Enquanto prisioneiros israelenses apreendidos são libertados, “israel” tortura líder palestino de 66 anos

Marwan Barghouti está preso há mais de 20 anos e foi atacado e torturado pelos carcereiros, a ponto de ficar desacordado. “Os detentos libertados dizem que, quando ele chegou a Megiddo, mal conseguia andar por dias”, denunciou o seu filho

16/10/2025

Protesto popular pela libertação de Marwan Barghouti, sequestrado e confinado há mais de 20 anos nas masmorras israelenses. (Reprodução/Centro de Informação Palestino)

O líder palestino mais popular, Marwan Barghouti, foi espancado até perder a consciência por guardas prisionais israelenses, e sua família teme por sua vida. É o que revelou o seu filho, citando depoimentos de palestinos que haviam sido sequestrados e foram libertados nesta semana como parte do acordo de cessar-fogo.

Arab Barghouti afirmou que seu pai, de 66 anos, foi agredido por oito guardas em 14 de setembro, enquanto era transferido entre as prisões de Ganot e Megiddo.

Barghouti disse que cinco dos reféns palestinos libertados e deportados para o Egito pelo regime sionista na segunda-feira (13) ouviram o relato do líder palestino sobre o tratamento recebido quando chegou à prisão de Megiddo.

“O que sabemos é que, enquanto transferiam meu pai, eles pararam no caminho e oito agentes de segurança da autoridade prisional começaram a espancá-lo de várias maneiras — chutando, jogando-o no chão, socando —, concentrando-se na área da cabeça, no peito e nas pernas também”, disse ele, acrescentando que seu pai contou posteriormente a outros prisioneiros que perdeu a consciência em decorrência do ataque.

“Os detentos libertados dizem que, quando ele chegou a Megiddo, mal conseguia andar por dias.”

Barghouti afirmou que foi a quarta vez que seu pai foi espancado nos últimos dois anos. O líder palestino está em confinamento solitário desde o início do genocídio cometido por “israel” em Gaza, em 7 de outubro, que matou mais de 80 mil palestinos (a revista científica The Lancet calcula em mais de 350 mil).

O Escritório de Mídia Asra, que cobre questões relacionadas a prisioneiros palestinos, afirmou que Barghouti “perdeu a consciência e sofreu fraturas em quatro costelas como resultado da surra”. Segundo o órgão, isso provocou indignação entre as organizações políticas palestinas e defensores dos direitos humanos, que afirmam que esse ataque reflete a política israelense de escalada de repressão e humilhação contra os prisioneiros palestinos.

“Eles urinaram em nós”: palestinos relatam torturas, fome e sarna nas prisões “israelenses”

A agressão ocorreu após uma visita do ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, a Marwan Barghouti, em agosto. Ben Gvir, membro de um partido de extrema direita e condenado anteriormente por tribunais israelenses por incitação ao racismo e apoio a uma organização terrorista, zombou de Barghouti em um vídeo divulgado na época.

Segundo Arab Barghouti, Ben Gvir também mostrou ao idoso de 66 anos uma imagem de uma cadeira elétrica e lhe disse que merecia ser executado. Isso constitui uma grave tortura psicológica.

Em uma declaração citada no jornal Maariv na quarta-feira, Ben Gvir negou as acusações de agressão, mas acrescentou que estava “orgulhoso de que a situação [de Barghouti] tenha mudado radicalmente durante meu mandato — acabou o tempo de recreio, acabaram os acampamentos de férias”.

“O assassino Barghouti sabe que hoje terroristas como ele são tratados com rigor, então ele inventa fake news para incitar seus desprezíveis camaradas terroristas que o abandonaram como parte do acordo [de cessar-fogo]”, disse Ben Gvir, acrescentando que dava total apoio aos “combatentes do serviço penitenciário”, que, segundo ele, estavam realizando um “trabalho sagrado”.

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Barghouti lidera consistentemente as pesquisas de opinião pública como o político mais popular entre os palestinos. Está preso desde 2002, sendo sentenciado a cinco penas de prisão perpétua e mais 40 anos por participar da Segunda Intifada. O julgamento foi criticado pela União Interparlamentar como profundamente falho. O direito internacional, incluindo a Assembleia Geral das Nações Unidas, reconhece o direito à resistência à ocupação como legítima luta dos povos oprimidos e colonizados.

Como parte do acordo de cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, que entrou em vigor no fim de semana, 250 prisioneiros palestinos condenados à prisão perpétua foram libertados, e a maioria deles deportada para o Egito com sinais de tortura. O governo israelense de Benjamin Netanyahu vetou a inclusão de Barghouti na lista de prisioneiros a serem libertados como parte do acordo.

Por sua vez, o Hamas liberou todos os israelenses apreendidos em 7 de outubro que não foram mortos pelos bombardeios de “israel” a Gaza. Durante a detenção, eles comiam o mesmo que os palestinos cercados e bloqueados por “israel”. Após o acordo de troca, mais de 11 mil palestinos seguirão sequestrados nos campos de concentração israelenses, sofrendo tortura e sendo executados.

“israel” se recusa a libertar as principais lideranças palestinas durante o acordo de troca de prisioneiros

“Meu pai representa a voz da razão”, disse Arab Barghouti. “Ele é o líder palestino mais popular, mas, ao mesmo tempo, tem uma visão política aceita pela comunidade internacional, que pode contribuir para a estabilidade da região — a solução de dois Estados.”

“Ele é um defensor convicto da solução de dois Estados há mais de três décadas. Acho que o fato de o governo israelense ter insistido para que ele não fizesse parte do acordo é uma declaração clara de que não estão procurando um líder palestino legítimo e credível. Eles querem que continuemos divididos.”

Fica claro que a “israel” só interessa o extermínio dos palestinos, sejam os de Gaza ou da Cisjordânia, e que, portanto, a “solução” de dois Estados é impossível.

* Fepal, com The Guardian e Centro de Informação Palestino.

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