando em mais de sessenta mortos nessa família, muitos ainda sob os escombros no momento da publicação”, denuncia.
Anteriormente, “israel” praticava tal pressão de forma individual, entrando em contato com alguns mukhtars e oferecendo-lhes papéis na distribuição de ajuda e na coordenação com suas forças; muitos mukhtars e líderes comunitários que rejeitaram essas propostas foram depois diretamente alvo de ataques.
As conclusões do Euro-Med Monitor indicam que a extorsão israelense evoluiu para uma coerção coletiva organizada, pela qual o ocupante busca formar gangues sob seu controle para executar tarefas ilícitas, incluindo espalhar o caos e o roubo, explorando a profunda fragilidade social causada por anos de política genocida. Essas práticas enquadram-se claramente nas proibições do Estatuto de Roma, em particular o Artigo 8(2)(a)(5), que proíbe obrigar civis ou prisioneiros a servir em forças hostis ou a participar de operações em favor dessas forças. “Tentativas de formar gangues locais mediante ameaças de assassinato, deslocamento ou negação de ajuda essencial constituem uma violação clara dessa disposição e configuram crime de guerra”, denuncia o Euro-Med.
A entidade reitera que a proteção é incondicional e não pode ser condicionada à cooperação. A recusa das famílias em se submeter a barganhas coercitivas não retira seu direito à proteção, nem justifica qualquer ataque, deslocamento ou fome. Forçar civis à escolha “coopere ou seja morto” é um mecanismo de extorsão voltado à subjugação e à destruição sistemática da capacidade de sobrevivência da comunidade palestina, afirma.
Dado o padrão e o contexto desses atos no quadro da agressão mais ampla de “israel” contra Gaza, o Monitor os considera parte de uma estratégia voltada a desmantelar a sociedade palestina — um grave indício de intenção genocida por meio da destruição progressiva e do enfraquecimento da capacidade coletiva de sobrevivência.
O Euro-Med Monitor ainda conclama a Assembleia Geral da ONU a adotar urgentemente uma resolução para estabelecer e enviar uma força de proteção à Faixa de Gaza, “a fim de interromper crimes contra civis, garantir o acesso e a distribuição humanitária sem impedimentos, proteger instalações médicas e de ajuda, pôr fim ao bloqueio e iniciar a reconstrução”. E conclui: “ativar esse caminho é um dever legal e moral da comunidade internacional para proteger os civis em Gaza.”
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