“israel” é um estado antissemita para judeus e palestinos

O sionismo incorporou o desprezo europeu pelas populações orientais e transplantou essa lógica para a Palestina, então habitada majoritariamente por árabes palestinos

17/08/2025

"O judaísmo rejeita o sionismo e o Estado de 'israel'" - protesto de judeus antissionistas

Por Emir Mourad *

Desde sua fundação em 1948, o Estado de Israel se apresenta ao mundo como um refúgio seguro para os judeus, uma resposta ao trauma do holocausto euro-judeu e ao antissemitismo europeu. Contudo, uma análise crítica de sua ideologia fundadora, o sionismo, e de suas políticas de Estado revela um paradoxo inquietante. Israel opera como um Estado antissemita contra o povo palestino e, também, contra judeus que não se enquadram no seu projeto nacionalista.

De fato, esta não é uma contradição acidental. É uma característica inerente a um projeto político que transformou uma tradição religiosa milenar em uma ideologia de Estado-nação militarizado. Ao fazer isso, o sionismo construiu mecanismos de exclusão que desfiguram a identidade judaica. Esses mecanismos também negam os direitos nacionais e humanos dos palestinos, um povo de origem semita.

A ideologia sionista e os judeus orientais

O sionismo nasceu na Europa do século XIX como uma reação ao antissemitismo, mas, em contrapartida, adotou os moldes do nacionalismo europeu colonial. Nesse sentido, Theodor Herzl, pai do movimento sionista, descreveu o futuro Estado judeu como uma “muralha da civilização europeia contra a barbárie asiática”. Portanto, o sionismo incorporou o desprezo europeu pelas populações orientais e transplantou essa lógica para a Palestina, então habitada majoritariamente por árabes palestinos.

Ademais, o projeto sionista rejeitava o judeu oriental, considerado fraco, passivo e intelectual. Em contrapartida, idealizava um “Novo Judeu”: musculoso, agricultor e soldado. Consequentemente, essa rejeição representou um rompimento com a religião e cultura judaicas que floresceram fora da Terra Santa. Com isso, a história judaica, segundo essa visão, havia sido interrompida e só seria retomada com a soberania nacional. Essa premissa, então, exclui a maioria dos judeus do passado e do presente, constituindo uma agressão à diversidade da própria identidade judaica.

O antissemitismo contra judeus dentro de Israel

Em contradição com o ideal de unidade judaica, Israel criou uma sociedade profundamente segmentada. Por exemplo, após 1948, cerca de 700 mil judeus de origem oriental (mizrahi e sefarditas) foram forçados a migrar para Israel. A maioria era de países árabes e migrou sob ameaça, perseguição ou manipulação ideológica do movimento sionista. Consequentemente, muitos foram tratados com desprezo, segregados em bairros periféricos ou alojados em ma’abarot (campos de trânsito). Outrossim, enfrentaram marginalização educacional, discriminação no trabalho e políticas de esterilização forçada, como ocorreu com as mulheres etíopes nos anos 1990.

Nesse mesmo sentido, um dos episódios mais chocantes foi o desaparecimento de centenas de crianças iemenitas entre 1948 e 1954. Neste caso, elas foram retiradas de suas famílias e entregues para adoção por famílias europeias sob falsos pretextos médicos. Nesse contexto, pesquisadores como Yehouda Shenhav e Ella Shohat afirmam que os judeus orientais foram tratados como “classe servil”, subalternos dentro de seu próprio “lar nacional”.

Da mesma forma, os judeus etíopes também sofreram racismo estatal. Em 2015, protestos eclodiram após um soldado etíope ser espancado por policiais israelenses — revelando que nem mesmo o serviço militar garante igualdade a judeus negros.

O Estado de Israel também demonstra seu caráter excludente ao não reconhecer a legitimidade de diversas práticas judaicas majoritárias fora de suas fronteiras, especialmente nos EUA. Decisões religiosas cruciais, como validação de casamentos e conversões, são rigidamente centralizadas, desconsiderando outras expressões da fé. Em 2016, essa postura foi reafirmada quando o governo vetou uma proposta para ampliar a diversidade de rituais de oração em um dos locais mais sagrados do judaísmo, cedendo à influência de uma corrente religiosa hegemônica no país.

