Crianças são 1/3 dos feridos tratados pela Médicos Sem Fronteiras em ambulatórios de Gaza
Segundo a base de dados do próprio exército israelense, 83% dos assassinados no Holocausto Palestino são civis
Palestinos feridos por "israel" recebem tratamento em uma clínica em Gaza, criada pela Médicos Sem Fronteiras. (Mohammed Abed/AFP/Getty Images)
Crianças com menos de 15 anos representaram quase um terço dos pacientes ambulatoriais tratados por ferimentos em hospitais de campanha administrados pela Médicos Sem Fronteiras (MSF) em Gaza no ano passado, revelam estatísticas publicadas na revista The Lancet.
Os dados foram divulgados pela MSF em correspondência com o respeitado periódico médico e provêm de seis unidades de saúde em Gaza apoiadas pela ONG médica internacional. Essas unidades estão localizadas predominantemente no sul e no centro do território devastado.
Mais de 90 mil consultas ambulatoriais envolvendo ferimentos foram realizadas nessas instalações em 2024. Bombardeios, disparos de artilharia ou tiros estiveram envolvidos em pouco menos da metade desses casos, disse a MSF.
68% dos pacientes em 2024 foram homens, 32% mulheres; 70,3% tinham mais de 15 anos e 29,6% tinham menos de 15 anos
O número de mortos no genocídio cometido pelo exército israelense desde em outubro de 2023 já ultrapassou 62 mil, de acordo com a contagem do Ministério da Saúde em Gaza, corroborada pela ONU e pelas próprias autoridades sionistas. Desses, mais da metade são mulheres ou crianças. Somando as vítimas sob os escombros, já são mais de 73 mil mortos.
A proporção pode ser ainda maior. Dados de um banco de informações sigiloso da inteligência militar israelense indicam que cinco em cada seis palestinos mortos pelas forças israelenses em Gaza eram civis, como foi revelado na semana passada.
Na segunda-feira, “israel” bombardeou duas vezes o hospital Nasser, o último hospital público em funcionamento no sul de Gaza, matando 20 pessoas, entre elas cinco jornalistas. Testemunhas disseram que o segundo ataque ocorreu justamente quando equipes de imprensa e resgate chegaram ao local, 15 minutos após a primeira explosão.
As estatísticas sobre os feridos durante o genocídio israelense têm recebido menos atenção. Mais de 150 mil pessoas foram feridas, segundo as autoridades de saúde em Gaza.
“Armas explosivas são projetadas para serem usadas em campos de batalha abertos, mas estão sendo cada vez mais utilizadas em áreas urbanas”, disse a MSF. “Os abrigos improvisados em que as pessoas vivem após deslocamentos frequentes oferecem quase nenhuma proteção contra armas explosivas, especialmente seus efeitos secundários, como a onda de choque, estilhaços e impacto incendiário.”
83% dos pacientes eram vítimas de bombardeios e 11,3% eram vítimas de tiros
Em dois hospitais da MSF, quase 60% dos ferimentos nos membros inferiores estavam relacionados a armas explosivas, frequentemente com lesões expostas em ossos, músculos ou pele, observou a organização.
A MSF afirmou: “A maioria das mortes imediatas ocorre no local do impacto e, portanto, não é registrada em nossos dados. A subnotificação tanto de ferimentos quanto de mortes pode ser prevalente em populações vulneráveis que muitas vezes não conseguem se afastar dos locais de impacto, como bebês, crianças, pessoas com deficiência e idosos.”
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As duras condições de vida em Gaza, onde grande parte da população vive em barracas improvisadas e a infraestrutura básica, como sistemas de saneamento ou estradas, foi destruída, agravam a pressão sobre as poucas unidades de saúde ainda em funcionamento no território.
Pouco mais da metade dos casos relacionados a tratamento de ferimentos registrados pela MSF foram lesões decorrentes de condições de vida inseguras, acidentes domésticos e acidentes de trânsito.
A MSF afirmou que enfrenta escassez crítica de suprimentos essenciais e que estava racionando a alimentação dos pacientes atendidos em suas unidades, limitando-a a apenas uma ou duas refeições diárias.
“É provável que, nas próximas semanas, não consigamos oferecer qualquer alimento a nossos pacientes. A MSF reitera nosso apelo por um cessar-fogo imediato e permanente… Exortamos o governo israelense a permitir diretamente e proteger a entrada de ajuda médica imparcial e irrestrita em Gaza”, disse a organização.
* Fepal, com The Guardian.
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