Morto no dia em que se tornou pai: Yahya Subaih, o jornalista que se recusou a fugir
No dia em que sua filha Sana nasceu, o jornalista palestino Yahya Subaih foi morto por um ataque aéreo israelense em Gaza.
O jornalista palestino Yahya Subaih foi morto horas depois de comemorar o nascimento de sua filha. (Foto: fornecida)
Por Mariam Mushtaha*
Ser jornalista em Gaza significa viver sob a ameaça constante da morte — não apenas para si, mas também para seus entes queridos.
Desde 7 de outubro, Israel tem seguido uma política deliberada de atacar jornalistas para silenciar suas vozes, enterrar a verdade e esconder seus crimes contra civis.
Até 7 de maio, dados do Escritório de Mídia do Governo relatavam que 213 jornalistas haviam sido mortos pelas forças israelenses. Mas naquele dia, a morte do jornalista Yahya Subaih, no bairro de Al-Rimal, elevou o número para 214.
Subaih atuava como correspondente do Palestine Post e trabalhava como editor para vários veículos de mídia locais e internacionais. Com frequência, ele compartilhava imagens e histórias diretamente do local, publicando sobre cozinhas comunitárias e esforços de ajuda humanitária em sua conta no Instagram.
Subaih estava entre os jornalistas que se recusaram a seguir as ordens israelenses de evacuar para o sul. Ao escolher permanecer no norte, ele conscientemente arriscou sua vida para cumprir seu dever jornalístico — documentar e expor o genocídio em curso ao lado de seu irmão, Yousef.
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“Yahya não fugiu. Ele ficou aqui com o irmão, determinado a continuar transmitindo a mensagem,” disse sua mãe.
Yousef acrescentou: “Desde o primeiro dia, ele estava comprometido. Procurava incansavelmente qualquer lugar com conexão estável de internet, apenas para garantir que seus relatos e imagens chegassem ao mundo.”
Subaih já era pai de dois meninos: Bara, de 5 anos, e Kenan, de 3. Ele e sua esposa, Amal, aguardavam ansiosamente a chegada da primeira filha. Às 8h da manhã do dia 7 de maio, o tão esperado momento chegou: sua filha nasceu. Subaih estava radiante de alegria.
Ele compartilhou uma foto em sua conta do Instagram segurando a filha recém-nascida nos braços.
“Uma pequena princesa iluminou nosso mundo. Louvado seja Allah, que nos abençoou com a chegada de nossa linda filha. Que Ele a torne justa e fonte de alegria para nossos corações,” escreveu.
O nome dela é Sana
“Yahya me fez uma promessa. Eu escolheria os nomes das meninas e ele escolheria os dos meninos,” contou Amal ao Palestine Chronicle.
“Quando escolhi o nome, Sana, ele o guardou no coração. Recusou-se a revelá-lo a qualquer pessoa, dizendo que só o anunciaria quando eu estivesse segura e recuperada da cirurgia. Compartilhou apenas com alguns amigos próximos, nunca postou nas redes sociais. Foi um segredo guardado com amor — agora deixado no silêncio.”
Subaih celebrou o nascimento de Sana com seus cunhados, Rami Subaih, e um amigo, em um restaurante local na Rua Al-Wehda, no bairro de Al-Rimal. Ele não sabia que o dia em que sua filha veio ao mundo seria o dia em que ele o deixaria.
A mãe de Subaih contou ao Centro de Informação Palestino:
“Meu filho saiu sem levar a câmera. Saiu enquanto comia uma refeição simples, como qualquer ser humano… Não estava armado; não estava na linha de frente.Ele era apenas um pai e um homem simples. Sempre temi por ele quando saía para filmar, mas nunca imaginei que seria morto enquanto estava sentado em um lugar que deveria ser seguro.”
‘Sua voz silenciou’
Dois ataques aéreos poderosos atingiram a rua, geralmente lotada de pessoas, tendas e barracas de mercado. Dezenas de pessoas foram mortas. Devido à destruição severa, foi impossível evacuar rapidamente os feridos.
Subaih, junto com seu amigo e seu cunhado Rami, morreu instantaneamente.
A mãe de Subaih continuou: “Minutos antes de sua morte, sua avó ligou para parabenizá-lo, mas de repente, sua voz silenciou. Ela não sabia que aquela seria a última ligação entre eles.”
Diversas organizações condenaram veementemente o assassinato de Subaih.
“Chega! Faltam palavras para descrever o pesadelo interminável enfrentado pelos jornalistas em Gaza. Yahya Subaih foi arrancado de sua profissão e de sua família por uma bomba das forças armadas israelenses,” disse Thibaut Bruttin, diretor-geral da Repórteres Sem Fronteiras (RSF).
“Seu nome agora se junta à lista de quase 200 jornalistas mortos em Gaza nos últimos 18 meses. A impunidade pelos crimes cometidos contra esses repórteres não pode ser tolerada, mas a comunidade internacional continua falhando, dia após dia, em obrigar Israel a proteger os jornalistas palestinos,” continuou.
A história de Subaih não deve ser esquecida. Embora ele tenha partido, seu legado permanece.
Sana, Bara e Kenan carregarão a mensagem de seu pai, provando ao mundo que as crianças de Gaza, mesmo órfãs, não apenas são corajosas, mas estão dispostas a sacrificar tudo para ver sua terra livre e independente.
A ocupação israelense pode querer enterrar a verdade. Mas enquanto houver uma voz disposta a dizê-la, a verdade jamais será silenciada.
* Artigo publicado no Palestine Chronicle em 23/05/2025
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