Venda de armas da França para “israel” bate recorde em pleno Holocausto Palestino

País governado por Emmanuel Macron exportou mais armas para "israel" matar palestinos do que qualquer outro ano desde 2017

05/09/2025

Emmanuel Macron, presidente da França (à esquerda) cumprimenta o primeiro-genocida de "israel", Benjamin Netanyahu (à direita)

As exportações de armas francesas para Israel em 2024 atingiram um valor não visto em oito anos, em meio a um aumento significativo das vendas de armas francesas globalmente, segundo o Mediapart.

O veículo de mídia francês obteve o relatório de exportações de armas de 2025 do Ministério da Defesa, que ainda não foi tornado público.

O documento mostra que, em 2024, a França “assinou seu segundo melhor desempenho histórico” no mundo, com 21,6 bilhões de euros em encomendas, e que Israel está entre os Estados que registraram um ano recorde de compras de armas francesas.

Segundo o relatório, as encomendas de Israel totalizaram 27,1 milhões de euros em 2024, um montante não visto desde 2017.

Além dessas encomendas, as entregas a Israel somaram 16,1 milhões de euros, uma cifra em linha com a média dos últimos dez anos.

O relatório também indica que, embora o número de licenças concedidas para exportar armas a Israel tenha caído de 75 em 2023 para 50 em 2024, o valor autorizado mais do que dobrou, de 176,2 milhões de euros para 387,8 milhões de euros.

A questão das vendas de armas francesas a Israel tem sido altamente controversa desde o início do genocídio de Israel em Gaza, que já matou mais de 64 mil palestinos até agora.

A mídia investigativa e ONGs têm reiteradamente apontado para as entregas de equipamentos militares franceses a Israel apesar de seu genocídio em curso, enquanto parlamentares acusam o governo de falta de transparência e de supervisão parlamentar sobre o assunto.

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As justificativas repetidas do ministério são reiteradas no relatório: “No contexto da guerra em Gaza, a França não está entregando armas a Israel, mas exportando componentes destinados especificamente à integração em sistemas defensivos ou à reexportação para países terceiros.”

“Dois terços dessas encomendas correspondem a componentes que serão integrados em equipamentos reexportados a países terceiros, em consonância com o aumento da demanda generalizada por equipamentos de defesa e com a posição global da indústria israelense.”

Em março, em resposta por escrito a um senador comunista, o ministro da Defesa, Sébastien Lecornu, escreveu que a “parte muito pequena das exportações que de fato se destina às forças armadas israelenses” consiste em equipamentos de defesa aérea destinados ao sistema antimísseis Domo de Ferro israelense.

O ministro desclassificou um documento em junho para sustentar suas declarações.

“Essenciais para operações terrestres”

No relatório de 2025, o ministério minimiza o aumento das encomendas israelenses, que representam apenas “0,13% do total de encomendas registradas”.

Em comparação, as encomendas de armas francesas corresponderam a US$ 1,25 bilhão para o Iraque, US$ 718 milhões para os Emirados Árabes Unidos e US$ 170 milhões para a Arábia Saudita.

Quanto às licenças aprovadas pelo Estado — o sistema pelo qual o governo pode assegurar que as vendas estejam em conformidade com os compromissos internacionais da França em matéria de controle de armas e não proliferação, inclusive estipulando condições —, o ministro justifica sua duplicação para Israel pela “necessidade de autorizar, como ocorre aproximadamente a cada três anos, um fluxo de componentes de munição que serão reexportados para a França a fim de atender necessidades nacionais”.

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Em 2024, foram concedidas a Israel duas licenças no valor de 122 milhões de euros na categoria ML3 (“munições e dispositivos de ajuste de foguetes”), seis licenças no valor de 6,4 milhões de euros para equipamentos ML5 (“equipamentos de controle de tiro, vigilância e alerta”) e três licenças, no valor de 5 milhões de euros, na categoria M15 (“equipamentos de imagem ou contramedidas”).

Aymeric Elluin, responsável pela defesa de temas relacionados a armas na Anistia Internacional França, disse ao Mediapart que “esses equipamentos de imagem e de controle de tiro são essenciais para a condução de operações terrestres”.

O relatório indica que, em 2024, a França recusou explicitamente ou implicitamente 54 pedidos de licença, sem especificar para cada país, segundo o Mediapart. As licenças não resultam automaticamente em uma encomenda ou entrega.

Embora a França seja signatária de diversos textos que proíbem a entrega de armas caso exista risco de que possam ser usadas para cometer crimes de guerra, Paris mostra-se impermeável às demandas vindas da sociedade civil por impor um embargo total às vendas de armas a Israel, ao contrário do que faz em relação a países como Rússia e Irã.

Ativistas acreditam, no entanto, que a proibição das vendas de armas seria uma forma mais significativa de exercer pressão sobre Israel para encerrar a guerra do que o anúncio de Paris de que reconhecerá o Estado da Palestina na Assembleia Geral da ONU ainda este mês.

* Reportagem publicada no Middle East Eye em 05/09/2025.

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