A maldição de “israel” e Netanyahu nas derrotas de Trump e Flávio Bolsonaro
Afinal de contas, o que o insignificante – e repugnante – “israel” tem a ver com as eleições brasileiras, vencidas pelo presidente Lula, e estadunidenses, as chamadas de meio de mandato, nas quais Trump foi humilhantemente derrotado? Bem, tudo, a julgar pela última ação de campanha de Trump e as palavras pós-eleitorais de seu vice, JD Vance.
Trump, vendo a derrota acachapante às suas portas, anunciou, horas antes da eleição, que terminaria, até o final deste ano, com a ajuda anual – a única publicamente conhecida – de mais de 4 bilhões de dólares ao regime racista de “israel”. Mas por que ele faria isso? Bem, porque ele já sabia que “israel”, personificado na maldição Netanyahu, era a chave para sua derrota e para a anunciada vitória dos democratas.
Vance, em publicação lúcida e muito honesta em seu perfil no X, revelou que 4 razões, conhecidas dias antes do pleito, eram as motivadoras da derrocada republicada: 1. A guerra não provocada contra o Irã; 2. Inflação que eleva o custo de vida; 3. Recolocar a América em primeiro lugar e, 4. Mudar a relação dos EUA com “israel”. Bem, até descerebrados sabem que a quarta razão é mãe e pai das demais. O acréscimo possível, no quesito inflação, são as taxas e sobretaxas de Trump ao mundo, Brasil incluído, que encareceram produtos importados, sem a contrapartida prometida, isto é, de que fornecedores dos EUA supririam a demanda interna ou que os taxados se ajoelhariam a Trump e tudo voltaria ao normal. Como é conhecido, isso não aconteceu – no caso russo, até retirou as sanções ao diesel para mitigar os altos preços deste combustível, isto é, foram os EUA que se ajoelharam.
Quanto ao fardo israelense, ninguém sabia melhor do que os democratas, tanto no desenvolvimento deste pleito quanto em vista do desastre anterior. Já tinham detectado, por exemplo, que 2/3 de sua juventude quer o fim da ajuda a “israel”. Na verdade, o que souberam agora haviam experimentado bem antes, e da forma mais dolorosa: sua candidata à presidência, Kamala Harris, então vice de Joe Baiden, perdeu pra Trump exatamente porque os democratas apoiaram o genocídio palestino cometido pela “israel” de Netanyahu, com armas, munições, muito dinheiro e apoio diplomático e político irrestrito.
Após a vitória de Trump, pesquisa do Instituto para a Compreensão do Oriente Médio descobriu que 29% dos que votaram em Biden em 2020, portanto, na própria Harris como sua vice, não a escolheram em 2024 porque ela apoiou “israel” no genocídio, e que outros 36% teriam votado nela se houvesse repudiado a ação “israelense” em Gaza.
No Brasil foi a mesma coisa. O ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje presidiário, deu mais importância a “israel” e sua amizade com Netanyahu que ao povo brasileiro durante a pandemia. Em 2022, quando candidato à reeleição, apresentava sua relação espúria com Netanyahu e com “israel” como troféu, assim como suas amizades quase incestuosas com figuras pitorescas do sionismo brasileiro, os lobistas internos do regime israelense. Isso fez da questão palestina um dos grandes temas em 2022 e Lula, um amigo da Palestina, saiu vencedor.
O hoje foragido Flávio Bolsonaro fez até pior: foi a “israel” legitimar sua candidatura à Presidência, algo que, até então, tinha os EUA como o endereço certo – antes dele, Javier Milei, a quem admira como modelo, inaugurou essa vigarice inglória. Apresentou, expressamente, sua amizade com o genocida Netanyahu como uma qualidade para presidir o Brasil. Lula, ao contrário, denunciou o genocídio em Gaza, rebaixou as relações com o regime genocida e acusou os EUA de não permitirem uma solução que leve ao Estado da Palestina. Venceu Lula novamente, na eleição em que o lobby sionista mais trabalhou por um candidato, Flávio Bolsonaro, no caso. Até ministro, da Saúde e contra ela – defendeu o fim do SUS, eles teriam: Cláudio Lottemberg.
