Jeffrey Epstein era um agente do regime israelense, mostram documentos
Arquivos Epstein demonstram os laços umbilicais de Epstein com o regime sionista. Ele promoveu os empreendimentos israelenses mundo afora, intermediou contatos de alto nível de governos e grandes empresas estrangeiros com as principais autoridades israelenses, atuou em coordenação com os serviços de espionagem de “israel” e financiou o lobby sionista internacional.
Composição: RT. © Getty Images / vadimrysev; Wachira Wacharapathom; Rick Friedman Photography / Corbis via Getty Images
A divulgação, pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, de mais de 3 milhões de páginas de documentos no fim de janeiro de 2026, sob a Lei de Transparência dos Arquivos Epstein assinada pelo presidente Donald Trump em 2025, reacendeu o escrutínio global sobre a extensa rede do falecido financista bilionário e criminoso sexual Jeffrey Epstein.
Esse lote, parte de um total acumulado de 3,5 milhões de páginas tornadas públicas após censuras por motivos de segurança nacional e privacidade, inclui e-mails, registros financeiros e memorandos do FBI que destacam conexões anteriormente pouco divulgadas com “israel”, sua elite política e círculos de inteligência. No entanto, análises sugerem que apenas cerca de 2% do total dos dados investigativos foram tornados públicos, levantando questionamentos sobre possível retenção de informações para proteger figuras influentes.
Os documentos demonstram os laços umbilicais de Epstein com o regime sionista. Ele promoveu os empreendimentos israelenses mundo afora, intermediou contatos de alto nível de governos e grandes empresas estrangeiros com as principais autoridades israelenses, atuou em coordenação com os serviços de espionagem de “israel” e financiou o lobby sionista internacional.
Desenvolvimento da produção de gás em “israel”
E-mails vazados pelo Distributed Denial of Secrets, um site sem fins lucrativos de denúncias e compartilhamento de arquivos, revelam o papel de Jeffrey Epstein nos bastidores do megacampo de gás Leviatã, ligando o ex-primeiro-ministro israelense Ehud Barak (1999-2001), o então e atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o banco JPMorgan.
Descoberto em 2010, o campo de gás Leviatã, no Mar Mediterrâneo, tornou-se o maior projeto energético da história de “israel”. E-mails da conta pessoal de Barak, que também foi ministro da “Defesa” (2007-2013), mostram que ele consultou Epstein por anos sobre negócios financeiros ligados ao Leviatã, enquanto buscava investidores estrangeiros. Nos bastidores, Epstein orientava Barak sobre como se apresentar como “especialista em energia”, ao mesmo tempo em que fazia contatos com grandes bancos e investidores.
Os documentos judiciais indicam que Epstein ajudou a organizar uma reunião entre Netanyahu e a liderança do JPMorgan em 23 de março de 2011 — o mesmo dia em que o Knesset, o parlamento israelense, votou um aumento decisivo de impostos sobre exportações de gás. O aumento de impostos era um obstáculo central ao desenvolvimento comercial do Leviatã. O motivo da reunião e o papel de Epstein permanecem desconhecidos, pois os autos estão censurados.
Em 23 de março de 2011, Roy Navon (chefe do escritório do JPMorgan em “israel”) enviou um e-mail a Jes Staley e Jacob Frenkel, respectivamente executivo e presidente dos negócios internacionais do JPMorgan, escrevendo: “Contra todas as probabilidades, fomos agraciados com uma reunião com o primeiro-ministro Netanyahu.” Staley encaminhou o e-mail a Epstein com uma nota: “Obrigado.” Epstein respondeu: “surprisee suprise.”
Trecho com tarjas do processo **Ilhas Virgens Americanas vs. JPMorgan Chase**, de 15 de agosto de 2023.
E-mails de Epstein com Jes Staley, de 23 de março de 2011.
Grandes bancos internacionais já se posicionavam em torno do projeto Leviatã: Barclays e HSBC — dois rivais do JPMorgan — eram os assessores financeiros exclusivos do campo menor dos investidores do Leviatã, Tamar, e haviam concedido quase US$ 400 milhões em empréstimos no ano anterior. Em 2014, o magnata Yitzhak Tshuva enfrentava um processo antitruste contra o Grupo Delek, dono do Leviatã junto à Noble Energy (mais tarde comprada pela Chevron). Netanyahu impôs um compromisso: Delek–Noble manteriam o Leviatã (exportações) mas venderiam Tamar (mercado interno). O acordo preservou o núcleo do monopólio do gás.
