Soldados de “israel” espancam até a morte idosa de 68 anos na Cisjordânia
Armados com fuzis, agentes da ocupação arrombaram a porta, invadiram sua casa, a jogaram violentamente no chão e bateram sua cabeça na parede, tudo isso diante da família. A ambulância foi impedida de chegar ao local e, quando a idosa deu entrada no hospital, já estava morta.
Sabriya Shamasneh, uma mulher palestina de 68 anos, foi atacada por forças israelenses durante uma incursão em sua casa perto de Qalqilya, na Cisjordânia ocupada, em 7 de abril de 2026 (Foto: X).
Por Fayha Shalash*
Uma mulher palestina de 68 anos foi espancada até a morte por soldados israelenses durante uma incursão em sua casa na cidade de Jayyous, no norte da Cisjordânia ocupada.
Soldados invadiram a casa de Sabriya Shamasneh nas primeiras horas da manhã desta terça-feira (07), realizando uma busca agressiva e interrogando a família.
Seu marido, Walid Shamasneh, disse à mídia local que, pouco antes da incursão, sua nora o abordou com medo, acreditando que havia “ladrões” do lado de fora. Ela relatou ter ouvido ruídos incomuns e percebeu que o portão do jardim da frente havia sido arrombado.
As forças israelenses então derrubaram a porta da frente, aterrorizando a família.
“O oficial israelense começou a me perguntar nomes de pessoas que eu não conhecia. Depois, nos forçaram a ficar todos em um canto do cômodo enquanto revistavam os outros quartos”, disse Walid.
Em determinado momento, Sabriya tentou se mover e chamou por seu filho Hassan, temendo que ele tivesse sido preso. Os soldados responderam empurrando-a violentamente com seus fuzis, derrubando-a no chão e gritando para que ficasse em silêncio.
A cabeça da idosa bateu na parede, fazendo com que ela perdesse a consciência. Seu marido entrou em pânico, gritando e implorando aos soldados que ajudassem, mas eles se recusaram.
Após a saída dos soldados, o marido e o filho de Sabriya a levaram às pressas para o Hospital Governamental Darwish Nazzal, em Qalqilya. Uma forte presença de veículos militares israelenses havia impedido que uma ambulância chegasse ao local.
No hospital, Sabriya foi declarada morta em decorrência dos ferimentos que sofreu durante a incursão, deixando sua família em profundo choque.
A família aguarda a chegada da filha de Sabriya, vinda da Jordânia, antes de se despedir dela pela última vez e realizar seu sepultamento, enquanto toda a cidade está de luto.
Durante a mesma incursão israelense em Jayyous, a leste de Qalqilya, um jovem também foi agredido por soldados e sofreu contusões e fraturas.
Palestinos relatam uma recente escalada nas incursões em suas cidades e vilarejos, juntamente com uma conduta cada vez mais agressiva dos soldados durante buscas domiciliares e operações, incluindo agressões a moradores.
Essas incursões têm sido acompanhadas por extensas campanhas de prisões realizadas pelas forças israelenses na cidade nas últimas semanas, atingindo dezenas de palestinos, incluindo mulheres.
Na segunda-feira, em Qalqilya, vários parentes de palestinos mortos por forças israelenses, incluindo suas mães, foram presos no que tem sido amplamente visto como um ato de intimidação que se estende até mesmo após suas mortes.
No mês passado, o exército israelense deteve 15 mulheres da cidade e de vilarejos ao redor, incluindo esposas de prisioneiros e ativistas. A maioria foi libertada, mas uma permanece em detenção administrativa.
Em novembro, uma idosa, Haniya Hanoun, morreu após soldados israelenses invadirem sua casa na aldeia de al-Mazraa al-Gharbiya, ao norte de Ramallah, espancando-a severamente diante de sua família e prendendo seu neto.
* Fayha Shalash é uma jornalista palestina baseada em Ramallah, na Cisjordânia ocupada. Shalash possui bacharelado em Comunicação pela Universidade de Birzeit. Reportagem publicada no Middle East Eye em 07/04/2026.
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