“Um dos cães inseriu o pênis no meu ânus e me estuprou”: novos relatos mostram o sadismo nos campos de tortura israelenses

Centro Palestino para os Direitos Humanos documenta um dos crimes mais hediondos que podem ser cometidos contra seres humanos e sua dignidade na era moderna, realizados por "israel" durante a campanha genocida contra Gaza

11/11/2025

Forças de segurança israelenses prendem um palestino durante um protesto. [Foto: Ammar Awad/Reuters]

AVISO: esta reportagem contém relatos detalhados e explícitos de estupros extremamente violentos contra mulheres, homens e jovens. Alertamos que sua leitura pode ser perturbadora e causar um forte impacto emocional.

Nas últimas semanas, a equipe do Centro Palestino para os Direitos Humanos (PCHR) coletou novos testemunhos de vários detidos palestinos da Faixa de Gaza que foram recentemente libertados de prisões e campos de detenção israelenses. Esses relatos revelam uma prática organizada e sistemática de tortura sexual, incluindo estupro, presos forçados a ficarem nus, filmagens forçadas, agressão sexual com uso de objetos e cães, além de humilhação psicológica deliberada, destinada a destruir a dignidade humana e apagar completamente a identidade individual.

O PCHR afirma que os testemunhos não refletem incidentes isolados, mas constituem uma política sistemática praticada no contexto do crime contínuo de genocídio contra mais de dois milhões de palestinos na Faixa de Gaza, incluindo milhares de detidos mantidos em prisões e campos militares fechados a organismos internacionais de monitoramento, como o Comitê Internacional da Cruz Vermelha.

Os testemunhos documentados por advogados e pesquisadores de campo do PCHR contêm relatos aterradores sobre casos de estupro perpetrados pelo exército israelense contra civis palestinos, incluindo mulheres, que foram presas em diferentes áreas da Faixa de Gaza nos últimos dois anos. Esses depoimentos indicam que as prisões foram realizadas sem qualquer justificativa legal, além do fato de as vítimas serem residentes de Gaza, como parte de uma política de punição coletiva destinada a humilhar os palestinos e causar-lhes o máximo de sofrimento psicológico e físico. Essas práticas fazem parte do crime contínuo de genocídio contra o povo palestino na Faixa.

Entre esses casos está o de N.A., uma mulher palestina de 42 anos e mãe, que foi presa apenas por passar por um posto de controle israelense instalado no norte de Gaza em novembro de 2024. Em sua declaração à equipe do PCHR, N.A. relatou múltiplas formas de tortura e violência sexual, incluindo ter sido estuprada quatro vezes por soldados israelenses, repetidamente insultada com obscenidades, despida e filmada nua, eletrocutada e espancada por todo o corpo. Ela contou ao advogado do PCHR:

“Ao amanhecer, ouvi os soldados gritando, dizendo que as orações matinais estavam proibidas, e acho que era o quarto dia após minha prisão em Gaza. Os soldados me levaram a um lugar que não conhecia porque meus olhos estavam vendados e ordenaram que eu tirasse a roupa. Eu obedeci. Colocaram-me sobre uma mesa de metal, pressionaram meu peito e minha cabeça contra ela, algemaram minhas mãos à extremidade da cama e forçaram a abrir minhas pernas. Senti um pênis penetrar meu ânus e um homem me estuprando. Comecei a gritar, e eles me bateram nas costas e na cabeça enquanto eu estava vendada. Senti o homem que me estuprava ejacular dentro do meu ânus. Continuei gritando e sendo espancada, e ouvi uma câmera — acredito que estavam me filmando. O estupro durou cerca de 10 minutos. Depois disso, deixaram-me por uma hora na mesma posição, com as mãos algemadas à cama, o rosto sobre o colchão, os pés no chão, completamente nua.

De novo, após uma hora, fui novamente estuprada na mesma posição, com penetração vaginal, enquanto era espancada e gritava. Havia vários soldados; ouvi suas risadas e o clique da câmera tirando fotos. Esse estupro foi rápido e não houve ejaculação. Durante o estupro, bateram em minha cabeça e costas com as mãos.