Enquanto o novo arcabouço do gás estava sendo finalizado, o filho de Netanyahu, Yair, foi gravado em um clube de striptease de Tel Aviv no fim de 2015, embriagado, confessando que se tratava de um acordo corrupto. Na gravação, Yair disse a Nir Maimon, filho do magnata do gás Koby Maimon, que se tornaria o controlador de Tamar: “Meu pai fez um acordo incrível para o seu pai, mano. Ele lutou, lutou no Knesset por isso.” Ele pressionou Maimon a lhe dar dinheiro para pagar uma stripper: “Mano, meu pai agora arranjou um espetáculo de US$ 20 bilhões para você e você não pode me emprestar [400 shekels]?”
Em 2015, o comissário antitruste renunciou, alertando que o governo favorecia monopolistas. O ministro da Economia, Aryeh Deri, também renunciou sob pressão de Netanyahu. Netanyahu, ainda primeiro-ministro, assumiu ele próprio a pasta da Economia. Após o impasse ser resolvido em 2016, o JPMorgan e o HSBC concederam um empréstimo de US$ 1,75 bilhão para a primeira fase do desenvolvimento do Leviatã. O arcabouço do gás transformou o setor energético de “israel” em um duopólio protegido, com exportações concentradas no Leviatã e controle doméstico entregue à Isramco (ligada a Koby Maimon).
Quase dez anos depois, em dezembro de 2025, após meses de atrasos e disputas nos bastidores entre Tel Aviv, Cairo e Washington, Netanyahu anunciou um acordo de US$ 35 bilhões para vender gás do Leviatã ao Egito, apresentado como o maior acordo energético da história de “israel”.
Promovendo os interesses israelenses na África
Documentos e e-mails divulgados mostram que Ehud Barak manteve contato regular com Epstein por mais de uma década, até mesmo depois da condenação de Epstein em 2008 por solicitação de prostituição envolvendo menor.
O financista americano tinha laços profundos com empresas israelenses de mineração e do setor militar na África, que ajudou a apoiar ao lado de Barak. “Com a agitação civil explodindo na Ucrânia, Síria, Somália, Líbia, e o desespero daqueles no poder”, escreveu Epstein em um e-mail de 2014, “isso não é perfeito para você?”. Barak respondeu: “Você está certo de certa forma. Mas não é simples transformar isso em fluxo de caixa.”
Sua extensa rede de contatos internacionais de alto nível proporcionou que Epstein se envolvesse profundamente na criação de oportunidades de negócios para empresas de tecnologia, segurança e inteligência de “israel” na África – inclusive as que “testavam” seus produtos e serviços na repressão aos palestinos de Gaza.
Um motivo oculto por trás dos acordos de segurança era a promessa de acesso aos ricos recursos petrolíferos da Nigéria. E-mails hackeados de Barak, publicados pela Distributed Denial of Secrets e corroborados pelas divulgações recentes, mostram Barak convertendo seus relacionamentos de segurança na Nigéria em oportunidades de investimento em petróleo, com orientação constante de Epstein. “Esse manual”, escrevem os jornalistas Murtaza Hussain e Ryan Grim, “ilustra uma linha direta clara na estratégia africana de Epstein e Barak: parcerias antiterrorismo abriam portas e investidores estrangeiros em busca de acordos de energia e mineração as atravessavam”.
Em maio de 2015, Barak e seu sócio Gary Fegel fizeram um investimento de US$ 15 milhões na FST Biometrics, uma tecnologia de reconhecimento facial para “controle de acesso” fundada por Aharon Ze’evi Farkash — ex-chefe da inteligência militar de “israel” e autor de um plano de vigilância na Costa do Marfim intermediado por Barak e Epstein no ano anterior. “Fegel também trabalhava estreitamente com Barak para obter ciberarmas de unidades de pesquisa militar israelenses, enquanto Epstein assegurava financiamento do Vale do Silício e de banqueiros europeus”, segundo o Drop Site News.
