Gaza é dos palestinos e a humanidade precisa frear a solução final de Trump e Netanyahu

Nota pública da Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal)

05/02/2025

O plano de expulsão massiva de palestinos de Gaza divulgado ontem (4), em cena macabra na Casa Branca, vem no contexto de uma limpeza étnica, um crime de lesa-humanidade

As declarações do novo chefe do consórcio colonial e supremacista do extermínio palestino, Donald Trump, prometendo varrer todos os palestinos de Gaza e tomar de assalto esta parte da Palestina para construir uma “Riviera no Oriente Médio” não deveriam surpreender, por mais indecentes e criminosas que sejam. Ao lado de um sorridente e abjeto Netanyahu, Trump apenas renovou os votos e as promessas do casamento nefasto entre EUA e sua colônia médio-oriental, “israel”, de dar cabo na limpeza étnica de Gaza, parte atualizada da tão sonhada solução final planejada pelos sionistas para o povo palestino desde sempre.

O plano de expulsão massiva de palestinos de Gaza divulgado ontem (4), em cena macabra na Casa Branca, vem no contexto de uma limpeza étnica, um crime de lesa-humanidade, anunciada pelos “israelenses” e estadunidenses não apenas desde o início da nova fase do Holocausto Palestino a partir de outubro de 2023, mas há mais de um século, quando sionistas já tramavam em seus congressos, nas cidades europeias, o roubo da Palestina e fantasiavam em seus devaneios racistas que os palestinos, ou os “árabes”, como gostam de dizer os genocidas, a população originária da terra entre o Mar Mediterrâneo e o Rio Jordão, aceitaria voluntariamente abandonar seu lar milenarmente ancestral para dar lugar aos estrangeiros europeus que planejavam colonizá-la.

No consórcio do extermínio de Washington, todos cumprem seu papel: o primeiro objetivo, destruir Gaza e torná-la inabitável, foi executado com maestria pelo açougueiro Biden e a claque democrata. Trump, o genocida de momento, assume a tarefa de impedir a reconstrução e manter Gaza, que Biden aniquilou, inabitável. Trump, assim, lança os dados da limpeza étnica. Ao lado de ambos, sempre o fugitivo internacional e procurado pelo Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra e de lesa-humanidade, Benjamin Netanyahu.

É emblemático que a “proposta” de Trump, em ato falho ou confissão de culpa, sugira que cerca de 1,7 milhão de palestinos devem “deixar” Gaza. O número corresponde aos 73% da demografia do enclave palestino que já possui status de refugiada da Nakba, a limpeza étnica da Palestina realizada pelos sionistas entre 1947 e 1951. E deixa uma pergunta no ar: se a população palestina em Gaza era de 2,3 milhões de pessoas em outubro de 2023 e pelas contas de Trump cerca de 500 mil palestinos “desapareceram”, seria essa, então, a cifra atualizada de palestinos assassinados por “israel” e EUA no Holocausto em Gaza?

Se impedir a reconstrução de Gaza e mantê-la inabitável é o plano de Trump, só há uma reação possível para o resto do mundo: reconstruir Gaza, garantir a entrada de ajuda humanitária emergencial e continuada, respaldar o povo palestino e seu direito inalienável à autodeterminação e soberania de suas terras, este o único que pode liderar a reconstrução e a governança de Gaza, bem como da integralidade dos territórios palestinos, com base nos termos do acordo de reconciliação e unidade nacional firmado em Pequim, ainda em 2024, por todas as forças palestinas. Com apoio da ONU, das demais organizações internacionais multilaterais e de todos países que não tomaram parte no Holocausto Palestino.

Por fim, a experiência palestina e o que será feito com Gaza é um prenúncio para o resto da humanidade. Se os gêngsters de Washington e Tel Aviv conseguirem realizar os sórdidos delírios sionistas e efetivamente expulsarem a população palestina, tomarem de assalto Gaza e o que ainda resta da Palestina, as portas do inferno estarão abertas.

Quais motivos teria Trump, ou qualquer assassino que o suceda, para respeitar a soberania de outros países se o mundo permanecer inerte diante de mais este crime contra a humanidade e frente ao êxito destes facínoras estadunidenses e “israelenses” na apropriação de Gaza? Países como o Brasil e o resto do Sul Global, os mais ricos em recursos naturais do planeta, vão permitir que se estabeleça o precedente e esperar até serem os próximos alvos, ou vão frear os delírios coloniais de Trump e seus sócios no Holocausto Palestino?

É bom que se saiba: os palestinos não abandonarão Gaza, como tem sido regra desde a Nakba, quando o povo palestino acreditou que poderia retornar tão logo os enfrentamentos bélicos terminassem. Depois disso o povo palestino não foi mais enganado. 

Por fim, acreditamos que a Comunidade Internacional não aceitará esta obscenidade dos degenerados Trump e Netanyahu. Mais ainda, rogamos que os países árabes sob extorsão para tomarem parte deste arranjo macabro, notadamente Egito e Jordânia, jamais o aceitem e, em último caso, se preparem para um grande enfrentamento existencial, pois depois dos palestinos, serão os próximos nos planos do “grande ‘israel’”.

Palestina Livre a partir do Brasil, 5 de fevereiro de 2025, 78º ano da Nakba.

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