Guardas israelenses esmagaram testículo de prisioneiro palestino com bala de borracha
Organizações de direitos humanos documentam 21 casos de ferimentos graves dentro de prisões israelenses causados por balas de borracha, gerando alerta sobre a crueldade contra palestinos
Um guarda é visto em uma torre de observação ao longo de um muro da prisão de Gilboa, no norte de "israel", em 9 de setembro de 2021 (Reuters/Ammar Awad).
Guardas penitenciários de “israel” feriram gravemente prisioneiros palestinos ao disparar balas revestidas de borracha contra eles a curta distância dentro das prisões, incluindo um homem atingido no testículo, segundo organizações de direitos humanos.
A Physicians for Human Rights Israel e o Comitê Público Contra a Tortura em “israel” disseram na quinta-feira que haviam reunido 21 depoimentos documentando o que descreveram como uma “prática perigosa” de disparar contra prisioneiros a curta distância, causando ferimentos graves e danos potencialmente irreversíveis.
A maioria dos casos ocorreu no último ano, disseram as organizações.
Um deles envolveu um prisioneiro de 45 anos levado ao Centro Médico Soroka em junho após o que relatórios médicos descreveram como “um incidente de tumulto e disparos de balas de borracha”.
Seu testículo direito foi “completamente esmagado” e precisou ser removido cirurgicamente.
Segundo o Haaretz, um advogado que visitou o prisioneiro registrou seu depoimento de que os guardas haviam dado chutes diretamente em seus testículos durante uma revista, uma semana antes dos disparos.
O prisioneiro disse que o incidente começou quando integrantes da unidade Metzada, unidade de intervenção operacional do Serviço Prisional de “israel”, dispararam contra sua cela “balas de borracha que pareciam bolinhas de gude”.
Ele foi atingido duas vezes: uma nos testículos e outra atrás do joelho.
Outro prisioneiro precisou passar por uma cirurgia devido a uma fratura da tíbia depois de ser atingido por uma bala de borracha na prisão de Ktziot, em julho.
Um terceiro prisioneiro contou ao Haaretz, após ser libertado, que havia sido baleado enquanto lhe ordenavam que entrasse em uma cela com cerca de outros 40 detidos.
Todos estavam ajoelhados, de frente para a parede, com as mãos sobre a cabeça, disse ele.
“Eu estava de costas para a porta e, de repente, ouvi um disparo e senti dor na perna esquerda. Ao mesmo tempo, ouvi prisioneiros gritando de dor”, contou ao jornal.
Ele disse que o disparo foi feito a uma distância não superior a cerca de dois metros.
“Logo depois, algemaram nossas mãos para trás e nos arrastaram de maneira humilhante, um por um, até o pátio da ala prisional.
“Lá, nos jogaram de bruços, embora houvesse pessoas feridas sangrando.”
‘Guerra contra os prisioneiros palestinos’
A Physicians for Human Rights Israel alertou que disparar balas revestidas de borracha em espaços fechados e lotados aumentava o risco de ferimentos graves devido aos fragmentos e aos ricochetes.
“Disparar contra prisioneiros a curta distância dentro de celas confinadas não é apenas um ato grave de violência, mas também reflete uma perigosa mudança estrutural na maneira como os agentes penitenciários percebem seu papel”, afirmou o grupo.
A organização disse que o Serviço Prisional de “israel” vinha recrutando agentes havia algum tempo sob a designação de “combatentes do encarceramento”, argumentando que essa terminologia militarizava ainda mais o sistema prisional e incentivava os agentes a enxergar os prisioneiros como inimigos em um campo de batalha.
A organização acrescentou que essa mudança criava o risco de tratar as vidas dos prisioneiros como descartáveis e de reduzir o limiar para o uso da força, em meio ao que descreveu como a “guerra declarada pelo Estado contra os prisioneiros palestinos”.
Separadamente, números publicados na sexta-feira mostraram que as autoridades penitenciárias de “israel” haviam colocado 351 crianças em isolamento solitário pelo menos uma vez em 2025, incluindo cinco meninos de 13 a 14 anos.
Os dados foram obtidos por meio de um pedido de acesso à informação apresentado pelo Comitê Público Contra a Tortura em “israel” e pela organização Pais Contra a Detenção de Crianças.
Segundo o Haaretz, as crianças eram normalmente mantidas em isolamento solitário por sete dias consecutivos, e algumas permaneciam sozinhas por até duas semanas.
* Reportagem publicada no Middle East Eye em 16/10/2026.
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