Feitas as contas nos EUA e no Brasil, o mais acertado é saber que o sionismo e sua criatura colonial em forma estatal, “israel”, estão no fim. Quem se associar a este regime e a esta ideologia, a sionista, estará fadado ao fracasso e ao lixo da história. E se faltassem EUA e Brasil como casos concretos, o apoio ao genocídio na Palestina provocou terremotos eleitorais na França (junho e julho de 2024) e na Inglaterra (julho de 2024), países nos quais as manifestações contra “israel” levaram milhões às ruas. Na Inglaterra, por exemplo, os conservadores sofreram sua maior derrota na história, e, basicamente, porque apoiaram irrestritamente “israel” em sua carnificina em Gaza.
E os próximos rounds já são certos: Argentina e alguns países europeus, nos quais, inclusive, os índices de rejeição a “israel” só subiram. Aliás, na Argentina houve até aumento da rejeição a “israel” sob Milei, que se jacta de ser mais sionista que Netanyahu.
Para Trump e os sionistas, ganhar no Brasil era estratégico. Para nós também e o dissemos já no primeiro turno, quando até progressistas calaram. Foi difícil, por exemplo, encontrar eco para nossa denúncia da ação decisiva de um grande conluio contra a democracia brasileira gestada pelo lobby sionista, da Meta, a mesma que suprime as denúncias do genocídio em suas plataformas, às ações do ministro do STF André Mendonça, aquele que foi a “israel” em pleno curso do genocídio, em caravana organizada pela CONIB (Confederação Israelita do Brasil) e, retornado ao Brasil, a primeira coisa que fez foi defender as ações genocidas de “israel” e acusar Lula de “antissemita”.
Mas já no segundo turno foi inevitável falar da ação sionista, de Lottemberg à Meta. Em seguida, para surpresa de alguns, a fuga de Flávio Bolsonaro para os EUA com ajuda de ex-agente do Mossad, via Argentina, de momento o paraíso sionista nas Américas. E, por fim, agora é carne de vaca falar das implicações israelenses, cujos agentes já atuaram no Brasil em fuga de solado implicado no genocídio em Gaza, Yuval Vagdani, em janeiro de 2025, também via Argentina.
Agora, com Lula em seu quarto mandato, resta a todos nós sabermos se o sionismo continuará dando cartas por meio de seus muitos atores, parte deles autoproclamados de “esquerda”. Um de seus lances mais decisivos será emplacar o Projeto de Lei 1424/2026, da deputada (reeleita) federal Tábata Amaral (PSB-SP), que equipara qualquer crítica a “israel” e denúncia de seus crimes como ato “antissemita” equivalente ao racismo e, de consequência, punível com reclusão de 2 a 5 anos. Ou seja: acusar o estado de “israel” de ser um regime de Apartheid, ou supremacista judaico, mesmo que isso esteja conforme relatórios da ONU e das principais ONGs internacionais de Direitos Humanos, poderá, pela pretendida nova legislação sionista, atrair prisão de até cinco anos a quem ousar fazê-lo, inclusive se judeu antissionista.
Isso não é tarefa apenas dos brasileiro-palestinos e do cada vez maior contingente de brasileiros solidários à Palestina, mas de todos os atores sociais e políticos que desejam um Brasil soberano e potência global, especialmente daqueles com cargos governamentais e assentos no Congresso Nacional.
Finalmente, é também tarefa civilizatória global de nós brasileiros, a partir destes trópicos, derrotar Trump em 2028 e, desde agora, trabalhar pela extradição de seu incômodo hóspede, o foragido Flávio Bolsonaro. Entre a nossa eleição recém-finda e a estadunidense, temos a grande batalha civilizatória bem à nossa porta, na Argentina, ano que vem. Além de removermos do poder um dos maiores sicários da história recente deste continente, acabaremos com a grande rota de fuga de foragidos brasileiros e de conspiração contra a nossa soberania.