Uma escola cristã da Nigéria, a Babcock University, adquiriu os equipamentos de vigilância biométrica desenvolvidos pela inteligência militar israelense. O projeto-piloto de biometria na Babcock University ajudou a construir relações entre operadores israelenses e autoridades nigerianas de segurança nacional, enquanto a parceria era enquadrada como uma questão de combate ao terrorismo islâmico. Em julho de 2015, um novo sistema já estava em funcionamento na universidade, permitindo reconhecimento facial e autenticação de estudantes à distância, em capelas, salas de aula e dormitórios. Quinhentos professores foram treinados para proteger suas salas com biometria; um comunicado à imprensa vangloriava-se de que “a mais recente tecnologia israelense… ajuda a garantir a segurança no campus ao filtrar todas as pessoas indesejadas”.
Enquanto isso, Epstein trabalhava arduamente para estabelecer a credibilidade de Ehud Barak como líder global em cibersegurança. E-mails mostram que Epstein conectou Barak a várias figuras influentes do Vale do Silício, incluindo o bilionário capitalista de risco Peter Thiel, o ex-presidente da Microsoft Steven Sinofsky e muitos outros.
Por volta da mesma época do investimento de Barak na FST, Epstein emprestou a Barak US$ 1 milhão para investir em outra startup de segurança fundada por oficiais da inteligência israelense: Reporty Homeland Security (agora rebatizada como Carbyne), uma plataforma que permite a serviços de segurança obterem dados precisos de localização e transmissão ao vivo de vídeo e áudio de telefones. Assim como a FST Biometrics na Nigéria, projetos-piloto da Reporty lançaram as bases para cooperação estatal em segurança entre “israel” e a Mongólia.
Os dois investimentos iniciais, FST e Reporty, construíram a reputação de Barak como pioneiro da cibersegurança. Barak enviou um e-mail a Epstein de “israel”, pouco depois de o investimento na FST ser anunciado: “Sentimos sua falta. Nunca há um momento entediante aqui… A Reporty avança. A empresa de controle de acesso na qual entrei com Gary Fegel chamou atenção positiva aqui. Começo a parecer envolvido em HighTec relacionado à Segurança.”
A persistência de Epstein e Barak deu resultado. As empresas de Barak passaram de operar um projeto-piloto em uma pequena universidade a assessorar no mais alto nível do aparato estatal de cibersegurança da Nigéria. Em 2020, o Banco Mundial subsidiou uma parceria com a Direção Nacional Cibernética de “israel” e o Toka Group, outra startup de ex-integrantes da inteligência cofundada por Barak, para trabalhar diretamente na infraestrutura nacional de cibersegurança da Nigéria. A cooperação se aprofundou no ano passado, quando uma empresa israelense instalou simuladores de guerra cibernética na Babcock para treinar a próxima geração de operadores de cibersegurança.
Em 19 de maio de 2013, Barak contatou seu amigo Michael “Micky” Federmann, presidente bilionário da gigante israelense de tecnologia militar Elbit Systems. Na época, a Elbit enfrentava controvérsia por um projeto de vigilância em massa na Nigéria. Dez dias antes, parlamentares nigerianos haviam tomado conhecimento de um contrato secreto de inteligência de US$ 40 milhões para a Elbit desenvolver infraestrutura para espionar as comunicações online dos nigerianos, e a Câmara dos Deputados do país ameaçou suspendê-lo.
Na primeira semana de junho de 2013, Barak viajou a Nova York para visitar Epstein e participar da festa de 90 anos do ex-secretário de Estado dos EUA Henry Kissinger. Após sua reunião com Barak, Epstein fez uma viagem improvisada de cinco dias à África; duas semanas depois, Barak recebeu um convite para discursar em uma conferência para a alta liderança das Forças Armadas nigerianas e representantes dos setores bancário, de petróleo e gás e de manufatura do país.
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Após mediação de Epstein, Barak participou da conferência na Nigéria. Apesar do status de Barak como cidadão privado, seus anfitriões trataram o evento como uma iniciativa diplomática em direção a “israel”. O organizador escreveu a Barak: “O jantar é mais uma excelente maneira… de se reunir com bons Amigos de Israel e também fazer novos amigos para Israel.”
A mídia nigeriana utilizou o evento para defender a rápida aprovação de um Projeto de Lei de Crimes Cibernéticos pendente, um arcabouço jurídico abrangente para vigilância online, que estava sob pressão após a Câmara votar pela suspensão do contrato de US$ 40 milhões da Elbit. Dois dias após a conferência de cibersegurança, em 19 de setembro, o Senado votou para avançar o projeto de lei.
