Como “israel” matou seus próprios soldados, culpou o Hamas e violou novamente o cessar-fogo
"israel" tem um longo histórico de violar acordos — atualmente, os de cessar-fogo tanto na Síria quanto no Líbano e, agora, em Gaza. A mídia ocidental dominante sempre retrata "israel" como uma vítima eterna.
Três palestinos foram mortos em Tuffah, em mais uma violação do acordo de cessar-fogo. (Foto: via QNN)
Por Robert Inlakesh*
Depois de violar rotineiramente o cessar-fogo em Gaza diariamente desde sua implementação — matando dezenas de civis no processo — neste domingo Israel decidiu abandonar temporariamente o acordo por completo, para depois decidir reimplementá-lo. Apesar de todo o incidente ter sido obra de Israel, a mídia corporativa ocidental rotulou as violações israelenses como um “teste”.
Neste domingo, surgiram de repente relatos de que um grupo de soldados israelenses havia sido emboscado por combatentes palestinos em Rafah, localizada atrás do que está sendo chamado de “Linha Amarela”, de onde o exército israelense se recusa a se retirar. O incidente quase imediatamente levou Israel a iniciar uma nova onda de intensos bombardeios aéreos em toda a faixa costeira sitiada.
No total, foi declarado que pelo menos 100 ataques aéreos foram realizados contra Gaza. O site israelense Walla News e outros relataram o “colapso” do cessar-fogo naquele momento, alegando que o exército de ocupação decidiu atacar infraestrutura de túneis até então intocada durante os dois anos de genocídio.
Na segunda-feira, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu vangloriou-se de ter lançado “153 toneladas de bombas” sobre locais em toda Gaza, o que matou pelo menos 44 civis. Ele também anunciou o fechamento de todos os pontos de entrada para o território sitiado e o bloqueio total da ajuda humanitária, antes de subitamente reverter essas medidas — tudo isso supostamente em resposta à morte de dois soldados israelenses.
No entanto, relatos vindos do local começaram a sugerir, ao longo do domingo, um quadro muito diferente daquele apresentado por Israel. Inicialmente, o Hamas divulgou um comunicado negando qualquer envolvimento na morte dos soldados israelenses.
Em seguida, vários jornalistas israelenses, palestinos e norte-americanos — todos citando suas próprias fontes — começaram a relatar que, na realidade, os dois soldados israelenses mortos haviam passado por cima, acidentalmente, de um artefato não detonado. Admitiu-se que pelo menos outros três israelenses ficaram feridos no incidente, um deles em estado grave.
Até o momento, não está claro se o artefato não detonado havia sido reaproveitado como um IED (explosivo improvisado) e deixado para trás por combatentes palestinos, ou se era uma das dezenas de milhares de bombas israelenses que falharam ao explodir no impacto quando foram lançadas originalmente. Por parte de Israel, seu “censor militar” impôs uma ordem de silêncio sobre a cobertura do incidente internamente, divulgando apenas os nomes dos dois soldados mortos.
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Segundo o repórter palestino Younis Tirawi, o motivo de tamanha censura seria o fato de os demais israelenses feridos não serem militares, mas sim empreiteiros civis estacionados na parte de Gaza controlada por Israel para ajudar nas demolições. As autoridades israelenses, portanto, querem encobrir o caso.
A avaliação de Tirawi, baseada em suas próprias fontes anônimas, de fato condiz com os fatos observados no local.
Embora o tema tenha sido amplamente ignorado, o Ministério da Defesa de Israel contratou empreiteiros privados para auxiliar nos esforços de demolição naquilo que antes era chamada de zona tampão israelense em Gaza. Anúncios publicados no Facebook chegaram a oferecer vagas para israelenses com salários de até 882 dólares por dia para operar escavadeiras e participar das demolições. O exército israelense também colabora com empresas locais para alugar equipamentos pesados de escavação.
O jornal Haaretz já havia noticiado que essa nova indústria da demolição custa pelo menos 30 milhões de dólares por mês. Em outras palavras, considerando que cerca de 60 mil empresas fecharam e que o setor de turismo israelense — especialmente no norte e no sul — sofreu duras perdas, o setor de demolições tornou-se um negócio lucrativo para muitos israelenses.
