Descabida é a assessoria da Globo a “israel” no incitamento ao Holocausto Palestino

Nota pública da Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal) sobre o editorial do jornal O Globo de 7 de janeiro de 2025

07/01/2025

Em editorial, jornal O Globo passa pano para soldado acusado de crimes de guerra

Em editorial inculto e baixo até para seu próprio histórico, o Jornal O Globo afirmou que a ordem da Justiça brasileira para investigar o soldado israelense acusado de crimes em Gaza foi “descabida”. Não satisfeito em ser porta-voz de “israel” no Brasil e promover uma campanha de propaganda genocida há mais de 450 dias, o Grupo Globo demonstra desprezo pelo direito à justiça e desconhecimento sobre a legislação internacional.

Ao longo de mais de 500 páginas, o pedido de investigação protocolado pela Fundação Hind Rajab — uma homenagem à menina palestina de 6 anos assassinada pelos israelenses com 355 tiros enquanto estava presa dentro de um carro tentando pedir ajuda — oferece farta documentação sobre os crimes de guerra atribuídos ao soldado israelense Yuval Vagdani na Palestina. Mais do que isso, o processo apresentado tem vítima: os proprietários das casas destruídas pelos delinquentes sionistas em mais uma aberrante violação do Direito Internacional, a qual os próprios perpetradores fazem questão de documentar e exibir nas redes sociais, se refestelando em seu culto perverso e supremacista.

A Globo demonstra seu próprio racismo e supremacismo ao se ocupar exclusivamente com o ocultamento e higienização das atrocidades cometidas por “israel” no Holocausto Palestino, ignorando sistematicamente a perspectiva destas que são as vítimas da maior e mais indecente chacina deste século: os palestinos. Não é preciso ir muito longe para observar tamanho disparate: enquanto o soldado israelense acusado de crimes de guerra é humanizado e apresentado apenas como um “turista inocente desfrutando de suas férias no Brasil”, a história da menina Hind Rajab não é digna sequer de menção pela Globo.

O alinhamento histórico do Grupo Globo — um oligopólio familiar que completa 100 anos como beneficiário de sua subserviência à ditadura militar no Brasil e ao império estadunidense — com o que há de pior na história no último século não é exatamente uma novidade. Ainda assim, impressiona a falta de pudor com que se alinha ao extermínio de palestinos no mais documentado e primeiro genocídio transmitido em tempo real pelas próprias vítimas. Incapaz de se adequar aos novos tempos, em que não detém mais o monopólio da narrativa e da informação, o Grupo Globo expõe as vísceras de sua política criminosa desinformando a sociedade brasileira a serviço dos interesses do sionismo, incitando o extermínio de palestinos e protegendo os perpetradores desta solução final televisionada.

Não há nada revolucionário no sistema jurídico. A queixa apresentada tem documentação sobre o crime, evidências, perpetrador, vítima e medida jurídica solicitada. Um trabalho técnico arrojado, irretocável e pautado no devido processo legal. Mais ainda, se baseia em jurisprudência que não é nova: a jurisdição universal no caso de crimes de lesa-humanidade. Igualmente, a decisão proferida pela Justiça Federal também segue rigorosamente o que diz o ordenamento jurídico ao pedir à autoridade policial investigação contra o soldado em questão.

A única coisa “descabida” aqui é a atuação indecente do Grupo Globo para proteger criminosos de guerra e assassinos que declaram sua intenção genocida aos quatro ventos: aniquilar palestinos. E o faz, em seu braço televisivo, com concessão pública.

Ainda sobre jurisprudência e Direito Internacional, cabe aqui relembrar que, no genocídio em Ruanda (1994), a mídia executou papel chave na incitação e legitimação do extermínio de mais de 1 milhão de tutsis. Em 2003, o Tribunal Penal Internacional para Ruanda condenou o cofundador da Radio Television Libre des Mille Collines (Hutu Power Radio), Ferdinand Nahimana, o diretor executivo Jean-Bosco Barayagwiza e o fundador e editor do jornal Kangura, Hassan Ngeze, pelo papel que desempenharam no incitamento ao genocídio em Ruanda. O Tribunal descreveu as transmissões de rádio e os artigos de jornal que espalhavam o ódio como crimes contra a humanidade.

Está na hora de investigar a ligação do Grupo Globo com o lobby sionista. Os editores e executivos do Grupo Globo devem dar explicações sobre a desumanização dos palestinos, a propaganda de guerra, a desinformação e a higienização do genocídio em Gaza. E estas explicações não devem ser apenas aos espectadores. Devem explicações aos tribunais. No banco dos réus. Os mesmos tribunais que condenarão “israel” e sua gangue pelo genocídio que cometem na Palestina.

Palestina Livre a Partir do Brasil, 7 de janeiro de 2025, 78º ano da Nakba.

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