18 de março de 2025: o dia em que 183 crianças em Gaza foram exterminadas por “israel”
Gerações inteiras de famílias foram dizimadas durante ataques mortais na terça-feira, enquanto "israel" parecia deliberadamente atingir a refeição do suhoor durante o Ramadã.
Crianças palestinas observam o local de um ataque israelense a um prédio residencial na Cidade de Gaza em 19 de março de 2025 (Reuters/Dawoud Abu Alkas).
Por Rayhan Uddin*
Algo que diferencia o Ramadã de outras épocas do ano é a mudança na rotina.
Isso inclui acordar para o suhoor, uma refeição antes do amanhecer que os muçulmanos fazem para se prepararem para o jejum.
Famílias, às vezes incluindo crianças, se levantam juntas durante o mês sagrado para comer o suhoor e realizar as orações do Fajr (amanhecer).
Na terça-feira (18), centenas de palestinos em Gaza foram mortos por bombas israelenses nessas primeiras horas do suhoor.
Alguns estavam acordados, comendo com suas famílias. Outros estavam dormindo em campos de deslocamento improvisados enquanto a comida era preparada.
Gerações inteiras de famílias foram dizimadas juntas pelos ataques devastadores de Israel.
“Pessoas foram mortas enquanto dormiam. Mulheres foram mortas enquanto preparavam refeições”, disse Rachael Cummings, da Save the Children, que está atualmente em Deir al-Balah, no centro de Gaza, ao Middle East Eye.
“Nenhum aviso de evacuação foi dado”, disse Cummings. “Este foi um bombardeio completo em toda a Gaza.”
O momento foi, aparentemente, deliberado: Israel lançou um ataque surpresa nas primeiras horas da manhã porque acreditava que “membros do Hamas” estariam presentes nas refeições do suhoor.
Autoridades israelenses continuam insistindo que os comandantes e a infraestrutura do Hamas eram os alvos da onda de ataques.
Mas, dos 436 massacrados na terça-feira, mais de 180 eram crianças.
“Eu não perco muito tempo me preocupando com quem o exército israelense diz que foram os alvos em ataques como este”, afirmou Miranda Cleland, da Defence for Children International Palestine (DCIP), ao MEE.
“Em vez disso, olhe para as evidências: 183 crianças mortas, representando quase metade do número de mortos daquele dia, me dizem que esta é uma guerra contra crianças”, acrescentou.
“Dezoito mil crianças mortas desde 7 de outubro de 2023 me dizem que esta é uma guerra contra crianças, independentemente do que o exército israelense diga.”
A terça-feira marcou um dos maiores números de mortes de crianças em um único dia na história de Gaza, de acordo com a DCIP, que documenta essas fatalidades no enclave desde 2000.
Nos últimos 17 meses de guerra, a DCIP monitorou os números de mortes de crianças fornecidos pelo ministério da saúde de Gaza e não se lembra de um dia tão mortal quanto 18 de março de 2025.
“Gaza é um cemitério de crianças”
Entre as crianças mortas estavam Omar al-Jamassi, 15 anos, e sua irmã Layan, 16 anos. Eles foram mortos junto com sua mãe e irmãos.
Layan estava animada para começar o novo ano escolar na terça-feira de manhã. Ela foi morta por um ataque aéreo israelense horas antes do início das aulas.
Ela e Omar frequentavam uma escola em tendas montada como parte do projeto Gaza Great Minds.
“Eles estavam sempre sorrindo e espalhando felicidade por onde passavam”, declarou Ahmad Abu Rizik, fundador do projeto.
Leia também:
Os nomes e rostos das crianças mortas por “israel” no ataque de terça em Gaza
Cummings disse que crianças e bebês correm mais risco de morrer em ataques aéreos.
“Os riscos para as crianças neste contexto são extraordinários”, apontou. “Por serem tão pequenas, elas têm menos sangue, então morrem com muito mais frequência por ferimentos causados por explosões.”
Quase metade da população de Gaza são crianças, tornando-a um dos territórios mais jovens do mundo.
“Gaza se tornou um cemitério de crianças”, opinou Ammar Ammar, da Unicef, agência de ajuda da ONU para crianças, ao MEE.
“Crianças foram mortas, feridas, soterradas sob escombros, congeladas e mortas de fome, além de muitos outros horrores que nenhuma criança deveria ser submetida.”
“Marcas do trauma”
Para as crianças que sobreviveram aos 18 meses de guerra de Israel até agora, elas enfrentaram deslocamento e privação de necessidades básicas.
A Unicef estima que todas as um milhão de crianças de Gaza precisam de apoio psicossocial e de saúde mental.
“Nenhuma criança sairá dos horrores de meses de bombardeios implacáveis sem as marcas do trauma”, ressaltou Ammar.
Há mais de duas semanas, Israel bloqueou a entrada de todos os caminhões de ajuda no enclave. A eletricidade foi cortada na semana passada.
Ammar disse que isso deixou muitas famílias lutando para fornecer comida e água potável suficientes para seus filhos.
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“Crianças estão morrendo de condições evitáveis, como desnutrição, desidratação e hipotermia, devido ao cerco de Israel a Gaza e à destruição em massa de casas e do sistema de saúde”, destacou Cleland.
Ela acrescentou que os ataques israelenses deixaram menores com deficiências permanentes, sem cuidados adequados, próteses ou fisioterapia.
Em relação ao ataque de terça-feira, ativistas são claros: Israel tem obrigações de proteger as crianças.
“As crianças gozam de proteção especial tanto sob a lei humanitária internacional quanto sob a lei internacional de direitos humanos. Elas nunca devem ser um alvo”, disse Ammar.
Cleland acrescentou: “os ataques de ontem não foram apenas uma violação do acordo de trégua negociado, mas uma violação do direito humanitário internacional, que proíbe ataques indiscriminados.
“Bombardear áreas civis densamente povoadas é, por definição, indiscriminado.”
* Reportagem publicada em 19/03/2025 no Middle East Eye.
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