Forças israelenses matam 14 pessoas em Gaza enquanto comissão da ONU afirma que o genocídio continua

Uma criança de seis anos está entre os mortos nos últimos dois dias, enquanto investigadores da ONU acusam "israel" de continuar cometendo atos genocidas apesar do cessar-fogo.

27/10/2026

Palestinos caminham por uma rua entre tendas e edifícios destruídos no oeste da Cidade de Gaza, Palestina, em 26 de outubro de 2026 (Majdi Fathi/NurPhoto via Reuters).

As forças israelenses mataram 14 palestinos na Faixa de Gaza nos últimos dois dias, segundo o Ministério da Saúde palestino.

A vítima mais recente foi Tahani Mohammad Shalalfah, de seis anos, morta a tiros por soldados israelenses na terça-feira.

A imprensa local informou que tanques israelenses dispararam intensamente nas áreas de Al-Alam e Al-Shakoush, a oeste de Rafah, no sul de Gaza, enquanto bombardeios de artilharia atingiram áreas do norte.

Na segunda-feira, as forças israelenses bombardearam um acampamento improvisado, matando uma pessoa.

Dois integrantes dos serviços de segurança também foram mortos e outros dois ficaram feridos durante uma missão de segurança em Deir al-Balah, no centro de Gaza, segundo o Ministério do Interior e da Segurança Nacional de Gaza.

O Ministério da Saúde palestino informou que o número de mortos desde outubro de 2023 havia subido para 74.561, incluindo 1.565 pessoas mortas desde a entrada em vigor do cessar-fogo, em outubro de 2025.

O cessar-fogo tinha como objetivo interromper o genocídio de “israel” em Gaza e permitir a entrada de ajuda humanitária no território. No entanto, “israel” continuou violando o acordo por meio de ataques diários e restrições à ajuda.

Na segunda-feira, a Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre o Território Palestino Ocupado afirmou que “israel” continua cometendo genocídio em Gaza.

Em seu relatório mais recente, a comissão acusou “israel” de crimes de guerra e crimes contra a humanidade, incluindo extermínio, perseguição, tortura, estupro e outras formas de violência sexual em todo o território palestino ocupado.

“As autoridades e as forças israelenses continuam cometendo atos genocidas mesmo após o chamado acordo de cessar-fogo, com a intenção de destruir o povo palestino, no todo ou em parte”, afirmou a comissão.

A comissão citou o uso contínuo de “munições pesadas e não guiadas em áreas densamente povoadas”, juntamente com drones, quadricópteros e disparos de franco-atiradores, resultando na destruição sistemática da vida civil e de bens civis.

O relatório também afirmou que a chamada Linha Amarela, inicialmente estabelecida como uma demarcação temporária do cessar-fogo, havia se tornado “uma fronteira de facto que avança continuamente”, refletindo a expansão do controle territorial de “israel” sobre Gaza.

Estratégia de Gaza é ‘importada’ para a Cisjordânia

Na Cisjordânia ocupada, a comissão alertou para a “importação da estratégia de destruição total de Gaza”.

Por meio de ataques militares reforçados pela violência contínua dos colonos, israel “vem conduzindo um ataque generalizado e sistemático contra civis desde 7 de outubro de 2023” no território, afirmou o relatório.

“A tortura, a violência reprodutiva, o estupro e outras formas de violência sexual fazem parte do ataque mais amplo dirigido contra a população civil na Cisjordânia. A violência sexual tem sido utilizada com a intenção de deslocar, subjugar e desestabilizar o povo palestino”, afirmou.

A comissão também acusou as forças israelenses de matar deliberadamente crianças palestinas e lhes infligir graves danos físicos e mentais na Cisjordânia ocupada, assim como em Gaza, o que configura perseguição com base na idade.

A comissão pediu o fim da ocupação israelense do território palestino e a retirada de todos os colonos e assentamentos.

“Essencialmente, israel deve pôr fim ao confisco e à apropriação de propriedades palestinas e revertê-los, assim como à reserva de terras palestinas para fins militares, e devolver todas as terras confiscadas a seus proprietários palestinos”, acrescentou a comissão.

* Publicado no Middle East Eye em 27/10/2026.

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