“Parto após uma decapitação”: médicas australianas relatam horrores do genocídio israelense em Gaza

Duas médicas australianas relataram os detalhes angustiantes de seu trabalho sob bombardeio israelense constante e severa escassez médica em meio ao genocídio em curso do regime israelense na Faixa de Gaza.

22/09/2025

Quadro de um vídeo publicado em 22 de setembro de 2025 mostra duas médicas australianas relatando o sofrimento delas e dos palestinos no Hospital al-Shifa, na Cidade de Gaza.

Em uma vídeo-reportagem publicada nesta segunda-feira, o site australiano news.com.au apresenta os relatos das médicas Dra. Nada Abu Alrub e Dra. Saya Aziz sobre a situação no Hospital al-Shifa, a maior unidade médica da Cidade de Gaza.

A dupla havia se transferido para o hospital vindo do Hospital al-Aqsa, no centro da Faixa de Gaza, enfrentando uma viagem de oito horas que normalmente duraria 20 minutos. Elas apontaram as evacuações constantes em todo o território, em meio a bombardeios incessantes de Israel, como a razão do atraso.

“É um pesadelo”, disse Abu Alrub, citando bombardeios consecutivos contra o al-Shifa por helicópteros de ataque Apache, caças furtivos supersônicos F-35 e aviões F-16 israelenses.

A agressão, que segue sem trégua, ocorria enquanto pacientes e corpos continuavam chegando em números avassaladores, contou ela.

A médica relatou que mais de 1.500 pessoas ainda estavam presas sob os escombros e que a entrada do hospital havia sido atacada em dias consecutivos.

As condições do hospital são caóticas em meio a preocupantes situações de insalubridade, com a equipe médica sem suprimentos básicos como sabão, luvas e anestésicos, acrescentou.

A médica observou que pacientes estavam sendo tratados no chão e que os doutores tinham apenas cetamina para aliviar o sofrimento.

“Um evento de vítimas em massa hoje: pelo menos 10 a 20 chegaram mortos ou com GCS3 [coma profundo], e não conseguimos fazer nada por eles”, disse.

Em um episódio particularmente dilacerante, Abu Alrub realizou um parto de emergência por cesariana em uma mulher grávida de nove meses que havia sido “decapitada”, conseguindo salvar a bebê.

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As médicas vivem sob medo constante, sem ordens de evacuação, sem internet e sem eletricidade, acrescentou ela, enfatizando: “mal estamos sobrevivendo… e mal conseguimos ajudar alguém.”

Aziz, por sua vez, descreveu as condições como “catastróficas”, com pacientes frequentemente chegando em seus próprios colchões resgatados dos escombros, às vezes carregados por familiares.

Segundo ela, o hospital está imundo, moscas infestam os quartos e os suprimentos médicos essenciais estão ausentes.

“A saúde não está em colapso, ela já colapsou”, disse.

Bombas caem constantemente, infligindo terror psicológico, afirmou Aziz, observando que as vítimas eram predominantemente crianças, mulheres e famílias jovens.

“Envergonhada de ser australiana”

Aziz disse estar envergonhada de ser australiana, aparentemente referindo-se ao apoio efetivo e incondicional de Camberra ao genocídio, em contraste com suas ocasionais expressões de desaprovação ao regime que o perpetra [como o reconhecimento simbólico do Estado Palestino no último domingo – NT].

O Dr. Mutaz Harara, chefe do departamento de emergência do al-Shifa, também afirmou que as equipes médicas já não se sentem seguras, com muitos profissionais fugindo para o sul.

Crianças são 1/3 dos feridos tratados pela Médicos Sem Fronteiras em ambulatórios de Gaza

Ele relatou que colegas foram presos, torturados ou mortos, e que os hospitais ficaram expostos, sem proteção sob o direito internacional.

Segundo relatos, quase meio milhão de residentes da Cidade de Gaza fugiram em antecipação a uma grande ofensiva terrestre israelense.

A ofensiva, parte do chamado assalto Carros de Gideão II do regime de Tel Aviv, visa colocar a cidade — a maior área urbana da Faixa de Gaza — sob ocupação total.

Ao todo, o genocídio já tirou a vida de cerca de 65.300 palestinos, em sua maioria mulheres e crianças, desde seu início em 7 de outubro de 2023.

Entre as vítimas estão mais de 1.700 profissionais de saúde, de acordo com o ministério da Saúde de Gaza.

* Reportagem publicada pela Press TV em 22/09/2025.

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