No mês seguinte, o presidente nigeriano Goodluck Jonathan viajou a Jerusalém para sua primeira visita oficial de Estado a “israel”. Embora o projeto de lei sobre crimes cibernéticos ainda estivesse parado na Câmara, técnicos da Elbit “desembarcaram discretamente” em Abuja em 26 de novembro para começar a instalar a infraestrutura de vigilância da internet. Observadores da sociedade civil notaram que funcionários nigerianos estavam sendo treinados em “israel”, mesmo enquanto parlamentares nigerianos ainda debatiam os detalhes do projeto.
Amizade íntima com Barak
O ditado “amigos, amigos; negócios à parte” não vale para a amizade entre Epstein e Barak. Os interesses empresariais de Barak prosperavam com o apoio de Epstein. A relação entre os dois era íntima, com trocas quase diárias de e-mails e telefonemas. Epstein escreveu a Barak, em uma mensagem sincera: “há pouquíssimas pessoas com quem eu gosto de passar tempo; você é único.” Barak respondeu: “Obg. O mesmo.”
Enquanto escrevia um livro de memórias e vivia no apartamento de Epstein, em novembro de 2015, Barak pediu à assistente de Epstein que providenciasse um piano elétrico, para que pudesse praticar música clássica entre as sessões de escrita. Barak enviou a Epstein um artigo sobre os benefícios profissionais de estudar música, com a observação: “O que há no treinamento musical sério que parece se correlacionar com sucesso extraordinário em muitos campos diversos? Aqui está a resposta sobre o seu sucesso na vida.”
Epstein corrigiu Barak: “nosso.”
Mas quando era preciso alertar o amigo, Epstein não poupava palavras. Por volta de 2014, Epstein continuou a orientar os esforços de Barak para estabelecer sua reputação como um negociador de energia crível enquanto Barak buscava parceiros para o Leviatã.
Quando o magnata da energia Jack Grynberg pediu a Barak que encontrasse um comprador para seus ativos de petróleo e gás, Barak quis incluir no negócio a Renova, conglomerado pertencente ao bilionário russo-israelense Viktor Vekselberg. Barak tinha um lucrativo contrato de consultoria com a Renova para identificar oportunidades em energia, mineração e imóveis. Mas, antes, compartilhou as demonstrações financeiras de Grynberg com Epstein e com o CEO da Apollo Global Management, Leon Black, para due diligence. Barak escreveu a Epstein de forma deferente: “Não hesite em me corrigir ou me orientar ao longo do caminho. Não tenho tempo suficiente para aprender com meus próprios erros. Shabat Shalom.”
Algumas horas depois, Epstein enviou uma resposta irritada: “Isso é 100 por cento uma MERDA TOTAL. Eu te disse ao telefone que, antes de enviar ou pedir a alguém sobre isso, você deveria fazer sua própria lição de casa. Você não pode ser visto vendendo lixo, fraudes, coisas ruins e/ou problemas. Isso é um total desperdício do seu tempo.”
Registros públicos e relatórios investigativos indicam ainda que Barak visitou residências de Epstein dezenas de vezes entre 2013 e 2017, incluindo sua casa em Nova York, um apartamento em Manhattan, sua mansão nas Ilhas Virgens e voos em jatos privados.
Financiamento ao movimento sionista internacional
Epstein financiou o Friends of Israel Defense Forces (FIDF) e a organização de construção de assentamentos Jewish National Fund (JNF), segundo os documentos do FBI.
Os documentos mostram que Epstein enviou US$ 25.000 ao FIDF, que se define como uma “organização oficial” autorizada a arrecadar doações beneficentes em nome dos soldados do exército israelense em todo o território dos EUA. Epstein chegou mesmo a visitar bases militares em “israel” em 2008 com representantes da FIDF, enquanto já enfrentava acusações nos EUA.
Por meio de seu site, a organização convida doadores a adotarem uma brigada ou batalhão, como o 97º Batalhão Netzah Yehuda, que tem sido amplamente acusado de matar civis desarmados, matar detentos, torturar e maltratar pessoas.
De acordo com os documentos, Epstein também doou US$ 15.000 à organização sem fins lucrativos JNF.
No site oficial do JNF, a organização não governamental afirma que “oferece a todas as gerações de judeus uma voz única na construção de um futuro próspero para a terra de Israel e seu povo.”
A JNF também foi acusada de historicamente privilegiar cidadãos judeus no acesso a terras dentro de “israel”, enquanto restringia o acesso de palestinos sob o pretexto de “ambientalismo”.