Não consigo descrever o que senti; desejei a morte a cada momento. Depois, fiquei sozinha na mesma sala, ainda algemada e sem roupas por muitas horas. Ouvi os soldados do lado de fora falando em hebraico e rindo. Mais tarde, fui novamente estuprada pela vagina. Gritei, mas eles me batiam sempre que eu tentava resistir. Após mais de uma hora — não sei ao certo — um soldado mascarado entrou, retirou minha venda, levantou a máscara do rosto; ele tinha pele clara e era alto. Perguntou se eu falava inglês; respondi que não. Disse que era russo e ordenou que eu masturbasse seu pênis. Recusei, e ele me deu um soco no rosto depois de me estuprar.

Naquele dia, fui estuprada duas vezes. Fiquei nua o dia inteiro na sala onde passei três dias. No primeiro dia, fui estuprada duas vezes; no segundo, duas vezes; no terceiro, permaneci sem roupas enquanto me olhavam pela fresta da porta e me filmavam. Um soldado disse que postariam minhas fotos nas redes sociais. Enquanto estava na sala, minha menstruação começou; então mandaram que eu vestisse roupas e me transferiram para outra sala.”

Em outro caso, A.A., um palestino de 35 anos e pai, foi preso no Hospital Al-Shifa, na Cidade de Gaza, em março de 2024. Ele contou ao pesquisador de campo do PCHR sobre a tortura brutal que sofreu durante 19 meses de detenção, incluindo despimento forçado, insultos obscenos, ameaças de estupro contra ele e sua família, culminando em seu estupro por um cão treinado dentro do campo militar de Sde Teiman. Ele relatou:

“Fui levado a uma seção que não conhecia dentro de Sde Teiman. Nas primeiras semanas ali, em meio a operações de repressão repetidas, fui levado com um grupo de detidos de forma degradante a um local longe das câmeras — uma passagem entre seções. Fomos totalmente despidos. Os soldados trouxeram cães que subiram sobre nós e urinaram em mim. Então, um dos cães me estuprou — o cão fez isso deliberadamente, sabendo exatamente o que fazia, e inseriu seu pênis no meu ânus, enquanto os soldados nos espancavam e torturavam, borrifando spray de pimenta em nossos rostos. O ataque do cão durou cerca de três minutos; a repressão geral durou cerca de três horas. Por causa das agressões, todos sofremos ferimentos pelo corpo. Tive um colapso psicológico severo e profunda humilhação; perdi o controle, pois jamais imaginei passar por algo assim. Depois, um médico costurou um ferimento em minha cabeça causado pela tortura — sete pontos sem anestesia. Também sofri hematomas, fraturas nos membros e uma fratura na costela.”

T.Q., um palestino de 41 anos e pai, foi preso enquanto estava deslocado no Hospital Kamal Adwan em dezembro de 2023. Foi submetido a tortura sexual durante 22 meses de detenção israelense, incluindo insultos obscenos, ameaças de trazer sua esposa para ser estuprada diante dele e estupro com um objeto de madeira. Em seu depoimento ao pesquisador do PCHR, ele disse:

Um dos soldados me estuprou introduzindo violentamente um bastão de madeira em meu ânus. Após cerca de um minuto, retirou e o introduziu novamente com mais força, enquanto eu gritava alto. Depois de outro minuto, tirou o bastão e me obrigou a abrir a boca e colocá-lo dentro para lambê-lo. De tanta angústia, perdi a consciência por alguns minutos, até que uma oficial mulher entrou e os forçou a parar de me bater. Ela desamarrou minhas mãos, deu-me um macacão branco para vestir e um copo de água, que bebi. Senti sangue escorrendo do ânus e pedi para ir ao banheiro. Ela me deu lenços e fui até um vaso plástico ali. Tiraram minha venda; quando limpei o ânus, havia sangue. Depois que o sangramento parou, vesti novamente o macacão branco. Assim que saí, colocaram a venda de novo e amarraram minhas mãos atrás das costas com abraçadeiras plásticas. Fui então levado a uma sala com vários detidos, onde fiquei cerca de oito horas, durante as quais os soldados voltavam periodicamente para nos espancar e insultar brutalmente.”