Israel não é, portanto, um Estado para todos os judeus. Pelo contrário, é um Estado para judeus sionistas, brancos, europeus e ortodoxos. Os demais são frequentemente tratados como cidadãos inferiores.

Esse antissemitismo interno é ainda mais evidente quando se observa o tratamento dispensado aos judeus de origem árabe, os de fato semitas — como os judeus iemenitas, marroquinos, iraquianos e outros oriundos do Norte da África e do Oriente Médio. Apesar de serem parte integrante da população judaica e cidadãos israelenses, esses grupos enfrentam, desde a fundação do Estado, políticas de discriminação sistemática, exclusão cultural e marginalização socioeconômica. Isso ocorre porque o fato de sua origem étnica e cultural ser árabe os coloca, paradoxalmente, sob suspeita dentro de um Estado que busca se distinguir da identidade árabe. Assim, o antissemitismo promovido por Israel transcende a opressão aos palestinos e atinge também judeus cuja identidade árabe-semita é vista como ameaça à narrativa sionista eurocentrada.

O apartheid contra os palestinos: racismo semita

Para os palestinos — um povo semita — a violência do sionismo se manifesta de forma ainda mais brutal e sistemática, consolidando um regime de exclusão, limpeza étnica e apartheid. A Nakba (catástrofe), que expulsou mais de 750 mil palestinos em 1948, não foi um acidente, mas uma aplicação prática da lógica étnico nacionalista: criar uma maioria judaica custasse o que custasse. Durante esse processo, as forças sionistas destruiram mais de 500 povoados palestinos. Desde então, Israel continua impedindo os refugiados palestinos – mais de 6 milhões com seus descendentes – de retornarem às suas terras, um direito reconhecido pelo Direito Internacional (Resolução 194 da ONU, de 11 de dezembro de 1948), mas sistematicamente negado por Israel.

Posteriormente, A Lei do Retorno (1950) concede cidadania automática a qualquer judeu do mundo. Em contraste, ela nega o mesmo direito aos palestinos nativos de suas terras. Seguindo essa mesma lógica de exclusão, a “Lei do Estado-Nação”, aprovada em 2018, consagrou Israel como Estado do povo judeu e declarou que somente judeus têm direito à autodeterminação — relegando os árabes-palestinos, mesmo os que possuem a cidadania israelense, à condição legal de subordinados.

No que diz respeito a Gaza, o bloqueio, em vigor desde 2007, causou milhares de mortes por falta de infraestrutura, energia e medicamentos. Em 2023, o ministro da Defesa Yoav Gallant chamou os palestinos de “animais humanos” — uma linguagem abertamente desumanizadora, semelhante à retórica antijudaica nazista. Por isso, para muitos intelectuais e organizações internacionais de direitos humanos, como a Human Rights Watch e a Anistia Internacional, Israel opera um regime racista e supremacista, logo, de apartheid.

A chamada “Lei da Nakba” — nome popular da Emenda nº 40 à Lei de Princípios Orçamentários (2011) — não usa o termo “Nakba” em seu texto oficial, mas permite que o governo israelense reduza ou corte verbas de instituições públicas que realizem atividades consideradas contrárias aos “princípios do Estado”, incluindo marcar o Dia da Independência de Israel como um dia de luto, prática central na memória palestina da Nakba de 1948. Na prática, a lei funciona como um instrumento de censura e intimidação institucional: enquanto o holocausto euro-judeu é protegido como memória sagrada e intocável, a catástrofe palestina é deslegitimada, silenciada e punida pelo aparato estatal.

Dentro da estrutura legal israelense, mais de 65 leis institucionalizam a discriminação contra os palestinos, sejam eles cidadãos de Israel ou residentes dos Territórios Palestinos Ocupados por Israel desde 1967. Essas normas, muitas vezes justificadas sob argumentos de segurança ou neutralidade, consolidam um regime de apartheid, segregando e oprimindo a população palestina com base em sua identidade nacional e étnica.

