Soldados israelenses invadiram sua casa, mataram seu marido na frente dos filhos e a levaram para o campo de tortura
Durante o período sequestrada por "israel", mãe palestina sofreu espancamentos, choques elétricos e ameaças de morte contra seus filhos durante os interrogatórios.
Mervat Sarhan teve o marido morto na frente dos filhos, foi sequestrada, espancada e sofreu choques elétricos. (Foto: Al Jazeera)
Por Tim Hume*
A palestina Rasha Abu Sbeaka sobreviveu por pouco a dois anos da guerra genocida de Israel contra Gaza, passando por quatro bombardeios e sendo resgatada duas vezes dos escombros após um ataque.
Mas, tragicamente, mesmo após o cessar-fogo, a guerra e suas consequências ainda podem matá-la.
Abu Sbeaka desenvolveu câncer de mama em estágio 3 durante o conflito, e a destruição do setor de saúde de Gaza por Israel, combinada com o contínuo bloqueio das passagens que poderiam permitir que ela recebesse tratamento no exterior, significa que ela não consegue acessar os cuidados urgentes de que precisa para sobreviver.
Sua situação a faz sentir com frequência que está “indo morrer”, disse Abu Sbeaka. “Eu costumava abraçar e beijar meus filhos todos os dias porque achava que estava em meu leito de morte.”
Junto com a também palestina Mervat Sarhan, recentemente libertada após meses em uma prisão israelense onde afirmou ter sofrido espancamentos e choques elétricos, Abu Sbeaka contou sua história à Al Jazeera para descrever as dificuldades que os palestinos enfrentam ao tentar superar os danos infligidos pela guerra de Israel contra Gaza, mesmo após o cessar-fogo.
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“Quero que o mundo conheça nossa história”, disse ela.
Tudo “paralisado”
Falando à Al Jazeera no campo de refugiados de Nuseirat, no centro de Gaza, Abu Sbeaka disse que sua saúde foi gravemente afetada pela guerra.
Ela acredita que o câncer foi causado pelas emissões liberadas durante os bombardeios e disparos constantes de foguetes.
“Eu frequentemente tenho dificuldade para respirar”, afirmou.
Ela disse que a guerra deixou o sistema de saúde de Gaza em ruínas, o que a impede de ter acesso ao tratamento de que precisa com urgência.
“Não há tratamento médico nem alternativas por causa da guerra e das passagens fechadas”, afirmou. “Tudo aqui está paralisado.”
Além dos danos à sua saúde física, ela contou que sua situação teve um grande impacto em seu bem-estar mental, enquanto luta para encontrar um caminho que lhe permita conseguir tratamento e vencer a doença.
“Minha saúde psicológica foi completamente destruída. Eu não era assim antes. Eu costumava ser uma pessoa que amava a vida”, disse.
Pequenos grupos de pacientes em estado crítico têm sido evacuados para tratamento médico sob os auspícios da Organização Mundial da Saúde (OMS). Mas o número de evacuados é apenas uma pequena fração dos 15.000 pacientes que precisam ser retirados, entre eles 3.800 crianças, segundo a OMS.
Israel continua mantendo o posto de fronteira de Rafah, entre Gaza e o Egito, fechado, apesar de o cessar-fogo estipular que ele seria reaberto para o trânsito de pessoas. A OMS tem pedido a abertura de todas as passagens de Gaza tanto para a entrada de ajuda quanto para evacuações médicas, alertando que, no ritmo atual, essas evacuações levariam cerca de uma década.
“Os carcereiros penduravam nas celas os corpos de detentos mortos e os deixavam lá, apodrecendo”
Abu Sbeaka disse que ela e seus companheiros pacientes com câncer em Gaza estão determinados a vencer a doença, “desde que abram logo as passagens, para que possamos viajar para o exterior e receber o tratamento necessário para nos recuperarmos rapidamente”.
Marido morto diante dos filhos
Em Khan Younis, Sarhan trava sua própria batalha enquanto tenta reconstruir sua vida despedaçada após quase cinco meses de detenção israelense.
Durante o período sob custódia de Israel, ela contou ter sofrido espancamentos, choques elétricos e ameaças de morte contra seus filhos durante os interrogatórios.
O pesadelo de Sarhan, uma das duas mulheres palestinas libertadas na mais recente troca de prisioneiros sob o cessar-fogo com Israel, começou em uma manhã de maio, quando forças especiais israelenses disfarçadas de mulheres invadiram o quarto que ela compartilhava com o marido.
“Eles reviraram a casa e continuavam fazendo perguntas como: ‘Onde vocês os estão escondendo? Onde estão os cativos?’”, contou Sarhan à Al Jazeera.
Ela disse que negaram qualquer conhecimento sobre os cativos antes que os soldados israelenses matassem seu marido diante dos filhos aterrorizados.
“Então começaram a agarrar meus filhos, um por um. Continuaram destruindo os móveis. Colocaram algemas em mim e me levaram com eles.”
Ela afirmou que as forças israelenses a levaram junto com seu filho de 13 anos, deixando os filhos mais novos para trás “com o pai morto caído no chão”.
Espancamentos e choques elétricos
Sarhan relatou que, durante o interrogatório militar, foi espancada e submetida a choques elétricos enquanto os oficiais israelenses a questionavam sobre os contatos do marido.
Disseram-lhe que o filho seria libertado, mas ela foi enviada para a prisão de Ashkelon, em Israel, e mantida por um mês “em uma cela escura e solitária, imprópria para seres humanos”.
Durante esse período, foi submetida a interrogatórios diários.
“Eles chegaram a ameaçar matar meus filhos, me prender pelo resto da vida e disseram que eu nunca mais os veria”, contou.
Sarhan agora se concentra em reconstruir sua vida sem o marido, após sua libertação junto com outros prisioneiros palestinos.
Muitos dos palestinos libertados apresentavam sinais de tortura e abuso. Entre os corpos devolvidos, alguns pareciam ter sido vendados e executados pelas forças israelenses. Grupos de direitos humanos afirmam que há anos existem denúncias de tortura nas prisões israelenses.
* Jornalista, documentarista e editor premiado, com trabalhos publicados na CNN, The Guardian e Time. Reportagem publicada na Al Jazeera em 26/10/2025.
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