Corpos palestinos devolvidos por “israel” vieram do infame campo de concentração de Sde Teiman
Eles foram entregues com sinais de tortura e execução; prisão é conhecida por violações sistemáticas de direitos humanos
Pessoas em um local de sepultamento em massa de corpos não identificados de palestinos que foram entregues por "israel", 22 de outubro (Reuters/Mahmoud Issa)
Por Mera Aladam*
Dezenas de corpos de palestinos recentemente entregues por Israel a Gaza foram identificados como provenientes do infame centro de detenção de Sde Teiman, onde as forças israelenses submeteram palestinos a graves violações.
Muneer al-Boursh, diretor-geral do Ministério da Saúde palestino em Gaza, disse em entrevista à Al Jazeera que documentos encontrados dentro de cada saco mortuário revelaram que todos tinham origem em Sde Teiman, com algumas etiquetas indicando que testes de DNA haviam sido realizados em parte dos restos mortais.
As forças israelenses detiveram milhares de palestinos desde o início do genocídio em Gaza, em outubro de 2023, muitos dos quais foram mantidos e interrogados em Sde Teiman.
Tortura, estupro e assassinatos são comuns nas instalações, segundo investigações de veículos e organizações de direitos humanos — entre eles Middle East Eye, CNN e The New York Times — que encontraram amplas evidências de abusos.
O exame forense dos 195 corpos palestinos recentemente devolvidos confirmou relatos consistentes com esses testemunhos.
Boursh observou que as marcas nos corpos indicavam tortura sistemática, esmagamentos por veículos como tanques, estrangulamento, queimaduras, ferimentos graves e lacerações que sugeriam a realização de autópsias. “São cenas horripilantes”, afirmou.
Também houve acusações de que alguns corpos foram devolvidos sem órgãos, reacendendo temores de que patologistas israelenses estariam removendo-os sem consentimento — prática que Israel admitiu em 2009, mas afirma ter encerrado na década de 1990.
Boursh declarou que “não descarta a possibilidade de que alguns corpos tenham tido seus órgãos roubados, mas estamos esperando com cautela até que isso seja comprovado diretamente”.
Uma fonte do Hospital Nasser, em Khan Younis, disse anteriormente ao Middle East Eye que vários corpos apresentavam sinais de abuso severo, incluindo marcas de estrangulamento, ossos quebrados e mutilações.
Alguns foram encontrados com as mãos e os pés amarrados e os olhos vendados. Outros estavam sem membros.
A entrega dos restos mortais faz parte dos termos do acordo de cessar-fogo alcançado há cerca de duas semanas para encerrar a guerra em Gaza e promover a troca de prisioneiros e corpos.
No total, cerca de 400 corpos de palestinos devem ser devolvidos como parte da troca, juntamente com os restos de 28 cativos israelenses.
“Campos de tortura”
Embora o tratamento abusivo de prisioneiros palestinos em cárceres israelenses seja documentado há muito tempo por organizações de direitos humanos, as violações aumentaram drasticamente desde o 7 de outubro de 2023.
Criado após o início do genocídio em Gaza, Sde Teiman tornou-se um centro improvisado para manter prisioneiros palestinos.
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Desde outubro de 2023, milhares de palestinos de Gaza foram detidos pelo exército israelense no local, frequentemente sem acusação formal ou provas de qualquer delito.
Prisões, mortes sob custódia e denúncias de abusos atingiram níveis recordes.
Tanto grupos internacionais quanto israelenses de direitos humanos condenaram essas práticas, com a organização israelense B’Tselem descrevendo as prisões do país como “campos de tortura”.
Mais de dois anos após o início do genocídio em Gaza, continuam a surgir novos relatos de tortura e mortes sob custódia em centros de detenção israelenses — mesmo após a entrada em vigor do cessar-fogo.
Na segunda-feira, a Comissão de Assuntos de Detidos e Ex-Detidos, uma organização palestina, anunciou a morte do prisioneiro Kamel Muhammad al-Ajrami, de 69 anos — o segundo falecimento sob custódia na última semana.
Até agora, os corpos de 80 palestinos que morreram sob detenção israelense desde outubro de 2023 foram identificados.
* Redatora do Middle East Eye. Artigo publicado em 22/10/2025 no MEE.
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