Como o genocídio de “israel” devastou a economia de Gaza
O PIB caiu 82% e a taxa de desemprego alcançou 80% em 2024
Destruição causada por ataques "israelenses" em Beit Hanoun, Faixa de Gaza, 2021. (Mahmud Hams/AFP via Getty Images)
O Escritório Central de Estatísticas da Palestina (PCBS) apresentou, em 31 de dezembro, um panorama abrangente sobre os principais indicadores socioeconômicos de 2024. O relatório detalha os impactos devastadores da agressão genocida “israelense” na Faixa de Gaza, que resultaram em uma crise sem precedentes, e oferece previsões esperançosas para o ano de 2025.
A economia palestina enfrentou um colapso sem precedentes em 2024, atravessando múltiplas crises de ordem econômica, humanitária, ambiental, social, educacional e alimentar. Na Faixa de Gaza, o Produto Interno Bruto (PIB) sofreu uma contratação drástica de mais de 82%, acompanhada por uma taxa de desemprego alarmante de 80%.
Na Cisjordânia, embora os impactos tenham sido menos severos, o PIB também registrou um declínio significativo de mais de 19%, com o desemprego atingindo 35%. Em nível nacional, a economia palestina encolheu 28%, elevando a taxa de desemprego total para 51%, refletindo os efeitos cumulativos das restrições de mobilidade, do cerco econômico e das destruições causadas pelo genocídio, que já deixou ao menos 55.000 mortos (incluindo os sob os escombros).
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A crise econômica não poupou nenhum setor produtivo, sendo a construção o mais afetado, com uma redução de 46% em sua atividade econômica, totalizando apenas 332 milhões de dólares. O setor industrial sofreu uma queda de 33%, enquanto a agricultura e a pesca, cruciais para a subsistência local, experimentaram uma diminuição de 23%.
O comércio, restaurantes e hotéis, setores que tradicionalmente geram emprego e dinamizam a economia, também registraram uma redução de 22%. Além disso, o setor de transporte e comunicações contraiu-se em 20%. Mesmo os serviços, que representam 65% da economia palestina, não escaparam dos impactos, apresentando uma diminuição de 18%.
O consumo final total caiu 25% em 2024, com o consumo das famílias diminuindo 28% e o do governo reduzido em 17%. A formação bruta de capital fixo, um importante indicador de investimento e crescimento de longo prazo, caiu drasticamente em 45%, somando apenas 1,15 milhões de dólares.
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As exportações de bens e serviços diminuíram 35%, enquanto as importações registraram uma queda de 37%. Apesar dessas reduções, o déficit da balança comercial também foi reduzido, atingindo 4 milhões de dólares, uma queda de 38% em relação a 2023.
A crise econômica teve consequências sociais devastadoras. O aumento no desemprego exacerbou a pobreza, especialmente na Faixa de Gaza, onde a maioria da população depende de ajuda humanitária para sobreviver. Os serviços públicos, incluindo saúde e educação, enfrentaram pressões significativas, com recursos limitados para atender às crescentes demandas.
Previsões para 2025
Apesar do cenário sombrio de 2024, as projeções para 2025 trazem sinais de esperança. A economia palestina deve experimentar uma recuperação parcial, com um crescimento esperado entre 12% e 15%. O PIB per capita também deve aumentar entre 9% e 12%, enquanto a taxa de desemprego é projetada para diminuir para cerca de 44%.
Espera-se que o consumo final total cresça entre 10% e 13%, enquanto a formação bruta de capital fixo, um indicador de investimentos, deve apresentar um aumento significativo entre 20% e 25%. No setor externo, tanto as exportações quanto as importações de bens e serviços estão projetadas para crescer entre 15% e 18% e 14% e 17%, respectivamente.
A recuperação projetada para 2025 está condicionada à estabilidade política e à implementação de políticas eficazes para mitigar os efeitos das crises anteriores do genocídio em curso promovido pela máquina de extermínio sionista. A dependência de ajuda internacional e a vulnerabilidade a choques externos continuam a ser desafios significativos.
Por outro lado, a reconstrução da Faixa de Gaza e o fortalecimento da economia da Cisjordânia oferecem oportunidades para impulsionar o crescimento econômico e melhorar as desumanas condições de vida da população. Investimentos em setores estratégicos, como energia renovável, infraestrutura e tecnologias de informação, podem desempenhar um papel crucial na construção de uma economia mais resiliente.
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