Essa estrutura legal não apenas mantém, mas também aprofunda a fragmentação do povo palestino, segregando-o em diferentes categorias de opressão — desde os palestinos com cidadania israelense, tratados como cidadãos de segunda classe, até os que vivem sob ocupação militar, privados de qualquer proteção legal efetiva. Dessa forma, o sistema jurídico israelense opera como um pilar central do apartheid, assegurando o controle judaico sobre a terra e a supremacia sobre a população palestina em todas as áreas sob seu domínio.

A indústria do holocausto euro-judeu como escudo para crimes

Norman Finkelstein, filho de sobreviventes de Auschwitz, cunhou a expressão “indústria do holocausto” em sua obra de 2000. Ele argumenta que a memória do genocídio nazista foi transformada por Israel e por organizações sionistas em uma arma ideológica e econômica. Por essa razão, o holocausto euro-judeu passou a justificar a ocupação, blindar o Estado de críticas e arrecadar indenizações bilionárias.

Críticas a Israel — inclusive quando formuladas por judeus, sobreviventes ou filhos do holocausto euro-judeu— são imediatamente rotuladas como antissemitas. O objetivo é calar o dissenso e blindar crimes documentados. Para Norman Finkelstein, Israel comete uma profanação ética ao instrumentalizar o sofrimento de milhões de vítimas para legitimar a opressão de outro povo semita.

Enquanto isso, dados da ONG Latet (2023) mostram que cerca de 25% dos sobreviventes do holocausto euro-judeu residentes em Israel vivem abaixo da linha da pobreza — uma contradição gritante. O Estado exalta os mortos, mas negligencia os vivos.

A corrupção da tradição judaica

A filósofa Judith Butler argumenta que o sionismo corrompe a ética judaica ao fundir identidade e soberania nacional. Isso porque, historicamente, o judaísmo sempre valorizou a justiça, o cuidado com o estrangeiro, a ética da alteridade. Todavia, o Estado de Israel transforma esses valores em ferramentas de dominação.

Grupos religiosos como Neturei Karta denunciam o sionismo como uma heresia. Para eles, a ideologia sionista é fundamentalmente contrária a fé judaica. Já o intelectual Yeshayahu Leibowitz alertava desde 1967 para o risco do “judeo-nazismo” — não como equivalência ideológica, mas como advertência moral: um povo que ocupa e oprime inevitavelmente se torna aquilo que mais teme.

Ao priorizar a conquista territorial, o militarismo e a pureza étnica em detrimento da justiça, da dignidade humana e da compaixão, o Estado de Israel, por consequência, trai os valores mais profundos de sua própria tradição religiosa. Em última análise, essa postura corrompe a ética judaica. Desse modo, em vez de ser um antídoto ao antissemitismo, Israel tornou-se uma forma sofisticada de antissemitismo de Estado, oprimindo judeus dissidentes e palestinos sob a máscara de defesa dos judeus.

O genocídio em Gaza: o antissemitismo do sionismo em sua forma mais bárbara

Desde 7 de outubro de 2023, Gaza enfrenta o massacre mais destrutivo de sua história. Em termos proporcionais, o número de crianças palestinas em Gaza (10.306 por milhão de habitantes no território) exterminadas chega a ser quase quatro vezes superior à matança de crianças europeias durante o período nazista (2.813 por milhão), configurando um dos episódios mais mortíferos, devastadores e sombrios da história da humanidade.

A operação militar de Israel, lançada sob o desgastado pretexto de vingança contra o Hamas, rapidamente assumiu os contornos de um genocídio. Até 16 de agosto de 2025, eram 73.951 os palestinos exterminados — 61.722 em Gaza, 1.029 na Cisjordânia e outros 11.200 desaparecidos sob os escombros em Gaza, já considerados mortos. A imensa maioria das vítimas são mulheres, crianças e idosos.

Além disso, 192.812 pessoas foram feridas (183.778 em Gaza e 9.034 na Cisjordânia), quase todas gravemente e mutiladas. Hospitais, escolas, universidades, mesquitas e igrejas foram sistematicamente destruídos, comprometendo toda a infraestrutura civil. Segundo a ONU, 1,9 milhão de palestinos — cerca de 85% da população de Gaza — foram forçados a abandonar suas casas, ademais, praticamente todas (92%) destruídas.

