Os laços israelenses no escândalo de corrupção na Ucrânia

Timur Mindich é peça chave no escândalo de corrupção que abala a Ucrânia. Amigo pessoal e responsável pela carreira de Zelenski, o empresário israelense fugiu para "israel" e está sendo protegido pelo regime de Tel Aviv.

01/12/2025

Timur Mindich é um dos maiores aliados de Zelenski. (Foto: montagem/RT)

A chamada Operação Midas da Agência Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU) colocou nomes e números no lamaçal. Já não se fala de funcionários menores nem de desvios isolados. Fala-se do círculo íntimo do presidente Volodímir Zelenski e da empresa estatal Energoatom — peça central do sistema energético do país.

Os investigados são figuras de peso:

  • Timur Mindich, amigo pessoal do presidente e coproprietário da Kvartal 95 Studio, a produtora que criou o Zelenski televisivo.
  • Oleksandr Tsukerman, sócio empresarial.
  • Oleksiy Chernyshov, ex-vice-primeiro-ministro e homem de máxima confiança do presidente.

A mecânica é simples e obscena: desvio de até 100 milhões de dólares, propinas de 10–15 % para contratistas e o uso da lei marcial para impedir que os lesados reclamem. Tudo isso enquanto o Ocidente continua transferindo bilhões para um Estado que diz lutar pela transparência.

Apesar de tentarem encobrir o máximo possível, os meios de comunicação internacionais não conseguem esconder totalmente nem o envolvimento direto de Zelenski nem o de Mindich.

Investigadores dizem que Mindich tinha influência em contratos estatais também no setor de defesa — empresas ligadas a ele teriam recebido contratos para drones e outros equipamentos e há alegações de tentativa de pressão em compras de material. Em audiências judiciais, promotores afirmaram que Mindich exercia influência sobre ministros ucranianos de energia e de Defesa — segundo eles, ele se reunia com essas autoridades em seu próprio apartamento para orquestrar negócios. Especificamente, ele teria “aberto caminhos” para suas empresas graças a esses contatos.

Mindich está ligado à investigada Fire Point, uma empresa ucraniana de tecnologia militar/drones. Há alegações de superfaturamento em contratos com o Estado. Segundo fontes da imprensa ucraniana, a NABU pediu para ver os fluxos de caixa da Fire Point para apurar movimentações suspeitas.

Antes de serem formalmente acusados, Mindich e Tsukerman fugiram do país. Ambos possuem cidadania israelense — um detalhe crucial para entender sua rota de fuga. Veículos de imprensa ucranianos especulam seriamente que Mindich já esteja em “israel”.

Pouco depois, Zelenski retirou às pressas a nacionalidade ucraniana de ambos. No decreto que impõe sanções a Mindich, o presidente ucraniano identificou o empresário como “cidadão israelense”. O efeito é cirúrgico: agora só poderiam ser extraditados com o aval do governo israelense, algo extremamente improvável no cenário atual. “israel” tenta ignorar o caso para se afastar de qualquer relação com Mindich e o regime ucraniano corrupto.

Segundo registros oficiais, Mindich deixou a Ucrânia na madrugada de 10 de novembro de 2025, poucas horas antes de agentes da NABU realizarem buscas em sua residência em Kiev. A própria agência confirmou sua fuga.

A imprensa internacional reforça a imagem: o aliado de Zelenski que foge com o passaporte israelense na mão, no exato momento em que a justiça bate à porta.

Quem é Timur Mindich e quais são seus laços com “israel”?

  • Nascido em 1979, em Dnipro, Ucrânia.
  • Empresário e produtor, coproprietário da Kvartal 95 — o núcleo do projeto midiático que lançou Zelenski à fama.
  • A Global Media Trade LTD, empresa de Mindich registrada no Reino Unido, é descrita nos registros públicos britânicos como tendo seu endereço de correspondência em Herzliya / Tel Aviv
  • Detentor de dupla cidadania: ucraniana e israelense (agora apenas israelense).
  • Pertence a uma família judia; seu pai faleceu em “israel”.
  • É casado com Kateryna Verber; o casamento ocorreu em Jerusalém, reforçando os vínculos pessoais, familiares e institucionais com “israel”.

Essas conexões explicam por que, quando a pressão judicial se intensificou, seu refúgio imediato foi “israel” — onde a legislação de extradição e suas próprias raízes tornam praticamente impossível sua entrega a Kiev.

A corrupção à mostra: detalhes do esquema

A investigação aponta Mindich como líder de uma organização criminosa dedicada ao desvio e lavagem de fundos públicos.

