Brasileiro-palestino é vítima de discriminação na Suíça ao buscar asilo após quase ser morto por militares israelenses
Paramédico que sofreu diversos ataques físicos de soldados da ocupação na Cisjordânia, inclusive um tiro no rosto, agora procura ajuda na Europa
Hamza atendendo a um palestino vítima da repressão da ocupação. (Foto: arquivo pessoal)
O brasileiro-palestino Hamza Mahmoud Maali, de 31 anos, foi vítima de discriminação na Suíça, onde busca asilo fugindo do genocídio, no início deste mês.
O caso circulou nas redes sociais do país europeu, bem como em veículos de comunicação locais. O jovem viajava em um trem quando foi submetido a várias verificações de bilhete por um fiscal do sistema estatal de transporte. Há pouco tempo no país, Hamza ainda não fala nenhum dos idiomas da Suíça, não sabia que tinha de comprar um novo bilhete e não conseguiu conversar com o fiscal.
O fiscal então adotou um comportamento agressivo. Mais tarde, uma amiga do viajante descobriu, no bilhete, uma anotação bastante perturbadora. O fiscal havia escrito em alemão: “Vermutlich Paselstina (Hamas…)”, ou seja: “Origem: Provavelmente Palestina (Hamas…)”.
O site da Fepal conversou com Hamza. Filho de mãe nascida no Brasil, Hamza tem cidadania brasileira. Ele trabalhava como paramédico na Cisjordânia até o final de 2023, quando percebeu que era muito perigoso continuar trabalhando sob a repressão dos soldados israelenses.
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Ao longo do seu trabalho atendendo urgências na rua, Hamza vivenciou diversos episódios de ataques dos soldados da ocupação. Ele próprio foi atingido por disparos de balas em sete ocasiões, uma delas no rosto.
“Eu tenho vários ferimentos em todo o meu corpo”, diz. Ele enviou fotos e vídeos de seu trabalho e das abordagens dos militares israelenses à reportagem da Fepal. (Veja algumas das imagens ao final desta matéria)
Em uma das gravações, feita em 2020 em Ramallah, é possível ver alguns soldados abordando Hamza enquanto ele trabalhava. Um jornalista palestino (vestido com colete de imprensa) também é gravado, fazendo uma denúncia em frente aos veículos militares. De repente, a câmera de Hamza cai ao chão e ouvem-se gritos. Alguém pega a câmera e filma Hamza caído com as mãos no rosto, sendo socorrido pelos colegas. Todos tossem devido ao gás lacrimogêneo disparado pelos soldados. A câmera é deixada novamente no chão e ouvem-se mais disparos, chega uma ambulância e uma equipe de reportagem. Finalmente, é possível ver Hamza sendo levado para a ambulância, com uma grande ferida do lado esquerdo do rosto, entre a bochecha, o maxilar e a orelha, escorrendo sangue.
Hamza, logo após ser atingido por um disparo de um soldado israelense e socorrido para dentro de uma ambulância. (Foto: arquivo pessoal)
“Devido a esse trauma na cabeça, desde então eu sofro de esquecimentos frequentes”, conta.
Hamza foi obrigado a sair da Palestina e há mais de dois meses busca asilo na Suíça, que é signatária da Convenção de Genebra que garante proteção a paramédicos. No entanto, ainda não recebeu nenhuma resposta sobre a sua requisição.
“Eu arrisquei minha vida, fiquei gravemente ferido, e aqui na Suíça sou tratado desse jeito. O que eu fiz para ser tratado assim?”, desabafa. “Eu sou um paramédico, não um membro do Hamas. Eu trabalho para salvar a vida das pessoas e ajudá-las a viver. Na Suíça, tenho segurança, mas estou sofrendo discriminação.”
A fundação suíça “Do Individual ao Coletivo” (DIAC), que oferece apoio a pessoas afetadas por discriminação contra muçulmanos, foi às redes sociais denunciar o caso como uma “estigmatização inaceitável”.
No perfil da entidade no Instagram, as reações indignadas se multiplicaram. Diversos usuários exigiram desculpas públicas e marcaram a companhia de trens da Suíça nos comentários da publicação, que já acumulava milhares de curtidas.
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