A destruição em Gaza, que supera 80% da totalidade de sua infraestrutura, não é um “efeito colateral” da alegada guerra, mas sim uma estratégia de punição coletiva. As autoridades israelenses já declararam publicamente suas intenções genocidas. De fato, Israel adota a destruição como método, e não como “efeito colateral” da guerra — uma estratégia de punição coletiva proibida pelo direito internacional humanitário. Autoridades israelenses declararam publicamente sua intenção genocida. Por exemplo, o ministro da Defesa Yoav Gallant afirmou que estão “lutando contra animais humanos”; o presidente Isaac Herzog culpou toda a população de Gaza pelo ataque do Hamas e o ministro de Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, declarou que “a vida dos nossos soldados vale mais do que a vida dos civis em Gaza”. Em suma, essas falas demonstram a lógica colonial do sionismo, que desumaniza o povo palestino em nome da suposta autopreservação judaica.

No entanto, esse genocídio representa uma forma radical de antissemitismo, pois destrói os laços históricos entre dois povos que compartilham raízes semitas — como é o caso dos palestinos e dos judeus de origem semita árabe — ao projetar o outro como inimigo absoluto. O sionismo, ao se autolegitimar como a única expressão legítima do judaísmo, exclui todas as formas alternativas de identidade e coexistência. Desse modo, em Gaza, isso se manifesta na destruição completa de um povo e de sua cultura. Em outras palavras, o genocídio atual é a consequência lógica de décadas de apartheid, limpeza étnica e negação do direito à autodeterminação palestina.

A Corte Internacional de Justiça (CIJ), em sua decisão preliminar de janeiro de 2024, reconheceu a existência de indícios plausíveis de que Israel comete genocídio em Gaza. Igualmente, organizações como a Human Rights Watch e a Anistia Internacional, assim como especialistas da ONU, afirmam que o padrão de bombardeios e o cerco total caracterizam crimes contra a humanidade. Por consequência, a ONU declarou que Gaza se tornou “o lugar mais perigoso do mundo para uma criança”.

A ideologia sionista, ao transformar judeus em opressores e genocidas em nome da segurança, corrompe os fundamentos éticos do judaísmo. Isso ocorre porque a ideologia legitima a perseguição a outros semitas. Em suma, o antissemitismo do Estado de Israel atinge seu auge quando nega aos palestinos até mesmo o direito de existir.

Conclusão: O antissemitismo como ferramenta política do sionismo

O conceito de antissemitismo, que historicamente se referiu ao ódio irracional contra os judeus, tem sido, de forma deliberada, manipulado pelo movimento sionista e pelo regime israelense. Originalmente, a partir do século XIX, o termo foi criado para descrever uma forma de hostilidade racial, mas, ao longo dos anos, passou a ser instrumentalizado para fins políticos. Atualmente, no contexto do Estado de Israel, o termo “antissemitismo” deixou de ser apenas um alerta contra o ódio racial e passou a ser utilizado como arma política para silenciar críticas legítimas e deslegitimar toda oposição à ocupação, ao apartheid e ao genocídio, crimes continuados e em curso na Palestina.

Desde a sua fundação (por autoproclamação em 14 de maio de 1948), Israel tem utilizado a acusação de antissemitismo como um escudo para afastar críticas às suas práticas de exclusão, violência e negação de direitos contra os palestinos. Com efeito, o movimento sionista, ao se apropriar do termo, conseguiu por muito tempo ocultar os debates sobre essas injustiças, transformando qualquer crítica ao Estado de Israel em uma acusação de intolerância racial. No entanto, essa manipulação, que obscureceu a realidade dos direitos palestinos e perverteu a memória do holocausto euro-judeu, tem enfrentado um abalo significativo. O repúdio internacional ao genocídio que ocorre em Gaza, juntamente com a crescente mobilização global em apoio ao povo palestino, tem exposto a instrumentalização do antissemitismo e desafiado a narrativa de Israel, tornando mais difícil justificar a opressão sistemática de outro povo.

