Ministra israelense abusou sexualmente da própria filha, que foi encontrada morta após inúmeras denúncias

Jovem acusava os pais de a terem incluído em rituais sexuais desde os dois anos de idade e de a prostituírem aos 13. Ela formalizou a denúncia à polícia, pedindo proteção, mas as autoridades a ignoraram.

17/03/2026

Shoshana, à esquerda. Orit, à direita. (Foto: reprodução)

A filha da ministra encarregada dos assentamentos ilegais de “israel”, Orit Strock, foi encontrada morta na madrugada do último domingo (15) em sua casa, em uma vila rural no norte da Palestina ocupada.

Shoshana Strock tinha 34 anos. Segundo investigações preliminares da polícia, não há indícios de assassinato.

Orit Strock anunciou a morte de sua filha nas redes sociais, afirmando: “é com o coração partido que comunico o falecimento de nossa amada filha, Shoshana.”

No entanto, a própria Shoshana indicava que não havia laços afetivos entre ela e a mãe. Pelo contrário: a jovem havia realizado inúmeras denúncias públicas de abuso sexual frequente cometido pelos próprios pais desde a sua infância, como parte de rituais macabros. Em abril do ano passado, Shoshana chegou a fazer uma denúncia oficial às autoridades, relatando seu histórico de abusos e pedindo proteção, pois se encontrava “sob ameaças”. Contudo, a polícia ignorou completamente o seu caso e impôs uma censura a publicações sobre ele.

A jovem alertara, em dezembro, que seus abusadores eram pessoas tão poderosas como parlamentares, altos funcionários, chefes de comunidades judaicas e rabinos. “Pessoas que podem fazer qualquer um de nós desaparecer”, escreveu ela em seu perfil no Facebook. “Se eles te disserem que eu cometi suicídio – não acredite”, completou.

Pessoas próximas a Shoshana que estiveram com ela no dia anterior à sua morte confirmaram ao jornalista Sefi Rachlevsky que ela não era uma pessoa suicida – confrontando, assim, a propaganda espalhada pelos adeptos do regime para tentar ofuscar as suspeitas de assassinato ordenado pelos que a perseguiam.

Na tarde de domingo, após a notícia da morte da filha da ministra israelense, houve um protesto silencioso em sua memória na Praça Sion, no centro de Jerusalém. Os organizadores se pronunciaram contra a inoperância das autoridades: “a polícia não conduziu a investigação de forma completa e não lhe forneceu proteção. Os serviços sociais não responderam”, disse um dos organizadores ao Jerusalém Post. “As autoridades abandonaram Shoshana e continuam a abandonar crianças e mulheres em sua situação”, denunciou um manifestante.

Ainda no domingo, Benjamin Netanyahu e seus ministros expressaram apoio a Orit Strock. O gabinete do primeiro-ministro declarou que ele conversou com Strock e “recebeu com profunda tristeza” a notícia do falecimento de sua filha.

O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, o ministro da Imigração e Integração, Ofir Sofer, e o líder do partido Shas, o deputado Aryeh Deri, estiveram entre aqueles que ofereceram apoio e condolências a Strock.

Smotrich acrescentou que “qualquer pessoa que explore tamanha dor e a mais terrível perda para atacar ou incitar em momentos como este é uma pessoa vil e desprezível”. Ele tem estado na linha de frente do combate do regime às menores críticas à política do governo, sobretudo em relação ao genocídio em Gaza. Ele já negou a existência e pregou a dizimação do povo palestino pela fome e pela sede, dizendo ser “justo e moral”.

Em um vídeo em que expôs pela primeira vez a sua história, logo após apresentar formalmente a sua queixa à polícia, Shoshana acusou sua mãe e seu pai, Avraham Strock, de terem abusado sexualmente dela. Ela ainda disse que os rituais eram filmados – “o que significa que na verdade serviam como pornografia infantil”, ressaltou. Ela ainda mencionou a probabilidade de existir uma rede criminosa mais ampla por trás desses abusos filmados.

Uma publicação de seu perfil pessoal no Facebook, feita em janeiro deste ano, mencionava o rabino Zvi Thau, líder espiritual do partido de extrema-direita Noam, que possui um deputado no parlamento e é alinhado ao Partido Sionista Religioso, também de extrema-direita – o mesmo de Orit Strock e que é presidido por Smotrich – e ao governo Netanyahu. Nela, Thau era acusado de participar dos rituais realizados por seus pais, nos quais o rabino tentava forçar a menina a ter relações sexuais com homens e com garotos menores de idade.