Somando isso às evidências publicadas nas redes sociais por soldados israelenses, que continuam demolindo infraestrutura civil restante do lado israelense da Linha Amarela, faz sentido que empreiteiros civis ainda estejam sendo usados para realizar o trabalho de destruição. Evidentemente, isso representa não apenas uma violação do cessar-fogo — do qual, segundo o gabinete de mídia do governo de Gaza, já ocorreram 80 violações —, mas também um claro problema ético: o exército israelense está literalmente pagando a seus próprios cidadãos para executarem operações perigosas, colocando suas vidas em risco.
Mesmo assim, a narrativa israelense permanece a de que o Hamas foi o responsável pelo incidente e que Israel apenas “respondeu”, apesar de veículos israelenses admitirem que foi Israel quem primeiro violou o acordo de cessar-fogo. Quanto às alegações de que o exército israelense teria atingido infraestrutura de túneis nunca antes bombardeada nos últimos dois anos, não há qualquer evidência disso — e parece improvável, para dizer o mínimo.
Além disso, o ministro da Segurança de Israel, Itamar Ben Gvir, declarou ao Channel 14 News que era hora de “abrir os portões do inferno” sobre Gaza, após a recuperação dos prisioneiros israelenses. Isso está em sintonia com a retórica de outros oficiais israelenses que veem o retorno de seus cativos como um sinal verde para atacar o território sitiado com mais força do que nunca.
Enquanto isso, a mídia corporativa ocidental voltou a demonstrar que nada mais é do que um grupo de estenógrafos a serviço de seus ricos financiadores sionistas e do Ministério das Relações Exteriores de Israel. A agência Associated Press chegou a publicar uma matéria intitulada: “Israel ataca Gaza no primeiro grande teste do cessar-fogo”.
Embora isso possa parecer apenas mais uma entre as inúmeras reportagens vergonhosas publicadas ao longo de dois anos de genocídio em Gaza, é importante continuar denunciando o duplo padrão racista empregado. A Associated Press deve ser cobrada por seu jornalismo abertamente tendencioso.
Soldados israelenses não deveriam estar demolindo infraestrutura civil palestina durante um cessar-fogo. Se não estivessem ordenando seus soldados a continuar essas missões e realmente respeitassem o acordo, dois deles não teriam morrido. Então, mesmo sabendo perfeitamente que o Hamas não havia ordenado nenhum ataque, Israel decidiu violar o cessar-fogo de forma grave — uma ação que a própria mídia israelense interpretou como um retorno à guerra. Isso não é um “teste”.
Tais violações do cessar-fogo em Gaza não deveriam surpreender ninguém. Afinal, Israel já cometeu mais de 5.000 violações do acordo de cessar-fogo com o Líbano e começou a violá-lo desde o primeiro dia em que foi aceito pelo lado libanês.
Agora, quase um ano depois, Israel se recusa a deixar o sul do Líbano, optando, ao contrário, por expandir a zona que ocupa ilegalmente. No país vizinho, a Síria, também abandonou seu anterior acordo de cessar-fogo e continua atualmente a ocupar mais território.
Embora tanto a mídia palestina quanto a israelense tenham seus vieses evidentes — como ocorre com qualquer veículo, já que a objetividade absoluta é impossível —, a mídia corporativa ocidental está em uma categoria própria quando se trata de enganar o público.
Esses meios de comunicação corporativos não representam nem uma perspectiva palestina nem uma israelense. Eles constroem uma narrativa ficcional dos acontecimentos, deliberadamente moldada para enganar o público ocidental, publicando conteúdo feito sob medida para convencê-lo de que Israel está certo.
Esses veículos apresentam Israel como vítima eterna e, ao mesmo tempo, como herói. Nesse universo paralelo, obra coletiva de ficção, esse herói às vezes comete erros — mas é sempre a autoridade, sempre merece o benefício da dúvida e jamais é capaz de ser o instigador da guerra.
* Jornalista, escritor e cineasta documental. Ele se concentra no Oriente Médio, com especialização na Palestina. Artigo publicado em 21/10/2025 no portal The Palestine Chronicle.
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