Ao refletir sobre essa dinâmica, é importante compreender que o antissemitismo, como conceito, foi distorcido para atender às necessidades políticas do regime israelense, o que bloqueia qualquer tentativa de debate honesto sobre os direitos dos palestinos e impede o avanço rumo a uma solução justa, plural e descolonizante. Portanto, essa reflexão final reforça a urgência de desmascarar a instrumentalização do termo e de buscar uma abordagem mais honesta e equilibrada para os desafios contemporâneos que envolvem a Palestina e Israel.

Embora se declare representante exclusivo do ‘povo judeu’, o Estado de Israel na realidade instrumentaliza o conceito de antissemitismo como escudo político, enquanto ativamente suprime judeus que divergem do projeto sionista — sejam eles de origem semita ou qualquer outra. Inegavelmente, essa lógica transforma o próprio Estado em um agente de antissemitismo institucionalizado, dirigido tanto contra palestinos quanto contra judeus marginalizados por sua etnia, origem geográfica, cor da pele, filiação religiosa ou postura contestatória frente às políticas israelenses.

Israel utiliza a alegação de antissemitismo para encobrir suas ações de apartheid. O país justifica seu genocídio e sua dominação colonial com essa narrativa. Diante disso, cabe a todos os povos livres desmascarar essa farsa. As vozes conscientes que se opõem ao sionismo devem se manifestar.

Movimentos de direitos humanos são essenciais nessa luta. As vítimas da opressão racial precisam se unir a essa causa. Toda a comunidade internacional comprometida com a dignidade humana deve agir. Essa iniciativa é crucial para a justiça e a memória. Ela também é fundamental para a vida e a solidariedade ao povo palestino. A luta palestina é por sua autodeterminação e o retorno de seus refugiados.

*Emir Mourad é secretário-geral da Confederação Palestina Latino-americana e do Caribe (COPLAC), ex-secretário-geral da Federação Árabe Palestina do Brasil (FEPAL) e ex-conselheiro no Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR).

Referências Bibliográficas

Anistia Internacional. Israel’s Apartheid Against Palestinians, 01 de fevereiro de 2022. Relatório detalhado que acusa Israel de praticar apartheid contra os palestinos, documentando discriminação sistemática, transferências forçadas, violência e negação de direitos civis e políticos.
https://www.amnesty.org/en/latest/campaigns/2022/02/israels-system-of-apartheid/

Anistia Internacional. Israel’s Genocide Against Palestinians In Gaza, 05 de dezembro de 2024. Relatório detalhado sobre o genocídio cometido por Israel contra os palestinos em Gaza, documentando os ataques sistemáticos, a destruição em massa, os crimes de guerra e as violações dos direitos humanos.
https://www.amnesty.org/en/latest/news/2024/12/amnesty-international-concludes-israel-is-committing-genocide-against-palestinians-in-gaza/

Butler, Judith. Caminhos Divergentes: Judaicidade e crítica do sionismo. Publicado originalmente como Parting Ways: Jewishness and the Critique of Zionism. Columbia University Press, 2012. Neste livro, a filósofa analisa a tensão entre a identidade judaica e o sionismo, argumentando a favor de uma ética judaica diaspórica e coabitacional em oposição ao projeto de um Estado-nação excludente.
https://cup.columbia.edu/book/parting-ways/9780231146111/

Finkelstein, Norman G. A Indústria do Holocausto: Reflexões sobre a exploração do sofrimento dos judeus. Publicado originalmente como The Holocaust Industry: Reflections on the Exploitation of Jewish Suffering. Verso, 2000. A obra sustenta que Israel instrumentaliza a memória do holocausto euro-judeu para obter ganhos políticos e financeiros e para se imunizar contra críticas.
https://resistir.info/livros/filkenstein_pt.pdf

Human Rights Watch. Extermination and Acts of Genocide, 19 de dezembro de 2024. Relatório documenta como Israel privou deliberadamente os palestinos em Gaza de acesso à água, causando mortes e doenças. Descreve a destruição da infraestrutura de água e a obstrução de ajuda humanitária, caracterizando as ações como crimes de guerra e genocídio.
https://www.hrw.org/report/2024/12/19/extermination-and-acts-genocide/israel-deliberately-depriving-palestinians-gaza

