Autoridades israelenses se recusam a devolver enorme acervo de vídeos de 7 de outubro. O que estão escondendo?
Cidadãos israelenses se perguntam por que o regime não devolve as imagens de 7 de outubro que confiscou deles. Uma mãe afirma que as autoridades apagaram um vídeo da morte de seu filho. Outros reclamam que “alguém está escondendo” os vídeos.
Por Michelle Witte*
O governo israelense continua mantendo sob sua posse um enorme acervo de registros em vídeo dos ataques de 7 de outubro, capturados por indivíduos e comunidades envolvidos nos confrontos. Uma mãe enlutada chega a acusar as autoridades israelenses de terem apagado um vídeo dos últimos momentos de vida de seu filho antes de lhe devolverem o telefone.
Segundo o Canal 13 de Israel, “todas as câmeras, cartões de memória e filmes que documentaram as atrocidades foram recolhidos, mas, dois anos e meio depois, esses materiais não foram devolvidos às comunidades e famílias enlutadas que estão desesperadas por informações e até sentem que alguém está escondendo isso delas”.
Logo após o ataque do Hamas e da Jihad Islâmica Palestina contra Israel em 7 de outubro de 2023, unidades especiais das Forças de Defesa de Israel (IDF), da agência de inteligência israelense Shin Bet e da unidade de investigações Lahav 433 recolheram fotografias e vídeos da violência, confiscando telefones celulares, câmeras particulares, sistemas de vigilância de kibutzim e outros equipamentos.
“Eles desconectavam o que precisavam, levavam e seguiam em frente — foi a última vez que vimos os materiais”, disse um reservista do exército israelense que participou da missão de coleta.
Segundo o chefe do kibutz Kfar Aza — local de uma série de histórias de atrocidades posteriormente contestadas que circularam nos primeiros dias após o ataque — os moradores cooperaram com os investigadores na época. Agora, anos após os acontecimentos, essas famílias se perguntam por que a documentação sobre o destino de seus entes queridos ainda não lhes foi devolvida.
Até mesmo Sabine Taasa, que se tornou um símbolo do sofrimento das vítimas israelenses depois que seu marido e um de seus filhos foram mortos em 7 de outubro, está agora em conflito com as autoridades israelenses por causa das imagens daquele dia.
O filho de Sabine, Or, de 17 anos, foi morto na praia de Zikim. Segundo o Canal 13, Taasa afirma ter visto um vídeo que seu filho gravou nos momentos que antecederam sua morte, mas, quando as autoridades lhe devolveram o telefone, esse vídeo já não estava mais lá. O veículo afirma que este não é um caso isolado.
Uma investigação das IDF concluiu que soldados abandonaram civis que estavam escondidos em um banheiro naquele local e depois deixaram seus corpos ali durante uma semana.
O Canal 13 informa que a polícia israelense alegou que a Lahav 433 ainda está investigando os acontecimentos no kibutz Kfar Aza e que nenhuma acusação formal foi apresentada até agora; portanto, devolver as provas neste estágio poderia comprometer o caso criminal. Enquanto isso, as IDF rejeitaram todas as acusações de que estariam retendo documentação e afirmaram que estão nos estágios finais de adoção de políticas para definir como esse tipo de evidência será devolvido às comunidades e famílias.
Siga a Fepal no X!
Siga-nos também no Instagram!
Inscreva-se em nosso canal no Youtube!
Em 7 de outubro, o governo israelense emitiu ordens relacionadas à chamada Diretriz Hannibal, que levaram pilotos de helicópteros Apache e tripulações de tanques a abrir fogo contra cidadãos israelenses na região próxima a Gaza, supostamente para impedir que fossem feitos reféns. O general de brigada israelense Barak Hiram ordenou pessoalmente a uma tripulação de tanque que bombardeasse uma casa no kibutz Be’eri, sabendo que ela estava cheia de cidadãos israelenses capturados por combatentes do Hamas que buscavam negociar uma saída para o impasse.
Doze israelenses foram mortos no ataque, deixando para trás “uma casa cheia de cadáveres”, segundo o único sobrevivente israelense. Uma artilheira israelense de uma unidade composta exclusivamente por mulheres revelou igualmente que recebeu ordens para disparar contra casas israelenses sem saber quem estava dentro delas. Uma investigação da polícia israelense revelou posteriormente que helicópteros israelenses também dispararam contra o festival de música eletrônica Nova em 7 de outubro.
Dado o histórico de Israel de atingir seus próprios cidadãos em 7 de outubro e de, segundo a autora, enganar o público a respeito disso, o Estado israelense pode estar retendo o máximo possível de gravações para garantir que não venham a público novas evidências de que o exército israelense matou seus próprios cidadãos.
Israel demonstrou grande interesse em coletar documentação dos acontecimentos de 7 de outubro e controlar as narrativas por meio de uma cuidadosa seleção e divulgação de informações. Ao mesmo tempo, recusou-se a participar de investigações independentes e internacionais sobre o ataque, sobre a resposta israelense ou sobre as amplamente divulgadas — e, segundo a autora, posteriormente desacreditadas — alegações de violência sexual em massa cometida pelo Hamas e outros grupos armados palestinos.
Segundo o Estado israelense, apenas Israel está legitimado e é capaz de conduzir esse tipo de investigação.
No entanto, o Estado tem, de forma curiosa, deixado de realizar sua própria investigação especial abrangente sobre o aparente fracasso massivo da inteligência e o desastre militar ocorridos naquele dia. De fato, segundo o Times of Israel, o governo israelense precisou ser pressionado por sua própria Suprema Corte para estabelecer uma comissão estatal de inquérito sobre os acontecimentos.
O governo israelense agora tem até 1º de julho para apresentar uma “estrutura adequada” para investigar os eventos, após anos de pressão das famílias dos israelenses mortos naquele dia.
Com o aparato militar e de inteligência israelense se recusando a devolver possivelmente centenas de horas de gravações aos seus proprietários, alguns israelenses que viveram os ataques de 7 de outubro estão começando a se perguntar se as autoridades poderiam estar escondendo alguma coisa.
* Michelle Witte é escritora, editora e radialista. Anteriormente, foi coapresentadora do programa de rádio de notícias “Political Misfits”. Reportagem publicada pelo The Grayzone em 31/05/2026.
Notícias em destaque
Autoridades israelenses se recusam a devolver enorme acervo de vídeos de 7 de outubro. O que estão escondendo?
Por Michelle Witte* O governo israelense continua mantendo sob sua posse um [...]
LER MATÉRIAIsraelenses estupraram crianças palestinas em campos de tortura, diz relatório da ONU
Por Liza Rozovsky* Um relatório das Nações Unidas afirma que o [...]
LER MATÉRIAA farsa do jornalismo investigativo liberal de “israel”
Por Sebastian Ben Daniel (John Brown)* Duas semanas atrás, o programa [...]
LER MATÉRIA“O que eles não conseguiram fazer em 1948, estão fazendo agora”
Por Maha Hussaini* Aos 95 anos, Fatema Obaid suportou bombardeios [...]
LER MATÉRIAMossad pressionou ex-procuradora do TPI para interromper investigação sobre crimes de “israel”
A ex-procuradora-chefe do Tribunal Penal Internacional (TPI), Fatou [...]
LER MATÉRIAO extermínio em massa de paramédicos e socorristas realizado por “israel” no Líbano
Por Katrine Dige Houmøller* Uma escavadeira estava sobre o que antes era [...]
LER MATÉRIA