O PCHR também documentou o testemunho de M.A., de 18 anos, que foi novamente preso este ano perto de um ponto de distribuição de ajuda humanitária administrado pela Fundação Humanitária de Gaza, depois de já ter sido detido e libertado anteriormente. Ele contou ao pesquisador do PCHR que foi agredido sexualmente quando soldados o estupraram com uma garrafa introduzida à força em seu ânus — prática repetida contra ele e outros detidos palestinos. Ele disse:

Os soldados ordenaram que eu e outros seis detidos nos ajoelhássemos, e nos estupraram introduzindo uma garrafa no ânus, empurrando-a e puxando-a. Isso aconteceu comigo quatro vezes, com cerca de dez movimentos de vai e vem a cada vez. Eu gritava, e os outros também. Das quatro vezes, duas foram só comigo e duas em grupo — uma com seis pessoas, outra com doze. Vi o que faziam com os outros enquanto faziam comigo, e percebi que era uma garrafa. Havia também um cão atrás de nós, como se o cão nos estuprasse. Violentaram nossa dignidade, destruíram nosso espírito e nossa esperança de viver. Eu queria continuar meus estudos; agora estou perdido depois do que me aconteceu.”

O PCHR observa que, em maio de 2025, publicou um relatório detalhado, baseado em testemunhos de 100 detidos libertados, sobre os métodos brutais de tortura, tratamento degradante e condições desumanas de detenção enfrentadas por prisioneiros em prisões e campos israelenses. O relatório concluiu que o tratamento imposto pelo exército, pelos serviços de inteligência e pelo Serviço Prisional de Israel não apenas preenche os elementos de tortura segundo o direito internacional, mas também alcança o nível de genocídio, em especial pelos seguintes atos genocidas: (1) causar graves danos físicos ou mentais aos membros do grupo; e (2) infligir deliberadamente ao grupo condições de vida calculadas para provocar sua destruição física total ou parcial.

Diante desses graves crimes contra detidos palestinos, o PCHR apela à comunidade internacional — incluindo os Estados Partes da Convenção da ONU contra a Tortura e da Convenção da ONU para a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio, o Secretário-Geral da ONU, os Procedimentos Especiais da ONU e todas as instituições relevantes de direitos humanos e humanitárias — para que tomem medidas imediatas a fim de pôr fim à política sistemática de tortura e desaparecimento forçado de detidos palestinos. O PCHR insta ações concretas para pressionar Israel a libertar todos os palestinos detidos arbitrariamente, revelar o paradeiro de todas as pessoas desaparecidas à força e permitir ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha acesso imediato e irrestrito a todas as instalações de detenção.

O PCHR também alerta que milhares de detidos palestinos correm risco de morte certa, uma vez que, em 3 de novembro de 2025, o Comitê de Segurança Nacional do Knesset aprovou um projeto de lei permitindo a aplicação da pena de morte a prisioneiros palestinos. Segundo a documentação do PCHR, Israel obteve inúmeras confissões forçadas de prisioneiros em decorrência da tortura e das ameaças que sofreram, o que significa que a pena de morte poderia ser aplicada a todos os detidos restantes em prisões e campos, resultando em execuções em massa em flagrante violação do direito humanitário internacional e dos direitos humanos.

O PCHR também apela à comunidade internacional, à Autoridade Palestina, às autoridades competentes na Faixa de Gaza e a todas as instituições internacionais e locais para que forneçam proteção imediata e cuidados psicológicos e médicos abrangentes às vítimas e sobreviventes de tortura, garantindo a confidencialidade de suas identidades e sua segurança.

* Fepal, com PCHR.

Notícias em destaque

24/02/2026

Massacre: soldados israelenses mataram trabalhadores humanitários em Gaza à queima-roupa

Por Sharif Abdel Kouddous* Soldados israelenses dispararam quase mil tiros [...]

LER MATÉRIA
23/02/2026

Epstein ajudou “israel” a manipular Acordos de Oslo através do governo norueguês, indicam revelações

Por Synne Furnes Bjerkestrand* A Noruega sempre se elogiou por seu papel na [...]

LER MATÉRIA
20/02/2026

Epstein ajudou “israel” a exportar para a África tecnologia usada em Gaza

Por Murtaza Hussain e Ryan Grim* No ano anterior à morte suspeita de [...]

LER MATÉRIA
19/02/2026

Governo israelense instalou e manteve sistema de segurança em apartamento de Epstein

Por Ryan Grim e Murtaza Hussain* O governo israelense instalou equipamentos [...]

LER MATÉRIA
18/02/2026

“israel” se prepara para executar prisioneiros palestinos por enforcamento

Por Monjed Jadou* Dezenas de prisioneiros palestinos morreram em prisões [...]

LER MATÉRIA