“Israel não representa o povo judeu”: Congresso Antissionista Judaico denuncia ocupação da Palestina

Entre os lemas entoados pelos participantes do congresso estavam “Nunca mais para todos" e “sionismo não é judaísmo”

09/07/2025

Evento reuniu centenas de ativistas judeus antissionistas do mundo todo.

Foi realizado entre os dias 13 e 15 de junho, em Viena, o I Congresso Antissionista Judaico, reunindo cerca de 500 delegados judeus antissionistas do mundo todo. Também participaram personalidades conhecidas, como o artista Roger Waters, a relatora da ONU Francesca Albanese, o historiador israelense Ilan Pappe e a deputada do Parlamento Europeu Rima Hassan.

Muitos dos participantes do congresso já foram processados ou ao menos acusados de serem antissemitas, embora sejam judeus. Todos coincidiram em que o sionismo não tem nada a ver com a cultura e a religião judaicas e é uma ideologia racista e terrorista.

Alguns dos delegados eram sobreviventes ou filhos de sobreviventes do holocausto eurojudeu da II Guerra Mundial. “Como sobrevivente do holocausto e dos bombardeios mais mortais da Europa durante a Segunda Guerra Mundial, fico horrorizada ao ver o que Israel está fazendo, usando métodos de assassinato e destruição em áreas cada vez mais amplas do Oriente Médio. E me horroriza a semelhança com o objetivo da Alemanha de torná-la Judenfrei (livre de judeus), que se aplica à guerra de Netanyahu contra os palestinos. Nenhuma organização terrorista pode causar tanto dano a Israel quanto o próprio Israel está causando a si mesmo com sua brutalidade grotesca de bombardeios e de fome contra os habitantes de Gaza — especialmente contra as crianças de Gaza, que estão sendo assassinadas e levadas à inanição”, desabafou Marione Ingram, de 88 anos.

“O objetivo de Israel é livrar Gaza e a Cisjordânia dos palestinos, e esse horror é totalmente sustentado por bombas e mísseis dos Estados Unidos. Estejam os judeus em apoio à brutalidade sem precedentes ou em oposição ativa a ela, todos os judeus, em qualquer lugar, carregarão um fardo pesado pela culpa de associação. A guerra de Netanyahu contra os palestinos — a terrível destruição da vida e de todas as instituições culturais — é, em si, um Holocausto”, completou.

Susan Berliner-Weiss, uma judia francesa que também sobreviveu à barbárie hitlerista, enviou uma mensagem em vídeo à conferência: “o sionismo distorce o judaísmo para fazê-lo significar o mesmo que sionismo. Mas os judeus de hoje podem resgatar o nosso judaísmo e demonstrar, com ações, nossa rejeição ao horror que faz os palestinos pagarem pelos crimes dos nazistas alemães. Hoje, olho para a barbárie indescritível de Israel contra os palestinos resilientes e estremeço diante desse crime imperdoável cometido em nome do povo judeu.”

“Como judeus antissionistas”, continuou, “estamos determinados a continuar lutando com tenacidade para romper a repressão que silencia a voz palestina. Os palestinos precisam ser ouvidos, precisam viver. Eles têm direito à sua terra, à sua vida e à sua liberdade. A liberdade palestina é também a nossa liberdade e a liberdade da humanidade.”

Houve também denúncias da perseguição histórica executada pelo “estado” de “israel” contra os judeus originários da Palestina, como explicaram o marroquino Reuven Abergel e a tunisiana Camille Lévy Sarfati. Segundo Abergel, logo após a fabricação do “estado” de “israel”, os judeus palestinos foram divididos e 50 mil crianças foram sequestradas pelas novas autoridades, enviadas para serem criadas por famílias europeias transportadas para as áreas que até então pertenciam aos palestinos muçulmanos. Essa história foi apagada pela narrativa oficial do sionismo transformado em entidade estatal. “Benjamin Netanyahu queimou esses arquivos por ao menos outros 70 anos”, disse ele.

Por sua vez, Ilan Pappe e a pesquisadora Ghada Karmi argumentaram que a solução de dois Estados não compreende os interesses dos judeus palestinos, nem do povo palestino como um todo. Para eles, essa pretensa solução – apregoada pelos patrocinadores do sionismo, mas nunca implementada na prática – acaba por perpetuar o regime de apartheid e o projeto colonial sionista na Palestina. Seria necessário normalizar a situação na Palestina, voltando ao convívio histórico de judeus, muçulmanos e cristãos no mesmo território chamado Palestina, cuja população era majoritariamente muçulmana até a expulsão de 750 mil palestinos originários pelos invasores financiados pelos Estados Unidos e Reino Unido em 1947/1948.

Entre os lemas entoados pelos participantes do congresso estavam “Nunca mais para todos”, “sionismo não é judaísmo” e “Israel não representa o povo judeu”. Para a ativista judia estadunidense Katie Halper, é irônico que “a entidade israelense e seus apoiadores afirmem falar em nome dos judeus, quando, na realidade, o oposto é verdadeiro. Eles nos acusam de autodepreciação ou de antissemitismo, mas, na verdade, são eles que perpetuam o antissemitismo ao afirmar que todos os judeus apoiam uma entidade fundada na ocupação.”

O I Congresso Antissionista Judaico foi organizado pela associação Pela Democracia e os Direitos Humanos na Palestina, em conjunto com o movimento austríaco de solidariedade com a Palestina.

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