Ativistas acusam a JNF de contribuir para o deslocamento de comunidades palestinas por meio de projetos de reflorestamento construídos sobre aldeias despovoadas. Seu apoio à atividade de assentamentos na Cisjordânia ocupada, principalmente no aglomerado de assentamentos de Gush Etzion, levou alguns países a pedirem a revogação de seu status de organização beneficente.
Registros financeiros revelam ainda o amplo apoio de Epstein ao lobby sionista por meio de sua Fundação COUQ (também conhecida como Fundação C.O.U.Q.) e outras entidades como a Gratitude America Ltd., bem como contribuições para grupos como o Hillel International e o Harvard Hillel.
O grupo Hillel da Universidade de Harvard buscou doações de Epstein em 2010 e 2011. Em maio de 2010, o então presidente do Hillel, Bernie Steinberg, escreveu a Epstein uma carta agradecendo-lhe por seu “apoio ao Harvard Hillel e à comunidade judaica de Harvard neste importante momento da história” e pediu que ele fizesse contribuições adicionais.
No início dos anos 2000, antes de sua fama, Epstein trabalhou como administrador e presidente do escritório financeiro familiar do bilionário do ramo da moda Leslie Wexner. A Fundação Wexner cobriu “despesas operacionais essenciais”, segundo o jornal Harvard Gazette, da Escola Kennedy de Harvard, que recebeu quase US$ 20 milhões entre 2000 e 2006. O próprio Epstein doou mais de US$ 9 milhões entre 1998 e 2008. Um programa específico chama a atenção: o Wexner Israel Fellowship Program, programa de pesquisadores visitantes que permitia que dez funcionários do governo israelense frequentassem a Escola Kennedy a cada ano para um mestrado de um ano.
O apoio financeiro e a infiltração de agentes do regime israelense em Harvard facilitou o boicote acadêmico aos professores John Mearsheimer e Stephen Walt, autores do célebre estudo “The Israel Lobby and U.S. Foreign Policy” (O lobby de Israel e a política externa dos EUA). Nesse trabalho, os autores analisam o impacto da defesa e do lobby pró-”israel” no sistema político dos EUA e do papel de organizações como o American Israel Public Affairs Committee (AIPAC) na formulação da política externa norte-americana para o Oriente Médio.
Epstein utilizou sua vasta rede de contatos de alto nível para distribuir as acusações de antissemitismo contra os professores, em especial os ataques do professor de Direito de Harvard, Alan Dershowitz, que também atuou como advogado de defesa de Epstein em seus envolvimentos criminais.
Tentou aproximar o Catar a “israel” e garantiu encontro entre Netanyahu e Modi
Documentos analisados pela Reuters mostram que Epstein tentou aconselhar líderes empresariais e figuras políticas do Catar durante o bloqueio ao país entre 2017 e 2021, imposto pela Arábia Saudita, pelos Emirados Árabes Unidos, pelo Bahrein e pelo Egito, sob acusações de que Doha não teria contido seus laços com o Irã e apoiado o terrorismo, em um movimento dos fantoches do imperialismo para pressionar contra uma política minimamente independente do Catar.
Em trocas de mensagens com um empresário catari e membro da família governante, o xeique Jabor Yousuf Jassim al-Thani, Epstein instou o Catar a “parar de chutar e discutir… deixar a temperatura baixar um pouco”. Ele afirmou que “a atual equipe do Catar é muito fraca” e que “o chanceler não é experiente e isso fica evidente”.
Epstein instou Doha a estabelecer vínculos com “israel” para manter-se nas boas graças de Donald Trump, que então cumpria seu primeiro mandato como presidente dos Estados Unidos. Ele sugeriu que o Estado do Golfo avançasse no reconhecimento de “israel” ou prometesse US$ 1 bilhão a um fundo para vítimas de terrorismo. Mas, no final, o Catar manteve seu curso independente. Em 2021, os países que impunham o bloqueio restabeleceram relações com Doha, e os laços entre o governo Trump e o Catar agora são estáveis.
Um dos e-mails liberados pelo Departamento de Justiça dos EUA revela que Epstein aconselhou e facilitou a organização da viagem diplomática do primeiro-ministro indiano Narendra Modi a “israel” em 2017.
A intervenção de Epstein havia sido solicitada pelo bilionário indiano e aliado de Modi, Anil Ambani. Ambani disse a Epstein que a liderança estava solicitando reuniões com membros do círculo íntimo de Trump, incluindo Jared Kushner e Steve Bannon, antes do encontro com Modi.
