“Sua mãe foi estuprada”: “israel” usa tortura sexualizada contra crianças sequestradas
Enquanto a mídia ocidental só se preocupava com qualquer alegação de sofrimento mínimo de cativos israelenses, milhares de palestinos eram submetidos a abusos sistemáticos, 24 horas por dia (e continuam sendo...)
Faris Ibrahim Faris Abu Jabal, de 16 anos de idade, sofreu profundamente com as torturas psicológicas sobre o estupro e execução de sua mãe. (Foto: Cortesia da família)
Por Robert Inlakesh*
No mês passado, uma série de relatos chocantes de estupro e tortura extrema foi publicada por organizações de direitos humanos, apenas para ser ignorada pela grande mídia ocidental. Entre as novas evidências divulgadas desses crimes hediondos estava o caso de uma mulher palestina de 42 anos que testemunhou ter sido brutalmente estuprada três vezes por soldados israelenses, conforme documentado pelo Centro Palestino de Direitos Humanos (PCHR).
No entanto, um relatório que parece ter passado despercebido desde sua publicação, em 13 de novembro — inclusive na mídia independente — veio da organização de direitos humanos Defense for Children International–Palestine (DCIP), tratando do sequestro de três meninos palestinos que buscavam ajuda em meio à fome em Gaza.
Tortura israelense de crianças palestinas
O sequestro e a prisão de crianças pelas forças de ocupação israelenses não são, de forma alguma, um fenômeno novo. A prática é rotineira e já afetou palestinos com apenas 12 anos de idade.
Embora o ato de sequestrar violentamente crianças e aprisioná-las sem acusação seja uma clara violação do direito internacional, devido à impunidade com que o Exército israelense tem agido por décadas, essa prática tornou-se comum. O que mudou desde 7 de outubro de 2023 foi a criação de campos militares de tortura, como a instalação de detenção de Sde Teiman, onde foram cometidos os casos mais infames de estupros coletivos e tortura sexualizada.
Ao contrário do sistema prisional israelense, Sde Teiman e instalações semelhantes são operadas por soldados, e não por agentes penitenciários, e foram construídas para manter milhares de civis de Gaza em cativeiro. Nenhuma das pessoas mantidas nesses locais é acusada de qualquer crime alegado, e quase não há como saber quantos prisioneiros ainda permanecem detidos. As famílias de centenas de cativos libertados em setembro, que haviam sido mantidos em Sde Teiman, acreditavam que eles tinham sido mortos.
O recente relatório da DCIP concentra-se nos casos de três meninos: Faris Ibrahim Faris Abu Jabal, de 16 anos, Mohammad Nael Khamis al-Zoghbi e Mahmoud Hani Mohammad al-Majayda, ambos de 17 anos.
O caso de Faris é talvez o mais aterrador, deixando-o com problemas psicológicos apesar de sua libertação. Em 11 de setembro, Faris foi sequestrado enquanto procurava ajuda humanitária perto do Corredor de Morag.
Ao ser capturado sob a mira de armas, o adolescente teve as mãos amarradas antes de ser submetido a interrogatório e espancamentos severos. Em seguida, foi forçado a ficar de mãos e joelhos, posição a partir da qual um soldado israelense “bateu na minha testa com tanta força que ela se abriu e precisou de pontos”, conforme ele testemunhou.
Faris foi então vendado, jogado em um buraco no chão e espancado até a manhã. Na manhã seguinte, o menino foi levado ao posto de passagem de Karem Abu Salem e forçado a se despir completamente, antes de ser transportado para o centro de tortura de Sde Teiman. Inicialmente, a criança ficou com adultos em uma cela por quatro dias, antes de ser transferida para uma cela destinada a crianças, onde estavam presas outras sete.
Durante todo esse processo, Faris foi espancado, amarrado a uma cadeira, privado de água e comida e até impedido de ir ao banheiro. “Eu frequentemente perdia o controle da bexiga durante o interrogatório”, afirmou.
Depois disso, Faris recordou ter sido transferido para o que é sinistramente chamado de “sala da discoteca”, onde os prisioneiros são trancados em uma cela e submetidos a horas intermináveis de música hebraica em volume altíssimo, transmitida por grandes alto-falantes. Essa técnica foi usada de forma infame na prisão de Guantánamo para quebrar psicologicamente os detentos. Ali, foi usada contra crianças inocentes.
