“israel” usa fósforo branco contra civis no Líbano

As Forças Armadas israelenses utilizam fósforo branco pelo menos desde agressão de 2008–2009 a Gaza, quando o agente químico foi lançado sobre bairros densamente povoados em violação do direito internacional.

08/06/2026

O exército israelense bombardeia aldeias próximas a Nabatieh com bombas de fósforo, em 26 de outubro de 2024. [Getty]

As Forças Armadas israelenses utilizaram fósforo branco — um agente químico que causa queimaduras graves e problemas respiratórios — em áreas civis do Líbano durante sua ofensiva em curso no sul do país, segundo uma nova análise.

Uma investigação do The New York Times sobre imagens publicadas no sábado constatou que o agente químico foi utilizado em várias áreas do sul do Líbano, incluindo os arredores das principais cidades de Tiro e Nabatieh, nas últimas semanas.

O fósforo branco é normalmente usado para criar cortinas de fumaça e iluminar campos de batalha, mas também pode ser empregado como arma incendiária devido à sua combustão em temperaturas extremamente elevadas.

Essas munições não são proibidas de forma geral, mas seu uso em áreas povoadas é ilegal devido à sua natureza indiscriminada, o que provavelmente coloca Israel em violação do direito internacional.

Imagens transmitidas pela televisão registraram o uso de munições com uma trilha de fumaça característica na cidade de Arnoun na semana passada, enquanto as forças israelenses avançavam para tomar o controle do Castelo de Beaufort, localizado nas proximidades.

O Times também verificou imagens de seu uso nas proximidades das cidades de maioria xiita de Khiam e Yohmor, bem como da aldeia cristã de Qlayaa.

Especialistas em munições que analisaram as imagens concluíram que elas mostravam projéteis liberando fósforo em combustão após detonarem no ar.

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A organização de monitoramento de direitos humanos Human Rights Watch também documentou o uso de fósforo branco durante a atual fase dos combates, relatando em março que Israel havia utilizado ilegalmente o agente químico em Yohmor.

As Forças Armadas israelenses negaram ter usado fósforo branco em seus projéteis de geração de fumaça.

As forças israelenses lançaram uma invasão em grande escala do sul do Líbano em março, após o Hezbollah começar a disparar foguetes através da fronteira na sequência do ataque dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.

Israel realizou bombardeios ininterruptos contra áreas de maioria xiita e despovoou extensas regiões do sul. A maioria das cidades xiitas próximas à fronteira israelense foi arrasada após ser capturada pelas forças israelenses, incluindo Khiam e Yohmor.

O que é fósforo branco?

O fósforo branco é um composto químico sólido disparado por projéteis de artilharia e bombas que entra em combustão ao entrar em contato com o oxigênio.

O agente químico queima a mais de 800 graus Celsius, emitindo densas nuvens de fumaça utilizadas para fins táticos pelos militares.

O calor intenso provoca queimaduras graves quando entra em contato com pessoas e pode desencadear incêndios que duram dias no solo, destruindo edifícios e danificando terrenos. A fumaça pode causar danos permanentes aos olhos e aos órgãos internos quando inalada.

Embora o agente químico possa ser utilizado no solo, as forças militares frequentemente detonam essas munições no ar, espalhando a substância tóxica por uma área mais ampla. Isso torna seu uso especialmente perigoso em áreas povoadas.

Israel e o fósforo branco

As Forças Armadas israelenses utilizam fósforo branco pelo menos desde agressão de 2008–2009 a Gaza, quando o agente químico foi lançado sobre bairros densamente povoados em violação do direito internacional.

A Human Rights Watch documentou o uso de cerca de 200 munições durante o conflito de três semanas, causando dezenas de vítimas civis.

Embora tenha prometido interromper seu uso em 2013, Israel voltou a empregar o agente químico no Líbano desde que a guerra com o Hezbollah começou após o ataque de 7 de outubro de 2023.

Um relatório da Human Rights Watch de 2024 documentou seu uso generalizado no Líbano. A organização verificou sua utilização em pelo menos 17 municípios entre outubro de 2023 e junho de 2024 e instou as Forças Armadas israelenses a cessarem imediatamente seu emprego.

Em dezembro de 2023, o The Washington Post informou que parte das munições utilizadas no sul do Líbano havia sido fornecida a Israel pelos Estados Unidos.

* Com NYT e The New Arab.

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