Após a visita, Epstein enviou um e-mail a um indivíduo que ele se referiu como “Jabor Y” sobre a viagem. “O primeiro-ministro indiano Modi seguiu conselhos. e dançou e cantou em Israel em benefício do presidente dos EUA. eles haviam se encontrado algumas semanas antes.. FUNCIONOU. !”, escreveu.
No mesmo dia, ele comentou com Ambani: “A atuação do seu pessoal foi ao mesmo tempo inteligente e bem executada. Bom trabalho.”
Espião israelense
O portal Drop Site News revelou que o governo de “israel”, por meio de seus diplomatas acreditados nos Estados Unidos e na ONU, foi responsável pelo sistema de vigilância para Epstein em seu apartamento em Manhattan, durante dois anos a partir de 2016, que era frequentado ativamente por Barak. Outros apartamentos no mesmo prédio eram utilizados para os crimes sexuais contra modelos menores de idade.
“Eles podem neutralizar o sistema à distância, antes que você precise que alguém entre no apartamento. A única coisa a fazer é ligar para Rafi no consulado e informá-lo quem e quando está entrando”, escreveu em janeiro de 2016 a esposa de Barak, Nili Priell, para uma assistente de Epstein.
A correspondência também indicava que o trabalho realizado pelo governo israelense precisava da aprovação pessoal de Epstein. “Jeffrey diz que não se importa com buracos nas paredes e que está tudo bem!”, respondeu a assistente.
O assessor de longa data de Barak, Yoni Koren, que morreu em 2023, foi outro hóspede frequente do apartamento de Epstein em Manhattan. O ex-oficial de inteligência militar hospedou-se no apartamento em várias ocasiões — inclusive em 2013, quando ainda atuava ativamente como “chefe de gabinete” do Ministério da “defesa” sionista, durante o período em que Barak era ministro de Benjamin Netanyahu.
Mas a comunidade de inteligência dos Estados Unidos não acredita que as relações de Epstein com os serviços secretos israelenses sejam apenas essas. Para além das relações empresariais com numerosas companhias de membros da inteligência, o criminoso financeiro e sexual também forneceu pessoalmente serviços de espionagem a “israel”.
Um informante infiltrado do FBI “ficou convencido” de que Epstein era um espião israelense, segundo um documento do escritório do FBI em Los Angeles de 2020 que está entre os milhões de páginas divulgadas pelo Departamento de Justiça dos EUA.
O registro governamental relata que o informante, conhecido na linguagem oficial como fonte humana confidencial (CHS, na sigla em inglês), recordou que o advogado de Epstein, Alan Dershowitz, disse ao então procurador dos Estados Unidos para o Distrito Sul da Flórida, Alexander Acosta, “que Epstein pertencia tanto aos serviços de inteligência dos EUA quanto a serviços aliados”.
“A CHS compartilhou ligações telefônicas entre Dershowitz e Epstein, durante as quais ele/ela tomou notas. Após essas ligações, o Mossad então ligava para Dershowitz para fazer um debriefing [colher informações]. Epstein era próximo do ex-primeiro-ministro de Israel, Ehud Barak, e foi treinado como espião sob sua orientação”, afirma o documento.
A rede de Dershowitz, segundo a fonte, incluía “muitos alunos [de Harvard] de famílias ricas”. Entre os citados estavam Jared Kushner, genro e enviado de Trump, e seu irmão, Josh Kushner, ambos descritos no memorando como ex-alunos.
Observando que Barak “acreditava que Netanyahu era um criminoso”, o texto diz que o informante “ficou convencido de que Epstein era um agente do Mossad cooptado”, em meio a rivalidades regionais envolvendo o regime.
Corroborando essas afirmações, estão as alegações do ex-oficial de inteligência israelense Ari Ben-Menashe, que em entrevistas e livros afirmou que Epstein e sua associada Ghislaine Maxwell operavam para o Mossad desde a década de 1980, utilizando chantagem em operações que lembrariam aquelas supostamente conduzidas pelo pai de Ghislaine, Robert Maxwell — um magnata da mídia amplamente apontado como ativo do Mossad até sua morte misteriosa, em 1991.
