“israel” bombardeia o Catar e ameaça: “essa é uma mensagem para todo o Oriente Médio”
Delegação do Hamas havia sido convidada dois dias antes por Trump para se reunir em Doha, no que analistas apontam como sendo uma emboscada montada por EUA e "israel"
Bombardeio atingiu área residencial de Doha, densamente povoada. (Foto: Reprodução/CBS)
O regime genocida israelense bombardeou hoje (09) um bairro residencial da capital do Catar, Doha. A desculpa para o ataque teria sido um encontro diplomático de negociação para o cessar-fogo mediada pelos EUA no qual estariam presentes lideranças do Hamas, o alvo do bombardeio.
Em um primeiro momento, foi anunciado que Khalil al-Hayya, líder do Hamas nas negociações, teria sido assassinado no ataque. Contudo, a organização palestina, em declarações à Al Jazeera, informou que ele sobreviveu. Seu filho, Humam al-Hayya, bem como um de seus principais auxiliares, no entanto, não sobreviveram. Um membro das forças de segurança do Catar também perdeu a vida no ataque israelense, segundo o Ministério do Interior do Catar.
O Ministério das Relações Exteriores do Catar chamou o ataque de “israel” de “criminoso” e “covarde”, acrescentando que ele “constitui uma violação flagrante de todas as leis e normas internacionais”. Declaração semelhante foi feita pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, que chamou de “violação flagrante” da soberania e da integridade territorial do Catar.
Militares dos Estados Unidos declararam que não foram avisados do ataque por Tel Aviv e que só foram notificados após o bombardeio. Contudo, as autoridades israelenses afirmaram que tanto os EUA quanto o governo do Catar foram avisados com antecedência.
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Por sua vez, Benjamin Netanyahu, o chefe da gangue genocida, em uma declaração conjunta com seu ministro da “Defesa”, Israel Katz, afirmou que o bombardeio é “completamente justificado”.
O presidente do parlamento israelense, Amir Ohana, foi mais longe. Em uma publicação na rede social X, com um vídeo do momento do bombardeio, ele escreveu: “essa é uma mensagem para todo o Oriente Médio.”
Suhail al-Hindi, dirigente do Hamas em Doha, disse à Al Jazeera que o bombardeio foi contra o Hamas e o Catar em primeiro lugar, mas que constitui uma agressão contra todos os árabes, muçulmanos e povos livres ao redor do mundo. “O mundo livre deve rejeitar esse crime hediondo – a tentativa de assassinar aqueles que estão discutindo o fim da guerra em Gaza.”
De fato, muitos analistas, observadores e políticos que acompanham as negociações já comentam que esse bombardeio é mais uma de tantas demonstrações de “israel” de que o regime não está interessado em por um fim ao genocídio, não tem a menor preocupação com as vidas dos palestinos que ainda não foram exterminados por seu exército e pretende continuar a ofensiva até dizimar Gaza totalmente e roubá-la dos palestinos. A ocupação que está sendo executada, por ordens de Netanyahu, é uma comprovação nítida dos verdadeiros planos sionistas.
Max Blumenthal, editor do The Grayzone, vai além. Ele recorda que os diplomatas do Hamas aceitaram se reunir hoje em Doha devido a uma proposta feita por Donald Trump dois dias atrás, apesar das suspeitas do partido de que a proposta de Trump “parecia ter sido escrita pelos israelenses”. O objetivo era reunir as pessoas para discutir a oferta de paz a fim de assassiná-las, endossou Ryan Grim, repórter do Drop Site News. “As negociações chegaram ao seu limite enquanto Israel (sic.) caminha em direção à Solução Final em Gaza”, completou Blumenthal. “E o governo Trump mais uma vez mostrou sua verdadeira face: um subsidiário do regime sionista.”
Ao mesmo tempo em que extermina oficialmente 75 mil palestinos de Gaza, “israel” bombardeia o Iêmen, a Síria, o Líbano, o Irã e agora o Catar, expressando o objetivo expansionista da “Grande ‘israel’” apregoado pelo sionismo desde o princípio.
O bombardeio israelense atingiu uma área residencial densamente povoada de Doha, onde existem apenas casas e apartamentos, incluindo embaixadas estrangeiras. “Muitos civis moram aqui. Há uma escola libanesa que não está longe, e os ecos das explosões foram ouvidos por toda a cidade e além”, descreveu o correspondente da Al Jazeera, Charles Stratford. Outra repórter recordou que as crianças estavam voltando da escola para suas casas no momento do ataque.
“Muitos se sentiram aterrorizados”, escreveu William Lafi Youmans, professor palestino-estadunidense da Universidade de Georgetown em Doha, que estava próximo ao local e que tem amigos que vivem por perto. “Estou impressionado com o quanto esses ataques deixaram todos em pânico, e ainda assim é algo minúsculo comparado ao que os palestinos em Gaza sofrem a cada instante há dois anos.”
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