  • Junto a Tsukerman, teria influenciado decisões estratégicas nos setores de energia e defesa.
  • O caso foi aberto em 21 de agosto de 2025, mas atingiu seu auge em 10 de novembro, com dezenas de mandados, buscas e apreensões em Kiev.
  • A rede exigia propinas de 10 a 15 % de empresas contratadas pela Energoatom. Quem se recusava era punido: bloqueio de pagamentos ou exclusão do cadastro de fornecedores.
  • O montante total desviado: cerca de 100 milhões de dólares.

O escândalo provocou demissões, sanções pessoais contra Mindich e Tsukerman e auditorias emergenciais em todas as empresas públicas do país.

“israel” como refúgio: por que a cidadania israelense de Mindich importa?

A dupla cidadania não é detalhe — é o centro da narrativa.

Ela transforma Israel no abrigo perfeito para um dos homens mais próximos do presidente ucraniano. Para Kiev, recuperar Mindich judicialmente tornou-se quase impossível.

O escândalo deixa claro que, ao ganhar um passaporte israelense, Mindich ganhou também um salvo-conduto internacional.

E o caso, que parecia um problema administrativo interno da Ucrânia, agora tem implicações diplomáticas profundas.

O triângulo: presidente, oligarca, sócio fugitivo — e a teia de cumplicidades

A fuga de Mindich ocorre dentro de um triângulo de relações poderosas:

  • Zelenski, cujo caminho à presidência foi moldado pelo ecossistema midiático da Kvartal 95.
  • Ihor Kolomoisky, oligarca bilionário, padrinho político de Zelenski e ex-patrocinador do estúdio — atualmente preso por corrupção.
  • Mindich, figura-chave na engrenagem financeira, agora escondido sob proteção jurídica israelense.

Segundo registros empresariais e fiscais relatados pelo jornal Izvestia, Mindich estaria escondido em uma mansão de luxo justamente em Herzliya, na rua Galei Tchelet, 25 (muito perto de onde residem os pais de Volodomyr Zelenski em Tel Aviv) e em frente à mansão de Igor Kolomoisky, o oligarca que impulsionou a ascensão de Zelenski e que hoje está em prisão preventiva.

Mansão da rua Galey Tchelet, número 25, onde a reportagem do jornal Izvestia esteve. (Reprodução: Izvestia)

A rua Galei Tchelet é considerada a mais cara e luxuosa de todo o território palestino roubado e batizado de “israel”. A mansão do número 25 pertence à empresa offshore Longhill Holdings Limited (de propriedade de Kolomoisky), registrada nas Ilhas Virgens Britânicas e está alugada para Mindich, segundo o correspondente Nikita Kulyukhin. Mindich deve cerca de cinco mil shekels em imposto territorial nesse endereço — um tributo que, em “israel”, é pago pelos inquilinos juntamente com os proprietários.

Uma fonte do Izvestia em Herzliya afirmou já ter visto Mindich nesse endereço na companhia de Zelenski e Kolomoisky.

O triângulo é perfeito: presidente, oligarca, sócio fugitivo. Todos conectados. Todos beneficiados.

“israel” converte-se assim em um refúgio de luxo para os segredos do poder ucraniano, um poder corrupto nascido de um golpe de Estado nazista e entupido de organizações antissemitas.

Isso, no entanto, não é nenhum problema para o sionismo.

Em 2018, o jornal Haaretz e o site The Grayzone publicaram reportagens denunciando que o batalhão naonazista Azov — milícia que emergiu após 2014 e mais tarde foi incorporada à guarda nacional ucraniana — recebeu armas e munições produzidas com licença de uma empresa israelense, Israel Weapons Industries (IWI).

A fábrica de armas israelense exporta “licenças” de produção e o Azov chegou a publicar vídeos mostrando rifles “Tavor” — um modelo tipicamente israelense — em uso por combatentes.

Mesmo após a guerra total contra a Rússia começar em 2022, há tentativas de “branqueamento” da imagem do Azov: alguns meios e instituições do lobby sionista (como a Anti‑Defamation League, ADL) passaram a afirmar que o Azov “não é mais de extrema-direita” — algo totalmente absurdo, até porque os símbolos, lideranças e ideologia neonazistas continuam plenamente presentes na organização.

Por último, “israel” e a Ucrânia estabeleceram cooperações militar-técnicas que favorecem grupos paramilitares neonazistas dentro da Ucrânia. Mercenários israelenses foram identificados pela Rússia como combatendo lado a lado com os militares neonazistas.

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