“israel” aprova secretamente um número recorde de novos assentamentos na Cisjordânia
Novos assentamentos foram aprovados durante a guerra de agressão contra o Irã, mas mantidos sob sigilo
O assentamento israelense Neve Yaakov, na área norte de Jerusalém Oriental, na Cisjordânia ocupada, em 15 de setembro de 2025 (Ahmad Gharabli/AFP)
Por Fleur Hargreaves e Lubna Masarwa*
O gabinete de Israel aprovou secretamente um número recorde de novos assentamentos na Cisjordânia ocupada, segundo o canal de notícias israelense i24NEWS.
Em meio à guerra contra o Irã, o governo ratificou 34 novos assentamentos em uma única decisão – mais da metade do total aprovado durante o ano anterior recorde, 2025.
Os assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada são amplamente considerados ilegais sob o direito internacional.
Fontes disseram à i24NEWS que o chefe do Estado-Maior do exército israelense, Eyal Zamir, que participou da reunião, não se opôs explicitamente ao plano, mas expressou preocupações quanto à limitação de pessoal e sugeriu implementar a expansão gradualmente, em um número menor de locais por vez.
O gabinete inicialmente manteve a decisão em sigilo, mas detalhes foram vazados na quinta-feira com aprovação do censor.
Esses 34 novos assentamentos se somam aos 68 já aprovados pelo atual governo desde 2022, além de quase 200 postos avançados não autorizados estabelecidos no mesmo período.
Embora os locais exatos ainda não tenham sido divulgados, alguns dos novos assentamentos parecem estar em áreas onde anteriormente não existiam assentamentos, incluindo zonas raramente acessadas até mesmo pelo exército israelense.
Isso representa uma aceleração significativa na expansão dos assentamentos na Cisjordânia, que aumentou fortemente desde o início do genocídio de Israel em Gaza em 2023.
Segundo o grupo de defesa da paz Peace Now, 54 assentamentos foram aprovados pelo governo israelense no ano passado – um recorde histórico, superando o recorde anterior de nove em 2023. Desses, 26 eram postos avançados não autorizados posteriormente legalizados pelo governo.
O relatório também apontou um aumento nos postos avançados não autorizados, chegando a 86 – quase 40% a mais do que no ano anterior, com uma média de um a dois novos postos por semana.
Um relatório das Nações Unidas divulgado em 17 de março registrou que mais de 36.000 palestinos foram deslocados na Cisjordânia entre novembro de 2024 e outubro de 2025, em meio ao aumento dos ataques de colonos.
No mesmo período, foram documentados 1.732 incidentes de violência de colonos que causaram vítimas ou danos à propriedade – um aumento de 25% em relação ao ano anterior.
A “missão” israelense
Esse movimento mais recente representa a maior autorização única de assentamentos já aprovada por um gabinete israelense.
Lior Amihai, diretor executivo do Peace Now, disse ao Middle East Eye que isso faz parte da “missão deles”.
“Eles não estão escondendo isso. Na verdade, são muito claros sobre isso, e esses são os elementos de anexação de fato que estão realizando, tomando os territórios e promovendo a limpeza étnica dos palestinos da Área C”, explicou Amihai, referindo-se à área da Cisjordânia totalmente controlada por Israel.
Apesar do sigilo inicial, provavelmente destinado a evitar escrutínio internacional em meio às tensões entre Estados Unidos e Israel sobre a guerra no Irã, Amihai afirmou: “Esse governo, de modo geral, não esconde suas intenções de destruir as possibilidades de um Estado palestino e de paz entre israelenses e palestinos.”
O anúncio ocorre em meio a um aumento da violência de colonos. Nas últimas semanas, dezenas de colonos israelenses realizaram ataques incendiários contra palestinos, incluindo o incêndio de uma clínica, disparos contra civis e a vandalização de uma escola com pichações dizendo “Morte aos árabes”.
Segundo uma contagem da AFP com base em dados do Ministério da Saúde palestino, pelo menos 1.050 palestinos foram mortos na Cisjordânia desde outubro de 2023 por forças israelenses ou colonos, incluindo seis desde o início de março.
* Fleur Hargreaves reportou de Londres e Lubna Masarwa, de Tel Aviv, para o Middle East Eye. Publicado em 09/04/2026.
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