Homenageada, FEPAL denuncia genocídio palestino na ALESP

Federação Palestina recebeu homenagem do Conselho Estadual Parlamentar de Comunidades de Raízes e Culturas Estrangeiras (CONSCRE)

14/10/2025

Samia Ali Tayeh (centro) recebe homenagem do deputado Delegado Olim (à direita). (Foto: Divulgação)

Na noite dessa segunda-feira (13), a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) homenageou a Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal) como representante destacada da comunidade palestino no Brasil em 2025. Para receber a homenagem em nome da Fepal, esteve presente Samia Ali Tayeh, secretária de Memória e História da entidade.

A homenagem foi feita em ato solene no Hall Monumental da Alesp, promovido pelo Conselho Estadual Parlamentar de Comunidades de Raízes e Culturas Estrangeiras (CONSCRE), cujo objetivo é a integração e apoio às diversas comunidades de origem estrangeira no estado.

Samia representou a Fepal e toda a comunidade palestina do Brasil e aproveitou seu discurso para fazer uma poderosa denúncia do genocídio praticado por “israel” contra o povo palestino de Gaza, o Holocausto Palestino. “Hoje não sou eu que recebo esta homenagem, e sim a Fepal, em reconhecimento ao cumprimento do seu grande papel de esclarecer a sociedade brasileira com toda a verdade sobre tudo o que vem acontecendo com o povo palestino”, começou.

Ela foi aplaudida em mais de uma ocasião, em sua fala. Uma delas, quando estendeu a homenagem “a todas as vítimas deste genocídio: as que se foram e as que são sobreviventes dessa tragédia avassaladora”. Ela revelou também os dados do genocídio: 80 mil mortos (das quais 23 mil crianças e 13 mil mulheres), mais de 500 mortos pela fome imposta por “israel”, sendo 150 crianças, 3 mil fuzilados na fila da comida pelos snipers israelenses. Então, antes encerrar sua intervenção, afirmou: “a maior devastação de todos os tempos. A história será lembrada como o antes e o depois do genocídio do povo palestino.” Ao final de seu discurso, foi aplaudida de pé, em um salão lotado de espectadores.

Ao site da Fepal, ela destacou o apoio recebido pelo público na Alesp. “Ficou muito claro que o povo palestino hoje é muito querido e abraçado por toda a humanidade, vimos a simpatia das pessoas, muita gente veio me cumprimentar.”

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Samia é publicitária e milita na Causa Palestina desde o final da década de 1970. Seu pai é um refugiado da Nakba. Ele saiu da Palestina em 1948, tendo sobrevivido ao massacre de mais de 700 mil palestinos pelas forças invasoras sionistas. Ata Muhd Haj Ali Tayeh nasceu em Beit Etab, na Cisjordânia, e chegou ao Brasil em 1961.

“Meu pai, um refugiado palestino de 1948, se casou com uma brasileira descendente de sírios. Meu pai era muçulmano e minha mãe, cristã”, lembrou Samia, durante a cerimônia. “Ele sempre dizia para a gente: ‘para sermos bons brasileiros, antes de tudo temos de ser bons palestinos, para agradecer sempre esta terra e este país que nos recebeu de braços abertos.’ Muito obrigado, Brasil.”

O evento contou ainda com uma feira de gastronomia. A banca da comunidade palestina foi a mais concorrida. O grupo de dança da comunidade síria também fez questão de homenagear a Palestina, erguendo sua bandeira durante a apresentação.

Estiveram presentes dezenas de membros da comunidade palestina de São Paulo e do Brasil, assim como entidades representativas do povo árabe da cidade e do estado de São Paulo. Emir Mourad, secretário-geral da Confederação Palestina Latino-americana e do Caribe (Coplac), a entidade máxima da diáspora no continente, fez companhia a Samia em seu discurso e no recebimento da homenagem.

O presidente da Fepal, Ualid Rabah, também marcou presença na cerimônia. Ele avalia que todos devem tomar conhecimento do genocídio do povo palestino, em especial nas atividades sociais e políticas. “Nenhum lugar, nenhum ambiente, nenhum grupo humano reunido deve desconhecer o genocídio. Cumpre a nós, da diáspora brasileiro-palestina, onde quer que estejamos, informar sobre este genocídio.”

“A Fepal não teria sido digna de receber esta homenagem”, continua, “se não denunciasse o genocídio a todos os presentes na Alesp”. “E foi por isso que a manifestação de Samia foi recebida com efusivos aplausos, ao informar sobre o genocídio.” Ualid também destacou a relevância da presença da comunidade palestina no CONSCRE, uma “grande conquista”.

Placa entregue a Samia Ali Tayeh, representante da comunidade Palestina (Foto: Fepal)

CONSCRE

O CONSCRE é um Conselho de Comunidades, de natureza permanente e deliberativa, criado em 2001 com o intuito de fomentar uma maior integração entre as comunidades descendentes de estrangeiros que residem no Estado de São Paulo.

A “Homenagem às Personalidades das Comunidades” existe desde a criação do CONSCRE, e a comunidade palestina passou a integrá-lo em 2022 graças ao trabalho de Rita de Cássia Halti. Com isso, a comunidade também ganhou o direito das demais comunidades que o integram, dentre eles o de indicar anualmente um de seus membros para que receba a homenagem. O presidente da Fepal, Ualid Rabah, foi o primeiro a receber a homenagem.

Assim como Samia, Rita também é descendente de refugiados da Nakba. Seu pai, Beshara Nassif Halti, nasceu em Lido, invadida e ocupada até hoje por “israel”. No Brasil, se estabeleceu no Paraná e depois em São Paulo. Rita é terapeuta, diretora do Departamento de Filantropia do Esporte Clube Sírio e atua em causas sociais e humanitárias.

“Para nós, palestinos, estarmos presentes no CONSCRE representa uma conquista histórica”, diz à Fepal. “Há quatro anos conseguimos fazer parte desse movimento – não mais representados genericamente por outros povos árabes, mas como Palestina, representando os palestinos por nós mesmos, com nossa história, cultura e identidade.”

A homenagem é um reconhecimento às personalidades indicadas pelas suas ações na preservação da memória e da identidade cultural de seus povos e países originários, bem como por suas contribuições para a construção socioeconômica de São Paulo e do Brasil.

Assista ao discurso de Samia Ali Tayeh, secretária de Memória e História da Fepal:

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