Como “israel” estrangula a educação cristã em Jerusalém
Mais de 230 professores de escolas cristãs foram impedidos de entrar em Jerusalém por meio de políticas restritivas de autorizações, expondo uma estratégia israelense mais ampla para minar a educação palestina e a presença religiosa na cidade.
Uma das 15 escolas cristãs palestinas de Jerusalém, que enfrenta restrições israelenses crescentes à educação e ao acesso. (Foto: Vatican News)
Por Fayha Shalash*
Escolas cristãs em Jerusalém realizaram uma greve de uma semana para protestar contra o que descreveram como restrições sistemáticas e deliberadas impostas por Israel.
Israel impediu que mais de 230 professores da Cisjordânia obtivessem autorizações para entrar em Jerusalém e desempenhar normalmente seu trabalho nessas escolas.
Essas restrições não se limitam às autorizações nem às escolas cristãs. As autoridades israelenses há muito tempo vêm obstruindo a educação na cidade por meio de múltiplos mecanismos, sobretudo impedindo a construção de novas salas de aula, realizando incursões frequentes em escolas, prendendo e revistando estudantes e professores, fechando algumas escolas sob diversos pretextos e impedindo a renovação de seus prédios.
Há 15 escolas cristãs em Jerusalém, que educam mais de 12.000 estudantes da cidade. Elas são consideradas entre as mais antigas e prestigiadas.
Desde 2002, quando Israel ergueu o muro do apartheid ao redor de Jerusalém, os palestinos da Cisjordânia passaram a ser impedidos de entrar na cidade, salvo mediante uma autorização especial. Essa autorização é concedida apenas a categorias específicas, como certos pacientes, trabalhadores ou funcionários, e por um período muito limitado.
Cristãos palestinos, dizimados pelo genocídio sionista de “israel”
Obstrução deliberada
Mais de 230 professores de Belém, que trabalham em escolas cristãs em Jerusalém desde antes da construção do muro do apartheid, agora são obrigados a obter autorizações especiais para continuar exercendo seu trabalho.
Richard Zananiri, diretor da Bishop’s School em Jerusalém, disse-nos que foram surpreendidos pela recusa de Israel em conceder as autorizações necessárias a um grande número de professores. Isso desorganizou o ano letivo e forçou as escolas cristãs a fechar suas portas em protesto contra essa nova e punitiva medida israelense.
O segundo semestre deveria começar em 10 de janeiro nessas escolas, mas a questão das autorizações interrompeu as aulas devido à ausência de muitos professores que tiveram negada a permissão de entrada na cidade.
“Eu as chamo de autorizações de humilhação. Elas não são um favor de Israel. Seu objetivo é a humilhação. Quando impedem dezenas de professores de chegar a Jerusalém a partir da Cisjordânia, estão desorganizando todo o ano letivo”, acrescentou.
Alguns professores tiveram suas autorizações negadas, enquanto outros receberam autorizações incompletas, ou seja, que não são válidas para todos os dias da semana. Isso prejudica significativamente o dia escolar.
“Alguns professores receberam autorizações que os impedem de entrar em Jerusalém aos sábados, quando estamos abertos, e outros foram barrados aos domingos e sextas-feiras. Embora esses sejam feriados para nossas escolas, temos muitas atividades extracurriculares que ocorrem nesses dias e exigem a presença dos professores”, afirmou.
A escassez de docentes em Jerusalém é outro aspecto do sofrimento, já que essas escolas não podem prescindir de professores da Cisjordânia devido à sua ampla experiência e à falta de alternativas dentro de Jerusalém.
Após uma semana de suspensão das aulas em protesto, Israel concordou em renovar as autorizações da maioria dos professores, mas afirmou que 57 deles “não passaram na verificação de segurança e seus casos serão tratados posteriormente”, deixando aberta a porta para novas pressões e futuras restrições.
Enquanto o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu afirma estar protegendo os direitos das minorias, as políticas no terreno continuam a expor um padrão de restrições e violações que afetam a liberdade religiosa dos cristãos e sua presença histórica na cidade.
Essas práticas incluem a imposição de restrições ao acesso a locais sagrados, especialmente durante feriados religiosos, e ataques repetidos de extremistas contra o clero e propriedades da Igreja, além de políticas imobiliárias e fiscais que visam doações, patrimônios e instituições cristãs.
Israelização da educação
Por décadas, Israel vem adotando políticas destinadas a minar a educação em Jerusalém, impondo rígidas restrições administrativas e de segurança às escolas palestinas, obstruindo o trabalho das instituições educacionais e restringindo o currículo nacional, ao mesmo tempo em que tenta impor o currículo israelense como substituto.
Essas políticas incluem a redução de licenças, a imposição de multas exorbitantes e a sobrecarga das escolas com impostos, criando um ambiente de aprendizagem inseguro e afetando negativamente o direito fundamental à educação.
Essas medidas fazem parte de uma política mais ampla e sistemática que tem como alvo a presença palestina em Jerusalém e busca enfraquecer a identidade nacional ao atingir um de seus pilares mais importantes: a educação.
* Fayha’ Shalash é uma jornalista palestina baseada em Ramallah. Graduou-se pela Universidade de Birzeit em 2008 e desde então trabalha como repórter e radialista. Reportagem publicada em 20/01/2026 no portal Palestine Chronicle.
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