O próprio Epstein parecia suspeitar que o Mossad teve um papel na morte de Maxwell. Um e-mail enviado por Epstein em 2018 tinha como assunto “ele faleceu”, referindo-se a Maxwell. Na mensagem, Epstein afirmou que Maxwell havia ameaçado o serviço de inteligência israelense, escrevendo que “a menos que eles [o Mossad] lhe dessem 400 milhões de libras para salvar seu império em ruínas, ele exporia tudo o que havia feito por eles”.
Epstein também alegou que Maxwell atuava como um agente informal, coletando informações sobre os EUA, o Reino Unido e a União Soviética.
Manipulação dos Acordos de Oslo para favorecer “israel”
O testamento de Epstein, morto em 2019, incluía os dois filhos mais novos do casal norueguês Terje Rod-Larsen e Mona Juul como beneficiários, e a eles era destinado um total de US$ 10 milhões.
Juul serviu como embaixadora em “israel” em 2001 e subsecretária do Ministério das Relações Exteriores da Noruega. Recentemente foi embaixadora na Jordânia e no Iraque até que o escândalo Epstein forçou sua suspensão e posterior renúncia. A polícia norueguesa está atualmente investigando a extensão dos laços entre Juul, Rod-Larsen e Epstein.
Na semana passada, Juul foi acusada de corrupção pela unidade de crimes financeiros da Noruega, enquanto Rod-Larsen foi acusado de cumplicidade. Em 2018, o casal comprou um apartamento em Oslo por um preço muito abaixo do valor de mercado. Nos arquivos Epstein, correspondência por e-mail mostra como ele aparentemente pressionou o antigo proprietário a vender o apartamento ao casal por um preço abaixo de seu valor real. “Vai se tornar desagradável”, disse Epstein ao vendedor caso ele desistisse por causa do preço baixo.
Rod-Larsen ajudou a garantir vistos dos EUA para jovens mulheres russas pretendidas por Epstein, escrevendo cartas de recomendação para que elas se candidatassem a cargos de pesquisa. As mulheres dizem que foram abusadas por Epstein. Uma vítima explicou à emissora norueguesa NRK que Rod-Larsen facilitou seu visto após um pedido do assistente de Epstein.
Em 2020, ele renunciou ao cargo de diretor do International Peace Institute em Nova York (IPI), após as divulgações de que Epstein lhe emprestou dinheiro e fez doações à sua organização. Em 2017, Rod-Larsen disse a Epstein que o apreciava por “tudo o que você fez” e o descreveu como seu “melhor amigo”.
Juul e o marido foram figuras importantes envolvidas nos Acordos de Oslo assinados por “israel” e a OLP em 1993, que supostamente levariam à criação de um Estado Palestino convivendo com um israelense, mas que só serviram para perpetuar a ocupação das terras palestinas. A criação do mito sobre o papel da Noruega em Oslo foi transmitida em uma peça de 2017 intitulada Oslo, que foi financiada por Jeffrey Epstein, bem como em um filme de mesmo nome produzido por Steven Spielberg em 2021.
Hilde Henriksen Waage, professora norueguesa de história na Universidade de Oslo e pesquisadora sênior no Instituto de Pesquisa da Paz de Oslo (PRIO), pesquisou os Acordos de Oslo por mais de duas décadas. Em 2004, ela descobriu que centenas de documentos estavam desaparecidos dos arquivos do Ministério das Relações Exteriores da Noruega.
No processo de escrever um estudo sobre os Acordos, ela descobriu que não havia documentos relacionados ao Processo de Oslo entre janeiro e setembro de 1993 nos arquivos. Nenhum foi fornecido pelo governo norueguês apesar de pedidos contínuos.
Em 2000, enquanto Juul servia como subsecretária do Ministério das Relações Exteriores, Waage foi chamada ao seu escritório e foi instruída a interromper sua pesquisa para proteger o papel da Noruega nos Acordos de Oslo. “Não existe tal coisa como um facilitador neutro, e a verdade é que o casal informava os israelenses antecipadamente, durante e após cada rodada de negociações sobre qual papel os palestinos e a OLP tinham. No final, eles [os palestinos] apenas receberam migalhas”, disse ela ao Middle East Eye.
“Os documentos que estão desaparecidos provavelmente mostrarão que os mediadores de paz noruegueses foram mensageiros zelosos de Israel, e eles [os documentos] podem derrubar o conto de fadas sobre o papel da Noruega no Oriente Médio e possivelmente mostrar por que os Acordos de Oslo não resultaram em paz”, declarou à mesma reportagem o parlamentar Bjornar Moxnes.
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