Human Rights Watch. A Threshold Crossed: Israeli Authorities and the Crimes of Apartheid and Persecution, abril de 2021. Documento que conclui que Israel está cometendo os crimes de apartheid e perseguição contra os palestinos, em violação ao direito internacional, e recomenda sanções internacionais.
https://www.hrw.org/report/2021/04/27/threshold-crossed/israeli-authorities-and-crimes-apartheid-and-persecution

International Court of Justice (ICJ). Application of the Convention on the Prevention and Punishment of the Crime of Genocide in the Gaza Strip (South Africa v. Israel). 26 de janeiro de 2024. Documento oficial da Corte Internacional de Justiça (CIJ) que determina medidas provisórias contra Israel, reconhecendo a plausibilidade do genocídio em Gaza.
https://www.icj-cij.org/node/203447

Knesset (Parlamento de Israel). Lei Básica: Israel como o Estado-Nação do Povo Judeu. Aprovada em 19 de julho de 2018. Documento que legaliza o status de Israel como o lar nacional do povo judeu, definindo a autodeterminação como um direito exclusivo dos judeus no país. É uma fonte essencial para a crítica da discriminação institucional.
https://main.knesset.gov.il/en/news/pressreleases/pages/pr13978_pg.aspx

Latet. Programa “Aid for Life” para ajuda aos sobreviventes do Holocausto. Site da ONG israelense Latet que mostra que cerca de 25% dos sobreviventes do holocausto euro-judeu vivem abaixo da linha da pobreza em Israel, revelando contradições no discurso oficial do Estado.
https://www.latet.org.il/en/worlds/latet_life_support/

Leibowitz, Yeshayahu. Judaism, Human Values, and the Jewish State. Harvard University Press, 1992. Coletânea de ensaios do proeminente intelectual israelense que articula sua crítica à ocupação, à subordinação da religião ao Estado, e que contém suas advertências sobre a corrupção moral de Israel, incluindo o uso da polêmica expressão “judeo-nazismo”.
https://www.hup.harvard.edu/books/9780674487765

OCHA (United Nations Office for the Coordination of Humanitarian Affairs). Humanitarian Situation Update #300 _ Gaza Strip, 26 de junho de 2025. Organismo da ONU que apresenta a atualização das condições humanitárias em Gaza.
https://www.ochaopt.org/content/humanitarian-situation-update-300-gaza-strip

Palestinian Central Bureau of Statistics – Atualização do número de mortos e feridos, 29 de junho de 2025. A agência palestina reúne dados estatísticos de diversas áreas da realidade do país. A organização fornece informações sobre vítimas civis e relata ataques a hospitais e escolas. Monitora as restrições ao acesso humanitário.
https://www.pcbs.gov.ps/default.aspx

Pappé, Ilan. A Limpeza Étnica da Palestina. Publicado originalmente como The Ethnic Cleansing of Palestine. Oneworld Publications, 2006. O historiador israelense descreve a Nakba de 1948 não simplesmente como um resultado da guerra, mas claramente como uma operação deliberada e sistemática de limpeza étnica, diretamente fundamentada na necessidade ideológica sionista de criar um Estado com uma maioria judaica.
https://oneworld-publications.com/work/the-ethnic-cleansing-of-palestine/

https://aterraeredonda.com.br/a-limpeza-etnica-da-palestina/

Rabbi Yisroel P. Feldman of Neturei Karta. Zionism Is The Root Problem, 15 de junho de 2003. A Neturei Karta é uma organização judaica. Ela se define como a voz dos judeus religiosos no mundo. O grupo é contra a existência do Estado de Israel e se posicionam publicamente como antissionistas.
https://nkusa.org/wp-content/uploads/2024/04/YisroelFeldman.pdf

Shenhav, Yehouda. The Arab Jews: A Postcolonial Reading of Nationalism, Religion, and Ethnicity. Stanford University Press, 2006. Este texto é uma análise pós-colonial. Ele trata do tratamento dos judeus árabes em Israel. Nessa perspectiva, o estudo expõe o racismo estrutural e a marginalização sistemática sofrida por essas comunidades. Além disso, o texto denuncia o apagamento da cultura judaica árabe e a imposição do modelo do “Novo Judeu”. 

https://www.sup.org/books/history/arab-jews 

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