Enquanto Faris estava dentro da sala, percebeu que um soldado, do lado de fora, jogava no celular. Faris viu que o soldado reagia quando estava perdendo no jogo: “Na frustração, ele abria a porta e descarregava um espancamento brutal em mim, batendo aleatoriamente. Permaneci naquela sala até o fim do dia, suportando inúmeras agressões, incluindo ter a cabeça batida contra a parede, ser chutado e ter o cabelo puxado.”
Tortura sexualizada
Em seguida, veio uma forma chocante de abuso psicológico. Um soldado israelense mostrou ao jovem Faris uma foto falsa e sexualizada de sua mãe, deitada em uma “posição comprometedora” ao lado de um soldado israelense. Faris descreveu o incidente da seguinte forma:
“‘Olhe o que nossos soldados fizeram com sua mãe’, provocou o carcereiro. Na imagem, minha mãe estava deitada ao lado de um soldado. Eu conseguia ver o cabelo dela. ‘Você quer ir ver sua mãe? Nossos soldados estupraram e mataram sua mãe e suas irmãs.’”
Faris descreveu ter sido “suspenso no ar por uma semana inteira” após esse episódio:
“Eles amarraram minhas mãos acima da cabeça e minhas pernas abaixo, cada uma com uma algema separada, me erguendo cerca de um metro do chão… Ocasionalmente, eles batiam nas minhas pernas. Eu me urinava com frequência naquele período. Eles me batiam com cassetetes nas pernas e lançavam insultos vulgares contra mim, como filho da puta e outros termos que prefiro não repetir.”
O relatório da DCIP afirmou: “Cada criança entrevistada pela DCIP após a libertação da custódia militar israelense relatou tortura brutal e desumanizante, condições insalubres que levaram a sarna e surtos infecciosos, comida estragada e escassa, espancamentos constantes e atos de humilhação por parte das forças israelenses, além de tratamento destinado a destruir sua dignidade e extrair confissões falsas.”
Os outros dois menores também foram submetidos a diversas formas de tortura e espancamentos rotineiros, incluindo o uso de bastões, ataques com cães, choques elétricos e granadas de atordoamento durante invasões às suas celas.
Hipocrisia midiática
Apesar de não haver evidências de tortura de detentos israelenses mantidos em Gaza, seus casos receberam cobertura ininterrupta na mídia israelense, com seus nomes estampados nas capas dos principais jornais e relatórios investigativos inteiros publicados, alegando abusos.
Enquanto isso, à medida que a mídia ocidental estava obsessiva com qualquer alegação de sofrimento mínimo de cativos israelenses, milhares de palestinos eram submetidos a abusos sistemáticos e contínuos. Isso inclui inúmeros casos de estupro e tortura sexualizada, inclusive contra mulheres e crianças.
Apesar de se tratar de uma das mais horripilantes campanhas coordenadas de tortura e estupro em massa cometidas na memória recente, a mídia e os líderes políticos do Ocidente decidiram ignorá-la quase por completo.
* Robert Inlakesh é jornalista, escritor e documentarista. Ele se concentra no Oriente Médio, com especialização na Palestina. Artigo publicado em 11/12/2025 no The Palestine Chronicle.
Notícias em destaque
Massacre: soldados israelenses mataram trabalhadores humanitários em Gaza à queima-roupa
Por Sharif Abdel Kouddous* Soldados israelenses dispararam quase mil tiros [...]
LER MATÉRIAEpstein ajudou “israel” a manipular Acordos de Oslo através do governo norueguês, indicam revelações
Por Synne Furnes Bjerkestrand* A Noruega sempre se elogiou por seu papel na [...]
LER MATÉRIA‘De volta do inferno’: entidade de monitoramento da imprensa expõe tortura de jornalistas palestinos por “israel”
Por Elis Gjevori* Jornalistas palestinos detidos por Israel descreveram [...]
LER MATÉRIAEpstein ajudou “israel” a exportar para a África tecnologia usada em Gaza
Por Murtaza Hussain e Ryan Grim* No ano anterior à morte suspeita de [...]
LER MATÉRIAGoverno israelense instalou e manteve sistema de segurança em apartamento de Epstein
Por Ryan Grim e Murtaza Hussain* O governo israelense instalou equipamentos [...]
LER MATÉRIA“israel” se prepara para executar prisioneiros palestinos por enforcamento
Por Monjed Jadou* Dezenas de prisioneiros palestinos morreram em prisões [...]
LER MATÉRIA