“Rituais em que homens gays e crianças eram solicitados a colocar as mãos no meu peito e, dessa forma (…) me obrigavam a entender que eu me sentia atraída por homens, e os obrigavam a entender que eles se sentiam atraídos por mulheres”, escreveu Shoshana, descrevendo uma prática aparentemente semelhante ao que seria uma “cura gay”, também pregada por pastores evangélicos no Ocidente.

Sua mãe, Orit, é ela mesma declaradamente contrária aos direitos da comunidade LGBT. Em uma entrevista às vésperas de ser designada ministra, em dezembro de 2022, ela defendeu que médicos judeus recusem tratar um paciente, caso isso contradiga as crenças judaicas, o que incluiria negar atendimento de saúde a pacientes homossexuais. À época, o Partido Sionista Religioso buscava passar uma lei discriminatória no mesmo sentio. Com base nela, o parlamentar Simcha Rothman afirmou também que donos de hotéis, por exemplo, poderiam proibir a entrada de hóspedes gays.

Como “israel” se tornou refúgio de pedófilos e estupradores internacionais

A ministra também é conhecida por seu racismo contra os palestinos. Vivendo ela mesma em assentamentos ilegais (primeiro, no Sinai, depois em Hebron), já declarou que o povo palestino não existe e que um Estado Palestino nunca irá existir, defende a ocupação militar de Gaza e a anexação da Cisjordânia e foi contra acordos de cessar-fogo durante a invasão de Gaza em 2024.

Uma das últimas postagens de Shoshana ocorreu em 28 de fevereiro. No vídeo, ela fez um breve resumo biográfico e expôs casos de pedofilia praticada por sua família. “Desde os dois anos e meio de idade, meus pais me usaram em cerimônias de pedofilia nas quais eu fui preparada e treinada sob os efeitos de drogas e de hipnose, sofrendo abuso sexual”, revelou.

A partir dos 13 anos, o pai de Shoshana começou a prostituir a própria filha, ganhando dinheiro às suas custas. “O abuso continuou por anos”, contou ela no vídeo. 

O assédio de seu pai durou até os últimos dias de Shoshana, que não recebeu nenhuma proteção das autoridades mesmo após pedir ajuda à polícia. No mesmo vídeo, ela relatou uma visita recente de seu pai ao apartamento onde estava morando. “Ele veio até o meu apartamento e abusou de mim novamente. Trouxe outra pessoa junto com ele, que está sendo preparada para ser meu próximo manipulador depois que meu pai morrer. Porque é assim que funciona: eles passam de geração para geração o abuso, a prostituição e a exploração sexual de crianças e mulheres.”

Após o ocorrido, Shoshana fugiu do seu apartamento e estava se abrigando na casa de pessoas solidárias. Ela disse não ter mais como se sustentar financeira ou emocionalmente. Sofria de Transtorno Dissociativo de Identidade – um transtorno psiquiátrico raro caracterizado por diferentes estados de personalidade e causado principalmente por traumas graves na infância, como abuso sexual. “Estou em uma condição mental muito difícil”, afirmou ela no vídeo, clamando por ajuda psicológica.

O sonho de Shoshana, que era formada em Psicologia, era justamente ajudar outros sobreviventes de rituais sexuais.

A jovem era apenas uma entre onze filhos do casal Strock. Em 2007, outro de seus filhos, Zviki, foi responsável pelo cometimento de um crime monstruoso contra um garoto palestino. Junto com amigos, ele invadiu um bairro palestino e sequestrou e torturou um adolescente de 15 anos. De acordo com relatos da época, a gangue algemou, espancou, despiu e o atropelou com um veículo todo-o-terreno antes de o deixar amarrado num campo. A vítima conseguiu escapar horas depois, sendo encontrada sangrando e com ferimentos graves. Um cabrito recém-nascido também teria sido chutado até a morte pela gangue.

Zviki foi condenado a dois anos e meio de prisão, mas foi solto nove meses antes do final de sua pena. Logo após a condenação, Orit Strock criticou a sentença, acusando o tribunal de “acreditar nas testemunhas árabes”.

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