Dia Internacional de Solidariedade ao Povo Palestino
Novamente, a Comunidade Internacional, a ONU, os povos, nações e países, governos e parlamentos, a sociedade civil e suas organizações se mobilizam em solidariedade ao povo palestino, para que este tenha o que todos os demais povos têm: um estado soberano, no qual sua população viva em paz e segura, sem ocupantes estrangeiros, sem apartheid, sem massacres, sem cercos, sem destruições, sem prisões e torturas, sem as expulsões e confiscos de sua terra, que cristalizam um processo de limpeza étnica implacável, desumano e jamais conhecido na história humana.
O que se dá na Palestina é tão grave, uma experiência racista tão preocupante, inclusive como precedente histórico e legal, que levou a ONU a declarar um dia especial para a solidariedade ao povo palestino, o dia 29 de novembro, por meio da Resolução 32/40-B, aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 29 de novembro de 1977.
Esta data foi escolhida porque, 30 anos antes, na mesma data, a mesma ONU aprovou a Resolução 181, recomendando partilhar a Palestina histórica, em que viviam harmonicamente há milênios palestinos de fés cristã, muçulmana e judaica, criando em seu lugar dois novos estados: um, em apenas 42,9% do território, para o povo palestino originário, 1,4 milhão de pessoas, ao menos 2/3 da população, e outro, com 56,5% do território, para apenas 700 mil pessoas, as professantes do judaísmo e apenas 1/3 da população, ou menos, a maioria estrangeira, recém-chegada à Palestina. E 0,6% seria Jerusalém, uma área internacional administrada pela ONU.
O movimento sionista, surgido na Europa no século anterior para a criação de um estado exclusivamente judeu em qualquer parte do mundo, mas que em 1897 escolhe a Palestina para esta experiência, não gostou, pois queria toda a Palestina, conforme interpretava fosse a promessa britânica de um “lar nacional judeu”, contida na Declaração Balfour, de 2 de novembro de 1917.
Descontentes com o arranjo da ONU, os sionistas, já fortemente armados, deram início aos ataques às populações palestinas, desarmadas e desprevenidas do que poderia vir, para aterrorizá-las e levá-las ao êxodo, destacando-se os promovidos contra Lifta e Deir Yassin, a noroeste e oeste de Jerusalém respectivamente.
Lifta teve sua população expulsa em 28 de dezembro de 1947, um mês após a aprovação da Resolução 181, quando terroristas do grupo Haganah invadiram a cidade, mataram um comerciante e outros seis moradores num café. Houve também sete feridos.
Já Deir Yassin foi invadida e limpada etnicamente, a 9 de abril de 1948, pelos grupos Irgun, Lehi, Haganah e Stern, terroristas para os ingleses, que depois formaram o exército israelense. Perto de 300 moradores foram assassinados, quase todos mulheres, crianças e idosos.
Este foi o teste do modelo que viria a ser aplicado em larga escala após 14 de maio de 1948, quando os sionistas se autoproclamam estado e declararam-se Israel, à margem da ONU, que havia suspendido a aplicação da Resolução 181 devido aos massacres de que havia sido informada.
No estalar de 15 de maio é dado início à limpeza étnica da Palestina: 774 cidades e povoados palestinos ocupados, dos quais 531 totalmente destruídos; 70 massacres cometidos, com mais de 15 mil mortos, incontáveis feridos e mutilados e dois terços da população originária, a palestina, expulsa pelos estrangeiros recém-chegados. Considerados os 76% da Palestina tomados a força neste processo, são levados a êxodo desta porção territorial, de acordo com dados da ONU, 725 mil dos 900 mil palestinos que viviam no que passa a ser Israel. Ou seja: 81% de toda a população palestina é morta ou expulsa para nascer, pela violência, Israel.
De lá para cá o sofrimento do povo palestino não cessou. Atualmente, contra as resoluções da ONU e o Direito Internacional, especialmente o humanitário, as forças de ocupação acentuaram o confisco de terras, as restrições aos agricultores palestinos, prendem cada vez mais palestinos que lutam pela autodeterminação, cercam as cidades palestinas, com destaque para a região de Gaza, e incrementam o processo de limpeza étnica, combinado com um regime de segregação racial, designado como de apartheid pelas mais importantes organizações de direitos humanos do mundo e investigado pelo Tribunal Penal Internacional como crime israelense de lesa-humanidade.
Em vista disso, e porque foi a partir de uma ação da própria ONU que a catástrofe palestina teve início, é que ganha importância a solidariedade internacional para com o povo palestino. Esta solidariedade precisa crescer ao ponto de levar Israel a aceitar o direito à autodeterminação da Palestina e ao cumprimento das resoluções da ONU para a Questão Palestina.
Se a solidariedade internacional levou ao fim do regime de apartheid na África do Sul, assim como do colonialismo, a mesma levará paz à Palestina e ao fim do sofrimento de seu povo.
Por fim, esta Federação agradece ao povo brasileiro e a suas autoridades pela solidariedade prestado ao povo palestino. Uma Palestina livre fará o mundo melhor para todos os povos e nações.
Palestina Livre a partir do Brasil, 29 de novembro de 2021, 74º ano da Nakba.
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