Fepal exige expulsão de lobista pró-Holocausto Palestino do quadro de professores da USP

Samuel Feldberg, da StandWithUs Brasil, chamou o sequestro, prisão e tortura de ativista humanitário por "israel" de "benevolente", sugerindo que ele próprio faria muito pior

07/05/2026

Lobista da StandWithUs Brasil se apresenta como professor da USP. (Foto: Reprodução)

A Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal) enviou ontem (06) ofício dirigido ao reitor da Universidade de São Paulo (USP), professor Aluísio Segurado, denunciando as incitações públicas ao Holocausto Palestino e à morte de ativistas brasileiros pelo lobista a serviço de “israel” Samuel Feldberg, que se apresenta como “professor convidado” da instituição.

Em entrevista concedida na última terça-feira (05) ao podcast “Levante”, da filial brasileira da agência de lobby sionista sediada nos EUA StandWithUs, Feldberg se referiu ao ativista humanitário Thiago Ávila, sequestrado em águas internacionais, confinado nas masmorras israelenses e torturado por “israel”, como um “marqueteiro”. Ele ainda sugeriu que o tratamento dado ao brasileiro pelo regime totalitário israelense teria sido brando: “se eu fosse o responsável por essa ação [de sequestro ilegal em águas internacionais], eu garantiria que a próxima vez que uma flotilha como essa partisse de qualquer lugar em direção a Israel [sic], ela seria a última”.

De acordo com o ofício assinado pelo presidente da Fepal, Ualid Rabah, essa declaração é uma indicação do supremacista de que, se tivesse esse poder, “estenderia a eles [os ativistas humanitários da Global Sumud Flotilla], entre os quais o brasileiro Thiago Ávila, a pena de morte, recentemente instituída por este regime [o sionista] para alegados e farsescos crimes de ‘terrorismo’, aplicáveis exclusivamente a não-judeus, isto é, aos palestinos sob ocupação em luta nacional por autodeterminação”.

“Caso não esteja se referindo à aplicação da pena capital àqueles não-judeus que se solidarizam com a Palestina”, continua o ofício, “o racista Feldberg está, no mínimo, defendendo ataque mortal a esta flotilha – em suas palavras, o regime de ‘israel’ foi ‘benevolente’ ao apenas sequestrar os ativistas humanitários e submetê-los à tortura em suas masmorras – e às eventualmente vindouras.”

O dirigente da Fepal recorda ainda que esta não é a primeira vez que o propagandista de “israel” defende crimes de lesa-humanidade. Em setembro de 2024, quando o regime sionista já havia invadido o Líbano, Feldberg declarou que “nenhuma das casas dos habitantes do sul do Líbano estará (a) salvo”, complementando: “e se mesmo isso não for suficiente, haverá uma invasão por terra, que destruirá totalmente o sul do Líbano.”

Naquele momento, a invasão e os bombardeios israelenses ao Líbano já haviam matado cerca de 600 pessoas, conforme levantamento da Anistia Internacional. A ofensiva em larga escala que seguiu, ignorando o cessar-fogo estabelecido, e que continua até hoje, exterminou adicionalmente cerca de 6.000 libaneses. De fato, como mostrou reportagem desta semana no New York Times, “israel” repete no sul do Líbano o mesmo modelo de destruição total de Gaza, para a alegria dos que pensam como Feldberg.

Para o presidente da Fepal, é assombroso que um personagem “racista e de tamanha desqualificação para tudo que diga respeito à civilidade”, com tantas declarações “que invejam os piores criminosos de guerra” siga integrando o corpo docente da USP, incluindo um núcleo que trata de “diversidades, intolerância e conflitos”.

No ofício, a Fepal cobra da USP que adote “as medidas cabíveis, nunca menores que sua [de Feldberg] exclusão do quadro docente”.

Embora o ofício da Fepal tenha sido encaminhado ontem, por e-mail, à USP, até o fechamento desta reportagem a instituição ainda não havia se manifestado.

Quem é Samuel Feldberg

Feldberg se apresenta como pesquisador e professor convidado do curso de pós-graduação do Núcleo de Estudos das Diversidades, Intolerâncias e Conflitos da USP, bem como professor convidado da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), da mesma instituição. 

Conforme o currículo publicado em seu site oficial, Feldberg leciona na USP desde 2012.

No entanto, não há registros recentes nos portais da universidade que confirmem sua alegada atuação. Ele se apresenta, ainda, como doutor em Ciência Política pela USP e pesquisador do Centro Dayan da Universidade de Tel Aviv.

O extremista também é diretor acadêmico da StandWithUs Brasil, presidida pelo ex-soldado do exército de ocupação israelense André Lajst e conhecida agência de lobby a favor do regime genocida de “israel”. Além disso, Feldberg mantém ligações com Clube Hebraica, como como com o Instituto Brasil-”israel”, outra organização do lobby sionista.

“Está na hora do Brasil apurar a ação de organizações de lobby”

Em declarações posteriores ao site da Fepal, Ualid Rabah afirma que “está na hora do Brasil apurar melhor a ação de organizações de lobby para o regime sionista, dentre elas a StandWithUs e outras semelhantes, que promovem no Brasil a normalização de crimes de lesa-humanidade, crimes de guerra, o regime de apartheid e colonial de ‘israel’ e o genocídio de ‘israel’ contra os palestinos. Quer dizer, normalizam a limpeza étnica.”

Ainda ao site da Fepal, o presidente da entidade destaca que essa atuação lobista repercute nas instituições, citando como exemplo o PL 1424/26, de autoria da deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), “que pretende normalizar, no Brasil, os crimes de ‘israel’ lá e torná-los lei aqui”. 

“Isto é”, complementa, “não se trata apenas de blindar ‘israel’; trata-se de normalizar os crimes de lesa-humanidade no Brasil, ao ponto de não se poder criticá-los não apenas quando cometidos por ‘israel’, mas por qualquer outro ator internacional, já que os crimes de apartheid, genocídio e colonialismo não poderão mais ser considerados crimes para os sionistas e para ‘israel’ contra os palestinos. Automaticamente, tornam-se crimes normalizados para o mundo todo.”

Rabah ressalta que, embora ainda não esteja clara qual é a exata relação de Feldberg com a USP, o fato é que ele se apresenta como professor da instituição. “Ou seja, usa do prestígio desta universidade brasileira para se legitimar, emprestar a si mesmo uma autoridade intelectual que não tem.”

No entanto, critica a postura conivente da instituição universitária: “ao mesmo tempo, chama a atenção que a USP nunca o tenha censurado por eventual uso indevido de vínculo possivelmente forjado com a instituição, já que podemos estar diante de falsidade ideológica acumulada à falsidade de autoridade acadêmica.”

E termina dizendo que o que importa discutir, para além do racismo e da conduta criminosa de tal propagandista do genocídio contra o povo palestino, “é o quanto há, em ambientes acadêmicos brasileiros, de tolerância à ideologia sionista, que é supremacista por excelência, de normalização do sionismo, como se outras ideologias análogas, como a supremacista branca que embalou o regime de apartheid da África do Sul, pudesse também obter a mesma legitimação”.

Acesse o ofício da Fepal aqui:

OFÍCIO FEPAL 002-2026 – PEDIDO EXCLUSÃO DA USP DO PROFESSOR SAMUEL FELDBERG POR INCIATAR AO GENOCÍDIO NA PALESTINA E NO LÍBANO

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